Diário da Região

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11/06/2018 - 22h43min

Cartas do Leitor

Como será 2019

O óbvio, mesmo ululante no dizer do cronista e dramaturgo Nelson Rodrigues, por ser óbvio, passa desapercebido. No Brasil, país rodoviário e de dimensão continental, o caminhão é estratégico. A ociosidade das frotas, o pedágio do terceiro eixo e o custo do diesel levaram os caminhoneiros à mobilização, ao bloqueio nas estradas e o Governo à perigosa inferioridade negocial. Resultado: no espaço de uma semana a gasolina teve um aumento de 14% e a batata ficou 150% mais cara.

Nova crise, o Governo costurou um acordo temporário com parte dos grevistas, concessão a ser bancada com renúncia de arrecadação da CIDE e COFINS, ambas absolutamente necessárias à sustentação das nossas combalidas contas públicas. No acordo, o propósito emergencial de por fim à greve e de restabelecer o abastecimento básico e, de urgência, a contenção dos danos já contabilizados e a contabilizar em desfavor da nossa economia.

Danos, é bom lembrar, já infligidos à agora comprometida recuperação em 2018 e espraiando-se por horizonte de tempo a ultrapassar 2019. Em meio ao furacão, a Petrobrás, empresa pública que, tendo por acionista principal o Governo Federal, novamente seria convocada a participar do desvario instalado, se não oportunas as cautelas que vieram em seu socorro.

De fato, participante do mundo empresarial capitalista, a petroleira não pode e não deve, por interferência governamental como ocorrida em passado recente, ser agência de implementação de políticas públicas que, embora de nobre intenção, correm em paralelo e sem subordinação com a sua meta última, o lucro. Levanta-se, em mitigado sentido oposto, a função social atribuída às empresas, de negação do lucro quando este ultrapassa e fere o interesse maior da sociedade.

Ora, na sua atual configuração acionária, a Petrobrás atende ao interesse da sociedade justamente quando se enquadra nos parâmetros do mercado, mormente se, no caso concreto, em alta os preços do petróleo, do qual, no Brasil, ela é praticamente monopolista no refino, mas dependente no suprimento, pelo menos até 2020. Isso - e aí o grande temor - se assegurada sua capacidade de investimento. Até lá, a dependência, o produto importado a preço maior que aquele de venda decidido pelo Governo quando, sócio majoritário, se dispôs a conter a inflação via represamento dos preços da energia e colocou em perigo valioso patrimônio nacional.

Hélio Silva, Rio Preto.

País exilado

A experiência do Exílio da Babilônia foi trágica, fruto da desorganização administrativa do povo hebreu. O mesmo está acontecendo no Brasil com a paralisação dos caminhoneiros e a desorganização administrativa do país. As consequências não serão diferentes. Toda a população vai continuar pagando caro pelas crises que veem daí. Os que mais sofrem são os pobres e desprotegidos.

Aos poucos o país vai se isolando das grandes potências mundiais. Ele caminha num processo ascendente de desconstrução total e de desarticulação das forças sustentadoras da vida social. Em vez de uma economia pujante, porque temos todas as condições para isso, infelizmente somos sufragados por dirigentes corporativistas e despreocupados com a realidade sofrida do povo.

Na Sagrada Escritura se fala da força contida na semente lançada na terra. Ela tem uma força intrínseca que a faz nascer, crescer e produzir frutos. O Brasil não é uma pequena semente, não é frágil e nem infecundo. Temos o privilégio da enorme extensão territorial, das terras raras, fartura de água doce e todos os recursos naturais. No entanto, não sai da zona de subdesenvolvido.

O país carece de profundas transformações, que não vão acontecer se não houver uma total participação popular. Os políticos e os detentores do poder econômico e da mídia descomprometida com a vida social não estão preocupados com isso. A partir daí entendemos o porquê da paralisação dos caminhoneiros, mas eles necessitam de apoio da população, porque o sofrimento é de todos.

A impressão que temos é de que o governo brasileiro está perdido e incapaz para solucionar o caos que vem sendo instaurado. Não sentimos atitudes de honestidade na gestão da coisa pública. Aos poucos estão depredando o país, vendendo o rico patrimônio público para forças internacionais e países de destaque mundial. Significa que caminhamos para um verdadeiro exílio e sem força para agir.

Dom Paulo Mendes Peixoto, arcebispo de Uberaba, ex-bispo de Rio Preto.

Juventude

Em todos os momentos da história coube à juventude o papel de protestar, próprio dela julgar intempestivamente, ter certeza das suas convicções e ignorar o contraditório; grandes eventos históricos no mundo ocorreram a partir de movimentos estudantis. Na segunda metade do século passado, ocorreram em grandes partes da Ásia, da África e da America Latina.

Usurpação do poder por movimentos totalitários por sangrentas e cruéis ditaduras alteraram a ordem natural das coisas. Conseguiram calar o inconformismo natural e necessário para a formação do espírito democrático do jovens de então, calados pelo pavor que lhes causavam as prisões, torturas e mortes comuns em quem ousava se manifestar.

Os universitários da época, que hoje formam a elite cultural do país, se recente da falta de líderes, temos tão somente um batalhão de ressentidos julgando, condenando e agressivamente pedindo vingança como isso fosse justiça. E o que é pior: pedindo de volta aquele tempo em que não reclamar era sinônimo de inteligência e integridade.

Norberto Carlos Dieguez, Rio Preto.

Futebol

Este não é mesmo um país sério. Depois do prejuízo bilionário ocasionado por conta do movimento dos caminhoneiros, o que seria razoável? Trabalho, trabalho e mais trabalho! No entanto, o que vem por aí são mais feriados, mais meios períodos, mais folgas.

Um país que para pra ver jogos de futebol na atual conjuntura só pode ser mesmo de terceiro mundo. E em tempos que sabemos tudo ser manipulado, comprado: resultados, sorteios, etc, etc. Quando vamos nos conscientizar de que só trabalho e disciplina vão nos tirar do atoleiro em que os políticos corruptos nos meteram? Acorda, Brasil! Ao trabalho!

Sonia Lelis, Rio Preto.

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