Diário da Região

06/06/2018 - 22h23min

GUERRA

ANTT anuncia 'ajustes' na tabela do frete

Enquanto confederações da Agricultura e Pecuária e da Indústria alegam que tabelamento instituído pelo acordo do governo com os caminhoneiros é retrocesso e trará prejuízos, ANTT anuncia 'ajustes' na tabela

Mara Sousa 1/6/2018 Entidades de classe afirmam que tabela da ANTT inviabiliza o transporte e afetará a economia
Entidades de classe afirmam que tabela da ANTT inviabiliza o transporte e afetará a economia

Menos de 24 horas. Foi o tempo suficiente até que a tabela com preços mínimos de frete, divulgada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) na terça-feira, dia 5, causasse polêmica e sofresse um bombardeio de entidades de classe, a ponto do ministro da Agricultura Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, se apressar em vir a público admitir que a medida deverá ser revista. Não é para menos, pois o governo sabe que enfrentará grande resistência do movimento dos caminhoneiros pela decisão contrária ao acordado durante a greve.

O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins da Silva Júnior, disse que o tabelamento instituído pelo acordo do governo com os caminhoneiros é "um retrocesso", "inviabiliza" o setor e que "o bom senso não prevaleceu", porque a tabela vai encarecer todos os produtos na mesa dos brasileiros. Depois de citar que o ministro Maggi reconheceu que a tabela precisa ser e será alterada, João Martins declarou nesta quarta, 6: "Tem de rever a tabela senão a CNA vai tomar todas as medidas possíveis, até ir para a Justiça e questionar a legitimidade da tabela."

De acordo com o presidente da CNA, a decisão pelo tabelamento tomada durante a greve dos caminhoneiros levou em conta premissas apresentadas pelos caminhoneiros que "não são corretas", como o prazo de renovação da frota e a troca de pneus com a periodicidade informada. "Um exemplo: o caminhoneiro colocou que de cinco em cinco anos há renovação de frota. Isso não é verdade. Um caminhão com dez anos é considerado novo. Eles falaram que o pneu é mudado de tanto em tanto tempo. Também não é verdade porque hoje o recapeamento é uma coisa que se faz com muita eficiência. Portanto, essa tabela tem de ser mudada e hoje vai sair um novo tabelamento", avisou.

Ao falar da inviabilidade do negócio com a manutenção da tabela de frete, o presidente da CNA informou que, por causa dela, "houve parada total de embarque de grãos e de negociação de exportação". Segundo ele, por conta desta tabela, na Bahia o frete para retirar fertilizante do porto de Salvador subiu de R$ 170 para R$ 240 (por tonelada) e (o frete) na venda de algodão da Bahia para o Ceará subiu de pouco mais de R$ 200 para R$ 405.

Na mesma linha da CNA, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou, também nesta quarta-feira, a adoção de uma tabela com preços mínimos para o transporte de cargas, apontando que a medida gera prejuízos e danos para a economia. Pelas estimativas da entidade, o setor de alimentação será o mais afetado, incluindo arroz, aves e suínos com percentuais de reajuste superando 60% nos fretes, que deverão ser repassados para os consumidores.

Representando as associações e federações estaduais de indústria, a CNI diz que está avaliando possíveis medidas judiciais e administrativas contra as normas que estabeleceram valores mínimos de transporte de carga para o Brasil, que foi uma das medidas negociadas com os caminhoneiros para pôr fim à greve da categoria.

Os cálculos da CNI apontam que o transporte de arroz pelas rodovias do país terá aumento de 35% a 50% no mercado interno e de 100% para exportações. No caso da indústria de aves e suínos, a previsão é que o impacto sobre o custo do transporte será em torno de 63%.

O ministro da Agricultura admitiu nesta quarta que a tabela com preços mínimos de frete divulgada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) mais que dobrou o valor do frete cobrado e ficou fora de qualquer padrão, segundo ele.

"Ao fazer as contas e ver quanto ia custar, esse negócio ficou fora de qualquer padrão, subindo até duas vezes, duas vezes e meia, com relação ao frete que estava sendo praticado antes da greve", disse Maggi após participar do lançamento do Plano Safra 2018/2019.

Segundo o ministro, um frete que antes da greve custava R$ 5 mil passou a custar de R$ 13 mil a R$ 14 mil após a alteração da tabela de frete. "Não há a possibilidade de ter um frete tão caro assim, e no final quem vai pagar a conta é o consumidor", disse ele, comunicando que já procurou a ANTT e que a própria agência chegou a conclusão que vai precisar alterar os valores da tabela.

 

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