Diário da Região

06/06/2018 - 00h30min

É A VIDA

Conheça o casal que arrecadou toneladas de alimentos para o HB

Benedito e Laurinda organizaram churrasco em Santa Clara d'Oeste e, com a renda, compraram cinco toneladas de arroz, 1,2 mil quilos de açúcar e 1,8 mil litros de óleo. Tudo foi doado ao Hospital de Base

Mara Sousa 5/6/2018 Benedito e Laurinda
Benedito e Laurinda

Imagine precisar de 1,2 tonelada de arroz por semana para alimentar pacientes e acompanhantes, além de 280 litros de óleo e 1.050 quilos de açúcar. Quando os caminhoneiros pararam, a direção da Funfarme (que engloba Hospital de Base, Hospital da Criança e Maternidade, Ambulatório e Hemocentro) ficou preocupada com a alimentação de quem estava internado ou apenas passando pelo complexo. Sorte que existe seu Benedito Manoel da Silva, aposentado de 66 anos e morador de Santa Clara d'Oeste, que conseguiu verba para comprar toneladas de alimentos.

Para ajudar o lugar onde faz tratamento, Benedito e a mulher, Laurinda Xavier da Silva, de 62 anos, fizeram um churrasco em Santa Clara. Cobrando R$ 200 por família, reuniram 350 pessoas no dia 19 de maio e arrecadaram dinheiro para comprar, em um atacado de Rio Preto, cinco toneladas de arroz - quantidade suficiente para fazer refeições por mais de um mês -, 1,2 mil quilos de açúcar (que vão durar oito dias) e 1,8 mil litros de óleo, que bastam um mês e meio. 

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que Santa Clara d'Oeste tenha 2.134 habitantes. É como se cada um deles tivesse doado 3,7 quilos ou litros de alimento. Considerando apenas o arroz, são 2,3 quilos de solidariedade por morador, em média.

Benedito faz tratamento pelo SUS no Hospital de Base desde o final de 2016, quando colocou um marca-passo para corrigir um problema no coração. "Melhor tratamento não tem jeito", elogia. Esta é a segunda vez em que o aposentado leva alimentos. Em 2017 foram 600 pacotes de arroz (três toneladas) e 1.026 litros de óleo. "A primeira foi em agosto do ano passado, dessa vez consegui mais, ano que vem quero mais ainda. A gente vê a necessidade que o hospital tem. Quem mexe com o SUS não tem nenhum que não precisa de ajuda."

O churrasco em Santa Clara d'Oeste foi divulgado entre os amigos. O cardápio incluía carne e linguiça assadas, costela com milho, pão com carne moída, salada de repolho com abacaxi e maçã, refrigerante e cerveja. Tudo preparado por dona Laurinda com a ajuda de amigas e primas. Quem quisesse sobremesa podia comprar por R$ 5 os doces de caju, abóbora com coco e goiaba. "Deu trabalho, mas até que foi tranquilo. Vale a pena", garante a mulher.

O casal completa em breve 43 anos de casados. Simples e de sorriso fácil, sentem-se bem com o que fizeram. "A gente sabe a necessidade do hospital, então não mede esforços", diz Benedito. Ele lembra da ajuda que recebeu dos amigos, sempre dispostos a colaborar, e da família. São três filhos e cinco netos. "De vez em quando o vô tem que buscar na escola", derrete-se.

Laurinda conta que quando o marido ficou quase uma semana internado o tratamento foi bom. Ela também podia comer as refeições preparadas na cozinha que ajudaram a abastecer. "Não faziam diferença de ninguém, davam comida para todo mundo. Achei muito importante."

Nesta semana, os dois também trouxeram de Santa Clara d'Oeste um punhado de roupas doadas que serão distribuídas entre os pacientes que estiverem enfrentando falta de peças. "As voluntárias que passavam no quarto todo dia perguntavam se estavam precisando de alguma coisa, essas roupas são importantes para distribuir", diz ela. Benedito não pretende parar de ajudar. "Se Deus quiser todo ano. Enquanto estivermos com saúde vai fazer esse compromisso", garante.

Maior doação

Segundo Aparecida Amorim, líder de setor administrativo, esta foi a maior doação de alimentos já recebida pela Funfarme. Apesar de a greve ter terminado antes do desabastecimento, os produtos chegaram em uma hora de apreensão porque o estoque disponível só duraria mais cinco dias. "Em um momento que estávamos precisando. Foi primordial no momento da greve, não que estivesse faltando, mas se continuasse a gente ia entrar em um momento crítico." A nutricionista Marielle Tavares lembra que a dieta servida faz parte do tratamento. "O alimento ajuda na recuperação."

Amália Tieco R. Sabbag, diretora administrativa do Hospital de Base, destaca a importância das doações. Além de seu Benedito, pessoas de Carneirinho (Minas Gerais, perto de Frutal) doaram 500 quilos de mandioca. "Quando a gente tem os nossos fornecedores entregando todo dia é uma coisa, na hora que eles faltaram a gente viu que essa ajuda foi essencial para a gente se manter", fala.

Mesmo quando as doações são feitas em momentos "normais", sem a ameaça da escassez, as comidas são bem-vindas. "Tudo se aproveita e a gente recebe de bom coração, necessitamos dessas doações porque toda vez que chega uma doação o nosso custo diminui porque a gente cancela algumas compras e dá para investir em outras coisas", revela Aparecida.

O setor de captação da Funfarme é responsável por coordenar as doações. "Hoje a captação é leilões, almoços, jantares. A gente estava preocupado com o alimento do paciente, que é a prioridade, aí chegou na hora certa a doação do seu Benedito, mas já tem vários municípios fazendo campanhas, leilões", diz João Evaristo da Silva, relações públicas do setor. Nas cidades de José Bonifácio e Zacarias, por exemplo, estão sendo organizados eventos em prol da instituição.  

Quem quiser colaborar doando roupas, produtos de higiene pessoal, alimentos e dinheiro pode entrar em contato pelo telefone (17) 99637-9873.

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