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07/07/2018 - 00h30min

O BELO IMPERFEITO

Filosofia japonesa inspira tendência da arquitetura ocidental na atualidade

Wabi-sabi, filosofia japonesa pautada na aceitação da impermanência e da transitoriedade; Confira

Evelyn Muller/Divulgação Elementos naturais, madeira e objetos em fibra no ambiente projetado pelo escritório Padovani Arquitetos
Elementos naturais, madeira e objetos em fibra no ambiente projetado pelo escritório Padovani Arquitetos

Valorizar o que há de belo na simplicidade e na imperfeição. Esse é o princípio de uma das tendências que predominam na arquitetura, no design e na decoração atualmente, tendo como fonte de inspiração o wabi-sabi, filosofia japonesa baseada nos princípios do zen budismo. 

Na contramão de um estilo de vida acelerado, consumista e descartável, o wabi-sabi traz para o mundo ocidental uma pegada mais sustentável ao inspirar ambientes em que as marcas do tempo de objetos e móveis são realçadas por uma concepção arquitetônica que privilegia aspectos como rusticidade, monocromia e minimalismo (menos é mais).

"O wabi-sabi é uma filosofia japonesa do século 15 cuja a base está na aceitação da impermanência e da transitoriedade. Esse conceito pode ser inserido em vários aspectos da vida cotidiana, mas, quando pensamos em design de interiores e arquitetura, nós o representamos por meio da valorização do rústico, do monocromático e do aspecto natural dos elementos", destaca a designer de interiores Mahely Oliveira, do escritório Alex Bonilha Arquitetura, de Mogi das Cruzes.

Segundo a arquiteta e paisagista Laura D'Agosttino, que atua em Rio Preto e Santos, o mais importante no wabi-sabi é o processo e não o produto. "São valores contraditórios ao que predomina no mundo ocidental, pautado pelo progresso, pelo desenvolvimento, pela perfeição e pela competitividade. É um convite para desacelerar, aceitar a dinâmica que o tempo estabelece na vida e se conectar mais com a natureza", diz.

Ao aceitar o que não pode ser mudado, a beleza do simples presente nos detalhes é exaltada. "Quando passamos isso para a decoração do lugar onde moramos, ou seja, onde ficamos a maior parte do tempo, a gente cria um ambiente propício para o relaxamento e começamos a prestar atenção nas coisas que realmente importam e realmente nos fazem felizes. Acho que algo que propõe uma estilo de vida mais humanizado e leve só pode proporcionar coisas boas para quem ali habita", sinaliza Mahely.

De forma prática, o wabi-sabi inspira a concepção de espaços aconchegantes, com tons naturais, poucos elementos e objetos e móveis que carregam as marcas do tempo e têm um valor afetivo para os moradores. "Um metal com ferrugem, uma louça com um remendo, um móvel com arranhões e desgastes evidenciam a beleza que surge com o tempo, uma beleza mais real e sem aspirações para a perfeição", elenca Laura.

Para a designer de interiores de Mogi das Cruzes, as principais características desse movimento são a irregularidade, a assimetria, a modéstia e a economia. "Conseguimos compor ambientes com elementos que já possuímos e, assim, evitamos o consumismo. Tons mais crus e frios, como cinza, branco e bege, funcionam como base e trabalham muito bem com texturas naturais de aspecto mais rústico. Madeira, concreto, palha e pedra são alguns dos materiais mais usados para esse tipo de decoração. A linha do menos é mais descreve muito bem o que o wabi-sabi propõe", reforça Mahely.

Inspiração

Os princípios do wabi-sabi são uma das fontes de inspiração do trabalho do arquiteto e artista visual Alex Mazali, de Cosmorama, que cria móveis e objetos sustentáveis a partir do reaproveitamento de materiais descartados. Um berço encontrado no lixo, por exemplo, virou uma espécie de namoradeira com nicho para guardar livros ou vinis. 

"Minha proposta é criar novos significados para o que é descartado, mas respeitando princípios do wabi-sabi. Mantenho a rusticidade da peça, com suas marcas do tempo. Essa imperfeição é a real beleza", explica.

Na cultura japonesa, quando um objeto é quebrado, a área danificada tem suas fissuras preenchidas com ouro. Para os japoneses, quando algo sofre um dano e tem uma história, torna-se mais bonito. Essa arte tradicional de reparação da cerâmica quebrada com pó de ouro é conhecida como kintsugi - o resultado é que as cerâmicas não são apenas reparadas, mas tornam-se ainda mais fortes do que eram originalmente.

Para os profissionais ouvidos pela revista Vida&Arte, o wabi-sabi vai de encontro com muitos ideais sustentáveis que predominam na sociedade contemporânea, como o reaproveitamento e a redução de matéria-prima, focando naquilo que realmente é necessário. "O wabi-sabi é o oposto da ostentação e do consumismo. Ele conecta as emoções humanas com noções de ecologia. O uso de materiais naturais estabelece a conexão com a natureza, com as nossas raízes, com a nossa ancestralidade. E isso nos afasta desse mundo estressante", completa Laura. V&A

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