Diário da Região

08/06/2018 - 00h30min

Painel de Ideias

A era da desinformação

Como todo exagero é ruinoso, essa avalanche de informações não tem sido positiva. O excesso de informação vem causando uma dispersão do conteúdo

Divulgação Sérgio Clementino | sergio.clementino@uol.com.br
Sérgio Clementino | sergio.clementino@uol.com.br

Antigamente a informação era imprecisa. Na era pré-escrita, o conhecimento era transmitido oralmente. A informação se modificava ou se perdia através dos tempos. Havia forte influência do misticismo e do ocultismo. A escrita revolucionou a humanidade. O registro físico tornou as informações menos suscetíveis a mudanças e interferências. Um escrito pode permanecer intacto por milênios. Mesmo assim, durante muito tempo o conhecimento foi privilégio de poucos, principalmente nobres e religiosos. A maioria das pessoas não tinha acesso.

No século XV, o alemão Johannes Gutemberg revolucionou a transmissão do conhecimento. Sua invenção, a prensa, permitiu a produção de impressos, o surgimento da imprensa, das editoras e a transmissão em massa de conhecimento. Foi ele quem imprimiu o primeiro livro na história: uma bíblia.

Com a chegada da internet, a disseminação da informação tomou proporções impensáveis. Há muita informação sendo produzida e distribuída. Para acessar, basta um celular com internet. Dizem que uma edição comum do jornal "The New York Times" tem mais informações do que um inglês do século XVII receberia em toda sua vida.

Na década de 1990, o espanhol Manuel Castells criou a expressão "a Era da Informação", para se referir a massificação da informação nas mídias digitais. A expectativa era de que o amplo acesso à informação tornasse o mundo mais democrático e igualitário. No Século XXI, o bem mais valioso seria a informação.

Mas, como todo exagero é ruinoso, essa avalanche de informações não tem sido positiva. O excesso de informação vem causando uma dispersão do conteúdo. Há cada vez mais dificuldade em saber o que é relevante, o que realmente é preciso saber. Segundo o jornalista André Azevedo, "as futilidades circulam ao lado de grandes questões da humanidade com idênticos formatos, espaços editoriais e repercussão. A notícia importante desaparece". No livro Ansiedade da Informação, o escritor Richard Wurman aponta que a incapacidade em apreender todas as informações tem gerado muita frustração e ansiedade nas pessoas.

Essa concentração e dispersão de conteúdo tem sido campo fértil para proliferação de outra praga: as já famosas fake news. Nas redes sociais não há preocupação com fonte. Publica-se e compartilha-se sem qualquer preocupação com veracidade. Basta um clique para que uma notícia, por mais absurda que seja, vá para a rede. Aliás, quanto mais absurda e impactante, mais chances terá de ser replicada.

Consumimos cada vez mais informação mas somos cada vez menos informados. Está cada vez mais difícil diferenciar o real do falso. E pior. As pessoas têm se importado cada vez menos com isso. Mais do que os fatos, o que vale é a versão.

Enquanto isso, no seu whatsapp um amigo aparece com mais uma fake news: "olha, só recebi e estou repassando". Tudo o que a desinformação precisa.

 

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