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10/06/2018 - 00h30min

Em Barretos

Paulo de Tarso leva Orquestra Sinfônica para a terra bruta dos rodeios

Maestro e pianista rio-pretense Paulo de Tarso rege Orquestra Sinfônica, mantida pelo poder público e formada por instrumentistas concursados, na cidade que abriga a maior festa sertaneja do Brasil

Guilherme Baffi 7/6/2018 Maestro rio-pretense Paulo de Tarso desenvolve um trabalho consistente nas áreas artística, educacional e social em Barretos
Maestro rio-pretense Paulo de Tarso desenvolve um trabalho consistente nas áreas artística, educacional e social em Barretos

O maestro e pianista rio-pretense Paulo de Tarso, um dos principais incentivadores da música clássica em Rio Preto, também é um fomentador da música erudita na região. Desde o início de 2013, ele rege a Orquestra Sinfônica de Barretos (OSB), que tem 21 anos de fundação, e desenvolve um trabalho consistente nas áreas artística, educacional e social. Na cidade que abriga a maior festa sertaneja do Brasil, o pianista assume o papel de maestro e diretor artístico da orquestra de Barretos, que é uma das poucas cidades do Brasil a contar com uma banda mantida pelo poder público e formada por 27 instrumentistas fixos, com idades entre 25 e 60 anos.

O rio-pretense regerá, em breve, mais 25 músicos que foram aprovados em um concurso público promovido pela Prefeitura de Barretos. Com a posse do novo elenco, Paulo de Tarso poderá ampliar a atuação da orquestra, que terá formação completa com músicos especialistas nas classes de instrumentos, que inclui as cordas, madeiras, metais, percussão e teclas. "A contratação de novos músicos vai completar a família de instrumentos já existentes e possibilitará um maior equilíbrio sonoro da orquestra, assim como a ampliação de repertório."

No caso das cordas é preciso uma quantidade de primeiros violinos, segundos violinos, violas, violoncelos e contrabaixos. No caso das madeiras, a orquestra já tinha duas flautas e dois oboés, e agora vai ter mais um clarinete, mais um oboé e dois fagotes, que não tinha músico fixo na orquestra. Já na classe nos metais, a banda já tinha tuba e dois trombones, e agora terá mais um trombone e mais três trompas. Já na percussão, tinha dois e agora entrará mais um. Outro músico ficará responsável pelos teclados.

Com a nova formação, o maestro afirma que será possível continuar desenvolvendo um trabalho consistente no universo da música instrumental e erudita. Paulo de Tarso afirma que a orquestra atua três frentes diferentes: a artística, que promove a troca de repertório de tempos em tempos e permite a população o contato com as obras referenciais da música clássica e popular por meio de concertos; e a didática, por meio de apresentações realizadas exclusivamente para estudantes da rede pública, despertando nos jovens o gosto pela música clássica.

A terceira vertente explorada é a social, que promove concertos especiais, que permite o contato da música instrumental com pessoas assistidas por diferentes instituições sociais, como hospitais, instituições e entidades assistenciais. "As frentes fazem com que a orquestra cumpra uma função social muito importante, que é atender a comunidade. Se fizermos só concertos artísticos, não vamos conseguir cobrir estes vários segmentos da sociedade, porque eles geralmente não estão disponíveis para ir até o teatro, igreja ou auditório."

No momento, a orquestra está afinando o repertório para uma apresentação na Catedral do Divino Espírito Santo, em Barretos. O concerto, denominado Ópera, está agendado para o próximo dia 29, às 20h30, e marca a abertura da temporada de concertos de 2018 realizada pela Prefeitura de Barretos, por meio da Secretaria Municipal de Cultura. O evento gratuito também integrará a programação da Festa do Divino, evento tradicional da comunidade da Catedral.

O repertório do concerto inclui árias, duetos e coros de ópera, além de trechos de musicais. A apresentação contará com a participação de cantores experientes, como as sopranos Ariadne Vocci e Miriã Martinez, os tenores Beto Vanela e Norival Silva e o baixo Alex Voltollini, que farão solos em algumas árias de ópera. "No final tem uma surpresa com dois trechos do musical Fantasma da Ópera, cuja escrita aproxima-se de uma ópera, embora tenha características próprias de espetáculo."

O maestro afirma que apresentará um repertório operístico de primeiríssima linha. "Todo esse compêndio operístico consiste em aproximar o repertório de ópera do grande público, que muitas vezes até critica o estilo, justamente por desconhecer o repertório. Porque, em geral, quando as pessoas têm oportunidade de ouvir, elas passam a gostar."

O concerto Ópera, que reúne as obras dos maiores compositores de óperas de todos os tempos, como Verdi, Puccini e Mozart, está previsto para ser apresentado no dia 1º de julho, às 20h, no teatro Paulo Moura. O maestro afirma que está conversando com a equipe da secretaria de educação de Rio Preto, responsável pelo Complexo Swift de Educação e Cultura, onde o teatro está instalado. "Já temos a permissão de executar o concerto, mas a maneira da execução ainda não foi acertado. Temos que definir se o concerto será bancado pela prefeitura e aberto ao público, ou se vamos ter que pagar os custos com a bilheteria."

