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09/06/2018 - 00h30min

Reunião no Supremo

Humoristas querem liberdade nas eleições

Divulgação Marcius Melhem, Fábio Porchat e Bruno Mazzeo no plenário do STF
Marcius Melhem, Fábio Porchat e Bruno Mazzeo no plenário do STF

Os humoristas Marcius Melhem, Fábio Porchat e Bruno Mazzeo estiveram no Supremo Tribunal Federal (STF) na manhã de quinta-feira, 7, para tratar de liberdade de expressão, humor e eleições. A conversa aconteceu com o ministro Alexandre de Moraes, relator de ação que derrubou, em 2010, trecho de lei que proibia programas que "degradem e ridicularizem" candidatos nos três meses que antecedem as eleições.

A ação volta à pauta do Supremo na próxima quarta, 13, quando a Corte julgará definitivamente o processo, podendo manter a proibição suspensa ou colocar a lei em vigor, que, além de candidatos, abrange partidos e coligações. "A eleição é o assunto mais importante do ano, o assunto que a sociedade precisa receber informações. O humor tem a função de levantar o debate público sobre aquelas pessoas e aquele momento político da vida brasileira", afirmou o ator e roteirista Marcius Melhem após a audiência com o ministro, para quem falaram sobre a necessidade dos dispositivos da lei não voltarem à ativa.

"Uma das formas de chamar atenção para um assunto é rir dele, tirar sarro, brincando. Humor não conclui, mas tem liberdade de levantar as questões", disse Porchat, apresentador, ator e um dos criadores da produtora "Porta dos Fundos", citando Chico Anysio. Em 2010, o trecho da lei foi suspenso de forma liminar pelos ministros da Corte. Para a autora da ação, Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a lei acabava por impedir o humor nas rádios e nas TVs em época eleitoral. Para Porchat, a ação precisa ser julgada para que o tema se resolva de uma vez.

"Para que não tenha desconfiança quando a gente fizer uma piada, uma brincadeira. E é interessante lembrar que não é só para os comediantes, para os humoristas. É para qualquer pessoa que fizer uma piada ou uma brincadeira", ressaltou. "E essa questão do 'não pode antes' é muito perigosa. Não deixar que a liberdade de expressão prevaleça. Através do humor as pessoas se politizam", continuou Porchat. "Estamos falando de liberdade de expressão, na verdade. Essa é a grande questão. Acima de tudo, a grande batalha é pela liberdade de expressão, e depois ressaltar a função crítica do humor de participar do debate público", afirmou Melhem, segundo quem o ministro Alexandre de Moraes "demonstrou sensibilidade" aos argumentos levados pelos humoristas.

 

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