Diário da Região

02/06/2018 - 00h30min

Painel de Ideias

Por que parou? Parou por quê?

Instituições corruptas são prioridades. Conchavos abomináveis e o cuidado na perpetuação do mal, mais importantes do que o povo. Umbigos fartos de vinhos caros, intocáveis em suas existências extravagantes, precisam ser custeados

Divulgação Elma Eneida Bassan Mendes | elma@comecaocomeco.com.br
Elma Eneida Bassan Mendes | elma@comecaocomeco.com.br

Foi há muitos anos. Nem me lembro quantos. A pessoa, querida do meu coração, surpreendeu a família com o anúncio do fim do seu casamento. Casal bonito, filhos idem, e a aparência de que a vida fluía. Depois do susto, a pergunta: por quê? A mim, ela disse uma só palavra: desamor. Os olhos dela responderam mais rápidos, e com mais intensidade, do que a própria boca. Esse instante nunca saiu da minha lembrança. A escolha custosa (porém, libertadora) de não mais permanecer na carência, na desafeição.

Sempre que alguém decide dar um basta na vida, eu me lembro dessa minha querida. Deve ser o mesmo sentimento. Dar um "pare" em circunstâncias que extrapolam o desejo, que escapam do querer, que nunca estiveram nos planos. Obstáculos resistentes a todas as tentativas de acerto, ajuste, correção, apelos. E aí, o cansaço e o brio chamam a audácia, recrutam a coragem e o "não dá mais" acontece. Esse preâmbulo sentimental é para tentar entender os últimos dias de todos nós e dos caminhoneiros parados pelas estradas.

É lógico que houve abusos. Gente torta existe em todo lugar a desmoralizar qualquer iniciativa. Até em festas refinadas, com rigorosa lista de convidados, os anfitriões se deparam com penetras, que dirá num movimento de tamanha amplitude? É bem provável, também, que interesses escusos ao pleito, estejam por detrás dessa mobilização. Não sou analista política ou econômica para avaliar. Reporto-me, aqui, somente à essência, ao simbolismo dessa paralisação. Que poderia ser de qualquer outra categoria. No Brasil, sofremos de desamor.

É tanta insatisfação, decepção, sabor amargo de fracasso, tudo isso moendo, triturando nossa dignidade, que alguém tinha de espernear. Parar. E, eles pararam. E surpreenderam um país inteiro. Desamor da classe dita política - poucos homens e mulheres, sempre tão mal escolhidos por nós mesmos - para com outros milhões de homens, mulheres, velhos e crianças. Desprezo, indiferença, insensibilidade. Todos sinônimos de desamor, é o que, na verdade, o governo tem por nós. Instituições corruptas são prioridades.

Conchavos abomináveis e o cuidado na perpetuação do mal, mais importantes do que o povo. Umbigos fartos de vinhos caros, intocáveis em suas existências extravagantes, precisam ser custeados. Uma minoria rude mantida em detrimento da crueza do dia-a-dia da imensa maioria. Uma nação fadigada, exausta do desinteresse de quem deveria protegê-la, apoiá-la e dar a ela condições só encontradas no amor. Porque, no desamor, nada existe. Apenas a certeza de que alguém na relação é invisível. Os caminhões parados à beira do caminho dizem muito. Fretes de pesadas desilusões. Cargas transbordando de carências. Todas no lugar reservado a quem sofre de desamor: estacionadas à margem.

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