 

Repertório

Mozart

  • Coro Isis und Osíris (A Flauta Mágica)
  • Giovani Liete (As Bodas de Fígaro)
  • Ária com Coro - Isis und Osíris (A Flauta Mágica)
  • (Solo: Alex Voltolini)
  • Coro Bassa Selim (O Rapto do Serralho)

Verdi

  • Coro Va Pensiero (Nabucco)
  • Coro dos Ferreiros (Il Trovatore)
  • Abertura - La Traviata
  • Dueto e Coro - Brindisi (La Traviata)
  • (Solistas: Miriã Martinez e Norival Silva)

Mascagni

  • Intermezzo (Cavalleria Rusticana)

Puccini

  • Ária Nessun Dorma (Turandot)
  • (Solista: Beto Vanella)
  • Ária O Mio Babbino Caro (Gianni Schicchi)
  • (Solista: Miriã Martinez)
  • Coro a Bocca Chiusa Madama Butterfly)

Leoncavallo

  • Ária Vesti la Giubba ( I Pagliacci)
  • (Solista: Beto Vanella)

Bizet

  • Entreato Carmen
  • Lloyd Weber - The Music of the Night
  • All I Ask of You
  • (Fantasma da Ópera)
  • (Solistas: Ariadne Vocci e Beto Vanella)

Trabalho intenso

Com 21 anos, a Orquestra Sinfônica de Barretos tem como objetivo difundir e fomentar a música erudita em Barretos e região e ao mesmo tempo ser um agente formador de público e de novos músicos. De acordo com o secretário de cultura, João Batista Chicalé, por meio da orquestra são realizados concertos especiais, didáticos e itinerantes. "Nos especiais, a comunidade é convidada a assistir as apresentações, possibilitando assim o cumprimento do nosso compromisso em promover espetáculos de para a população."

Chicalé explica que os concertos itinerantes são levados às instituições e fundações, promovendo assim espetáculos a uma parcela de público que não teria condições de se locomover até os locais de concertos especiais. Já os concertos didáticos são realizados em escolas e instituições.

Para manter a orquestra, Chicalé afirma que é preciso empenho. "Existe um trabalho árduo contínuo desenvolvido em conjunto pela administração municipal por meio da Secretaria de Cultura. Trabalhamos com músicos concursados e que desenvolvem, paralelamente ao trabalho na orquestra, atividades didáticas no centro de artes Bezerra de Menezes - Bezerrinha." Ainda não tem a data da posse dos novos 25 músicos. "Dependemos de determinações da administração municipal."

Maestro mantém instituto musical em Rio Preto

Um dos planos da orquestra para este restante de 2018 é afinar os formatos de repertório. O maestro e pianista rio-pretense Paulo de Tarso afirma que com a contratação dos novos músicos, o grupo vai ter uma velocidade de leitura e de preparação de repertório, como nunca houve antes. "Porque vamos ter a orquestra praticamente completa. Digo praticamente comparado ao padrão da Osesp, que você assiste pela TV Cultura, com a participação de 80 ou 90 músicos. Nós vamos ter entre 50 e 55, que permitirá fazer um belo de um repertório, mas não tudo. O romantismo, por exemplo, precisa ter entre 70 e 75 músicos. Mas vai dar para melhorar muito a questão do equilíbrio, vai completar muito os naipes da orquestra, de modo que vai propiciar grandes partes do repertório de uma orquestra."

O maestro afirma que a Orquestra Sinfônica de Barretos é uma das poucas públicas do país. "Muitas são mantidas por patrocínios e apoios de empresas, ou vive as custas de bilheteria. Por isso, é notável assistir uma orquestra do interior, em uma cidade que o foco é a música sertaneja por causa da festa do peão, que é considerada a maior festa da América Latina. Este é o quarto concurso da história da orquestra, completando músicos de vários naipes, num momento do país que está com um índice de desemprego na ordem de quase 15 milhões e várias orquestras e equipamentos fechando as portas e diminuindo a quantidade de funcionários."

Para o maestro, a orquestra serviria de modelo para Rio Preto. "A cidade é considerada uma das melhores do país para se viver bem e existe uma grande discussão sobre o que uma orquestra pode fazer pelo município. E ela pode trazer uma vertente artística, didática e social. Agora, o que falta é profissionalizar a estrutura local. Quando eu saí do Brasil, em 1996, para estudar regência na Alemanha, eu já tinha um diploma da USP em piano. Depois voltei para trabalhar aqui em 2010. No entanto, tenho que trabalhar em Barretos."

Em Rio Preto, o maestro afirma que é preciso vontade política para fazer do projeto uma realidade, pois é difícil concretizá-lo apenas com o apoio da iniciativa privada, ainda mais nesse momento de crise financeira no país. Para tentar mudar o cenário, ele lançou há mais de um ano o Instituto Musical Maestro Paulo de Tarso, onde é responsável pelo projeto pedagógico e artístico, e conta com a coordenação de Maria Laura Younes Buchala, que atua na administração, produção e financeiro da empresa.

Localizado na rua XV de novembro, o instituto busca desenvolver o talento musical individual proporcionando serviços na área musical. No local, é mantido os estudos do Coral Pequenas Cantoras, que é um coral infanto-juvenil baseado na excelência da execução musical e na formação pedagógico-didática de suas cantoras. O coral foi fundado pelo maestro Paulo de Tarso e pela professora Cida Abissamra, que é responsável pela coordenação pedagógica.

O instituto conta ainda com um quarteto de cordas e uma banda de rock. O grupo The Chambers e Maestria do Samba, atualmente, são professores do instituto. "A gente ensina rock, samba e música clássica. Eu particularmente, ensino piano, leitura de partitura, composição, regência e canto."

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