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Saúde e Beleza

Estudo relaciona o frio com o AVC

A conclusão é de um estudo que envolveu dados de mortalidade e de estações meteorológicas de 2002 a 2011 na cidade de São Paulo

Agência BrasilPublicado em 23/06/2018 às 00:30Atualizado há 08/07/2021 às 06:47

As quedas de temperatura foram associadas ao aumento no número de mortes por acidente vascular cerebral (AVC), principalmente entre a população com mais de 65 anos. Entre os idosos, a incidência é maior entre as mulheres.

A conclusão é de um estudo que envolveu dados de mortalidade e de estações meteorológicas de 2002 a 2011 na cidade de São Paulo, realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Católica de Santos (Unisantos), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de SP (Fapesp).

"Achávamos que quando houvesse uma variabilidade acentuada de temperaturas, tanto para o frio quanto para o calor, os resultados seriam semelhantes para os dois subtipos de AVC. Não foi o que ocorreu. No caso do AVC hemorrágico, o frio é um fator muito mais importante, especialmente entre as mulheres", disse a geógrafa Priscilla Venâncio Ikefuti.

Uma explicação para o fato de o AVC ser mais comum entre os idosos é a diminuição do metabolismo na terceira idade. Os idosos têm menor capacidade de manter a homeostase - regulação do metabolismo para manter constantes as condições fisiológicas necessárias à vida - diante de mudanças nas temperaturas.

"Verificamos também que, para todos os casos de AVC, e para o AVC hemorrágico em particular, o sexo mais vulnerável é o feminino. Os dados mostram que as mulheres têm mais alta mortalidade média por AVC. O risco relativo do acidente, calculado para as variações da temperatura média, também foi maior entre mulheres do que em homens. De forma similar, as temperaturas médias mais baixas causaram maior impacto em mulheres, em ambos os subtipos de AVC." 

Segundo ela, o estresse pelo frio resulta em elevação da pressão arterial, aumento na viscosidade do sangue e na contagem de plaquetas, o que eleva a pressão arterial podendo causar AVC hemorrágico.

Os pesquisadores destacam que uma questão importante para explicar o maior risco de AVC entre as mulheres está na menopausa, quando o corpo diminui a produção do hormônio estrogênio, o que a deixa sujeita a um maior risco de doenças vasculares.

"Nosso estudo contribui para a compreensão do impacto da temperatura sobre a mortalidade por AVC em um país tropical, onde a temperatura não seria, supostamente, um fator de preocupação para risco de AVC", disse o médico Alfésio Luís Ferreira Braga, professor da Unisantos e coautor da pesquisa.

 
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