Diário da Região

01/06/2018 - 22h10min

EXPORTAÇÕES

Exportadores em alerta com o efeito da greve

Entre as medidas anunciadas pelo governo federal para arcar com subsídio no litro do óleo diesel, a quase extinção do programa de incentivo Reintegra vai diminuir a competitividade ainda mais

Divulgação/Prefeitura de Santos Fechamento do Porto de Santos causou prejuízos a quem atua com mercado externo e aumento nos custos
Fechamento do Porto de Santos causou prejuízos a quem atua com mercado externo e aumento nos custos

Algumas das medidas adotadas pelo governo federal para bancar o subsídio ao óleo diesel, condição prioritária para o fim da greve dos caminhoneiros, vai impactar também indústrias da região de Rio Preto. Para que o litro do diesel baixe R$ 0,46, o que representa R$ 13,5 bilhões, foram cortados incentivos a alguns setores da indústria e até programas sociais.

Uma das decisões que impacta na região é a quase a extinção do programa Reintegra (Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários), um incentivo aos exportadores.

A devolução dos tributos pagos por exportadores de produtos industrializados, que era de 2% cai para 0,1%.

A medida vai contribuir com R$ 2,27 bilhões na conta. "A medida entra no bordão dá com uma mão e tira com a outra. Os exportadores em teoria passariam a ter um frete rodoviário mais estável ou até reduzido, o que não acredito. Por outro lado, acabam perdendo o benefício de Reintegra. O mais importante que é a redução dos impostos na cadeia produtiva continua ficando para trás", afirmou o despachante aduaneiro Márcio Marcassa Júnior.

Entre janeiro e abril deste ano, as exportações das empresas rio-pretenses atingiram US$ 5,448 milhões, volume inferior ao de igual período do ano passado, US$ 5,893 milhões, mas que poderia ter um incremento em função da atual cotação do dólar frente ao Real. "Se exportar já era complicado e a competitividade das indústrias pequenas, agora vai inviabilizar muitos negócios", afirmou Marcus Vinícius Apóstolo, diretor adjunto do escritório Itamaraty de Contabilidade.

Além da questão da perda do benefício, as quase duas semanas de negócios perdidos em função da greve - com o Porto de Santos parado - fez com que contratos perdessem o prazo e geraram aumento de custos aos empresários. "Nesse momento excelente para a exportação em função do dólar o que houve foi que o empresário não conseguiu enviar sua mercadoria para o exterior", afirmou o despachante aduaneiro Paulo Narcizo Rodrigues.

Segundo Rodrigues, somente sua empresa chegou a perder 80 contratos de exportação em maio, de produtos como miúdos bovinos, carne, óleo de amendoim, entre outros. "Vamos correr atrás, trabalhar de sábado, mas vai levar algum tempo até que a engrenagem volte a funcionar."

Marcassa afirmou que, por sorte, as cargas de seus clientes não eram perecíveis, mesmo assim perderam embarques, que estão reprogramados para as próximas saídas. "Isso compromete fluxo de caixa, a imagem perante aos clientes. É um atraso para todos. Esperamos que todo esse esforço da 'população' em geral possa trazer benefícios futuros pois a curto prazo foi muito ruim para todos", afirmou.

Para o economista Hipólito Martins Filho, essa decisão pode encarecer e desestimular as exportações. "No médio prazo também pode gerar desemprego, já que a menor entrada de dólares contribui para a queda de lucro e diminui o ritmo da atividade", avaliou.

Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, afirmou que além de praticamente extinguir o estímulo às exportações, a decisão condena o desenvolvimento sustentável da indústria nacional. "É uma decisão que afasta o Brasil ainda mais das cadeias globais, retirando a competitividade dos nossos produtos manufaturados. Vamos nos transformar em uma simples colônia fornecedora de matéria-prima e importadora dos produtos finais".

Para 2019, a expectativa é de que o percentual do programa criado em 2011 volte a 3%.

Refrigerantes

A indústria de bebidas não terá mais benefício para produzir concentrado para refrigerantes na Zona Franca de Manaus. O crédito do Imposto sobre Produtos Importados (IPI) cairá de 20% para 4%, impacto de R$ 740 milhões.

A refrigerantes Arco-Íris foi procurada para comentar, mas ontem não tinha o porta-voz disponível. A Bebidas Poty preferiu não comentar o assunto por enquanto.

Também à Agência Brasil, A Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras), entidade que informa representar mais de 100 fabricantes regionais de bebidas de todo o Brasil, defendeu que a mudança na Tabela de Incidência do IPI e a consequente redução da alíquota corrigirá parcialmente as distorções existentes no setor. Já Associação Brasileira da Indústria de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas informou que o detalhamento das medidas de recomposição tributária surpreendeu e disse que nada justifica a ausência de diálogo.

Outra questão é o fim da desoneração da folha de pagamento de 39 setores, que ainda não foram informados quais, portanto ainda não se pode prever quais serão os reflexos. "Mas sabemos, quando há uma reoneração na folha, a primeira coisa que o empresário faz é demitir, a não ser que tenha uma demanda muito grande", afirmou o economista.

De maneira geral, segundo Martins Filho, as três medidas são ruins para a economia. Isso porque, se havia uma previsão de crescimento da economia brasileira da ordem de 3%, com a greve ela baixou para 1,5%, 1,6%. "Com mais essas medidas a recessão poderá ser um pouco maior. Existe o fator real e o psicológico, que pode fazer com que a economia não cresça nem esses 1,5%."

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