Diário da Região

07/06/2018 - 00h09min

LUTO

Ex-goleiro do América, Valô morre aos 62 anos

Ex-goleiro do América morre aos 62 anos vítima de uma parada cardiorrespiratória. Valô travava uma batalha diária contra o alcoolismo e enfrentava problemas cardíacos

Edvaldo Santos 23/7/2012 Em 2012, Valô foi acolhido e trabalhou como auxiliar de Mika Barraviera na preparação de goleiros do América
Em 2012, Valô foi acolhido e trabalhou como auxiliar de Mika Barraviera na preparação de goleiros do América

O América perdeu um dos grandes ídolos de sua história. Álvaro Augusto Bollini Piotto, o goleiro Valô, apelido herdado desde a infância por causa da irmã Isabel, que o chamava de "Alvalô", morreu nesta quarta-feira, 6, vítima de uma parada cardiorrespiratória, aos 62 anos. Líder em campo e amigo fora dele, adorava apelidar seus colegas, viveu a fama e o drama numa briga constante contra o alcoolismo e a depressão depois de sua aposentadoria. "Meu pai era um homem muito bom, apaixonado pelo América e sempre gostava de recordar seu passado no futebol. Um guerreiro, mas infelizmente viveu uma luta contra o alcoolismo", disse o filho Glauber, 28 anos, fruto do casamento com a ex-mulher de Valô, Rita de Cássia.

Valô, por opção própria, chegou a morar na rua em Rio Preto há seis anos, depois de se desentender com a família. Atualmente, vivia com a filha Mariáh, 32, e amava o convívio com o neto Augusto, de 8 anos. Valô passou mal no terminal rodoviário de Rio Preto, quando se deslocava para buscar o neto na escola. Era cardíaco e recentemente havia se submetido a uma cirurgia para colocar um marcapasso. Foi socorrido no terminal rodoviário e levado à UPA do Jardim Tangará, mas não resistiu. Seu velório está sendo realizado no cemitério Jardim da Paz e seu corpo será cremado nesta quinta - horário a ser definido.

Valô viveu seu auge em 1984, após superar uma lesão no púbis e brilhar com a camisa do América. Treinou ao lado de Taffarel, Dunga, Mauro Galvão, entre outros craques da Seleção Olímpica do técnico Jair Picerni. Disputou quatro amistosos, um deles no Maracanã, mas não chegou ir para os Jogos Los Angeles. "A gente tinha uma amizade muito grande, apesar de perder um pouco o contato. Fizemos um jogo no ano passado em Tanabi. Fomos pré-convocados juntos para a seleção olímpica, tinha uma admiração muito grande, era um baita goleiro, um cara alegre no dia a dia. A gente fica triste, sente muito pela família", disse o ex-volante Paulo Cezar Catanoce.

O América, clube que defendeu entre 1978 e 1985, decretou luto de três dias. Valô chegou no Rubro comprado junto ao Linense, saiu emprestado para Votuporanguense e, depois, Criciúma. Em 1986, foi vendido à Pantera Alvinegra e ainda jogou por Catanduvense e Olímpia antes de pendurar as luvas, em 1989. "Foi um dos jogadores que mais marcou na década de 1980. Era meio doidão e chegava no jogo era um líder, orientava e era parceiro. Botava apelido em todo mundo, me chamava de Guru", recorda o ex-zagueiro Jorge Lima.

(Colaborou Marco Antonio dos Santos)

 

Foi à Seleção Olímpica

Era para ser apenas um jogo amistoso festivo na cidade de Lins. Filho da terra, o diretor do América Luiz Carlos Jordani intermediou o acordo, convencendo o presidente Benedito Teixeira, o Birigui, de fazer um jogo contra o Linense, que tentava ressurgir. Estádio lotado e no time de Lins um jovem goleiro roubou a cena, até pênalti pegou. "Ele acabou com o jogo, pegou pênalti, era magro, alto, rápido, o Birigui ficou doido e pediu para eu negociar. Estava à venda, mas Noroeste e Marília estavam na frente. Era 15 mil cruzeiros", recorda Jordani, que por sua influência conseguiu comprar por menos prometendo uma parceria mais ampla entre os clubes.

Era um valor pequeno e Valô tinha potencial. O jovem nascido em Bariri, no dia 10 de dezembro de 1955, deu os primeiros passos na Inter de Limeira, antes de ir para o time de Lins. Sua carreira foi vitoriosa em campo, mas o maior adversário foi mesmo o alcoolismo - e, como Valô sempre dizia, a doença ficou pior após a perda do pai, de um irmão e de uma irmã no intervalo de um ano, no começo da década logo após sua aposentadoria. "Há um mês estava em uma oficina mecânica, por volta das 10 horas, e avistei o Valô no bar, do outro lado da rua. Ele estava bem vestido, barba feita e uma cerveja no balcão", conta Jordani. "Até falei que precisava mudar, definir a vida. Mas ele disse que estava sendo compreendido pela filha. O Valô deixou transparecer que estava mudando. Falou do neto e, pela primeira vez, não me pediu dinheiro."

O álcool também foi um inimigo de Jorge Lima e Marinho, seus parceiros de time na década de 80 e amigos de festas na época. "A bebida foi o grande adversário dos ex-jogadores da nossa época é isso ai", disse Jorge Lima. "Os caras bebiam. O problema maior é o pós carreira. Eu tive a oportunidade fazer tratamento em Jaci, contei com grande apoio da família. O Valô descansou."

Em 2012, o Diário fez uma matéria mostrando a luta de Valô, que por opção chegou a morar nas ruas do bairro Maceno. Foi acolhido pela direção do América na época, passou a morar no Teixeirão e trabalhou como auxiliar na preparação de goleiros com Mika Barraviera. Meses depois, Valô desistiu do Rubro e foi trabalhar como caseiro, antes de ir morar com a filha. (OJ)

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