Diário da Região

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08/06/2018 - 18h47min

Painel de Ideias

Efeito colateral

Perdemos um tempo danado tentando achar explicações desnecessárias

Não adianta fugir! O destino vive a aprontar. Não importa quantos planos fazemos, quantas metas traçamos, é ele quem dita as regras! E por mais que tentemos nos fazer “de amigos”, ele não cede às pressões, nem às chantagens emocionais. Simplesmente continua com planos mirabolantes para atingir seu principal objetivo: nos surpreender!

E como é bom nessa arte! Pra mim o destino sempre se personifica como um garoto travesso. Fico imaginando-o como uma variação do Puck, personagem mítico de Shakespeare em “Sonho de uma Noite de Verão”, que - atrapalhado que é - arma a maior confusão na floresta, fazendo casais se apaixonarem pelos pares errados.

Mocinho cheio de graça, se diverte do começo ao fim da história assistindo, de camarote, aos encontros e desencontros dos pobres mortais. A verdade é que aqui no mundo real as surpresas - boas ou más - também estão sempre a surgir no nosso caminho, e é justamente a habilidade de contornar esses inesperados elementos que nos faz crescer e adquirir a tão sonhada maturidade.

Mas apesar de acreditar em tudo isso, enquanto levo minha vida (que não é assim tão mágica, quanto a fábula de Shakespeare), ainda me surpreendo com algumas dessas traquinagens do destino. Principalmente quando a travessura não é recheada só de doces surpresas, e vem também, com “efeito colateral”.

É mais ou menos assim: a maioria das pessoas tem uma tendência exagerada de achar que tudo na vida tem uma razão de ser. Com isso, perdemos um tempo danado tentando achar explicações desnecessárias.

Quando a coisa caminha pra um final infeliz, nos lamentamos bastante e no meio dos questionamentos, um dia nos conformamos: “vai ver não era mesmo pra ser”, “talvez aquela não fosse a melhor escolha”. E é aí que ele entra mais uma vez em ação!

Fazendo da ironia a sua melhor qualidade, o destino nos prega uma nova peça e, ao invés de aceitarmos aquele “veredito final” que nos foi imposto, simplesmente temos a reação contrária e, sem maiores explicações, somos atingidos por uma súbita vontade de rever o processo afim de achar uma nova alternativa para o enfadonho desfecho.

Haverá quem pense que esse estranho “efeito” tem a ver com possíveis egos feridos, mas assim como nas fábulas que tanto encantam, prefiro acreditar que às vezes o menininho de orelhas pontudas e sorriso maroto também brinca a nosso favor. É dele o vento que sopra e faz com que aquela chama - até então - fadada a se extinguir, se torne uma pequena labareda que, aos poucos, estará aquecendo nosso coração. Dizem que a gente só dá valor pra uma coisa quando a perde. Que bom que nem sempre isso é necessário!

Graças a esses caprichos ardilosos do destino, a simples ideia de encerrar um ciclo que mal começou já é suficiente pra nos fazer perceber o quanto aquilo é importante pra gente, o quanto vale tentar traçar um novo caminho para chegar à meta.

Se às vezes é preciso abandonar as roupas velhas que já têm a forma do nosso corpo, por vezes também é preciso manter peças que podemos abraçar com força a todo momento, para lembrar o quanto aquele perfume impregnado na trama é querido (e faz falta)...

Traçar caminhos pode ser muito importante, mas aprender que não temos o poder de controlar nossos passos porque nem sempre são eles que nos levam a algum lugar, pode ser ainda mais valioso... Até porque, quantas vezes acertamos ao seguir o que manda o coração? Penso que, na verdade, o destino está aí para nos divertir. Afinal a vida seria mesmo muito sem graça se não tivéssemos chuva nas noites de verão, sol de primavera no inverno e sentimentos que surgem do nada pra nos fazer perder o eixo. Quer saber, destino? Até que suas travessuras são simpáticas... mesmo quando têm efeito colateral! E se ainda me surpreendo com elas, é porque tenho muito a aprender. É, garoto. Pode ficar rindo por aí! Divirta-se brincando com o meu futuro. Um dia ainda te pego! E aí, tenha certeza: quem ri por último, ri melhor!

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