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08/06/2018 - 17h59min

RIO PRETO

Cardiopatia infantil é tema de caminhada

Doenças do coração mataram 50 bebês de menos de um ano entre 2015 e 2016. No Brasil, menos da metade das crianças terá acesso ao tratamento

Arquivo Pessoal O menino Theo, que fez cirurgia contra comunicação interventricular e cianose, com os pais Sandro e Cristiane
O menino Theo, que fez cirurgia contra comunicação interventricular e cianose, com os pais Sandro e Cristiane

As cardiopatias congênitas são um grupo de doenças crônicas do coração que estão presentes nas crianças desde a infância, às vezes já no útero materno. Entre 2015 e 2016 esses males mataram pelo menos 50 bebês de até um ano na região de Rio Preto, de acordo com o Departamento de Informática do Sus (Datasus).

Para conscientizar a população e o poder público sobre essas doenças cardíacas e a respeito da importância do diagnóstico precoce para garantir o desenvolvimento da criança, o Hospital da Criança e Maternidade promove neste sábado, 9, a I Caminhada da Cardiopatia Congênita de Rio Preto.

"No Brasil, a cada 120 crianças que nascem uma tem problema no coração", afirma Bruna Cury Borim, enfermeira educacional da cardiologia pediátrica do HCM. Comparado com a quantidade de crianças que nascem com Síndrome de Down, por exemplo, este é um número alto: a trissomia do cromossomo 21 aparece em um a cada 700 bebês.

É importante detectar a doença desde antes de o nascimento, entre o sexto e o sétimo mês de gestação. A família deve solicitar o exame do ecocardiograma fetal; caso esse teste não esteja disponível, a melhor opção é o teste do coraçãozinho, garantido por lei desde 2014. "Ele deve ser realizado antes das 48 horas de vida e antes da alta hospitalar do bebê. O teste é simples, rápido, indolor e não tem custo", fala Bruna.

Se possível, no entanto, a melhor opção é diagnosticar durante o pré-natal, pois se o quadro for grave e a criança precisar de cirurgia o ideal é que ela nasça no hospital onde será realizada a operação. "Aumenta a condição de vida dessa criança porque o melhor transporte para esse bebê é a barriga da mãe. Ela corre risco quando nasce em outros serviços e tem que ser transportada até onde vai tratar cirurgicamente", alerta a enfermeira. 

Outro objetivo da caminhada deste sábado, 9, é chamar a atenção do poder público para a falta de tratamento para os pequenos que nascem com cardiopatia congênita - no Brasil, são cerca de 20 mil no ano, porém menos da metade terá acesso ao tratamento cirúrgico. No HCM a equipe composta de mais de 100 profissionais especializados nessas doenças realizou no ano passado 309 cirurgias de tratamento. A meta deste ano são 400 operações. Bruna destaca a proposta de que Rio Preto tenha um hospital do coração voltado para o público infantil. Assim, esse número poderia ser aumentado para mil. 

A reportagem entrou em contato com o Ministério da Saúde questionando sobre quais políticas vêm sendo implementadas para ampliar o atendimento, mas não obteve retorno.

As cardiopatias

A enfermeira Bruna aponta que as cardiopatias podem ser de dois tipos. No primeiro, a doença causa uma congestão pulmonar que provoca cansaço, pneumonias frequentes, respiração rápida, dificuldade de ganho de peso e para mamar. Alguns exemplos desse tipo são a comunicação interventricular e o defeito do septo atrioventricular. 

O segundo tipo são os males que causam cianose (o bebê fica com coloração azulada nos lábios e unhas). Um exemplo é a Tetralogia de Fallot, que pode ser facilmente diagnosticada. O tratamento permite que a criança leve uma vida praticamente normal depois da cirurgia de correção. 

O pequeno Theo Yoshio Sokei Alves, de nove meses, teve o problema no coração diagnosticado uma semana após o nascimento. A pediatra ouviu um sopro e o encaminhou a um cardiologista, que detectou dois problemas - um deles era o sopro (estenose), que a princípio pareceu discreto, e o outro era a comunicação interventricular. O médico recomendou que o menino fizesse acompanhamento.

Aos cinco meses de vida o cardiologista fez testes específicos que mostraram que a estenose era mais grave do que se pensava. Os pais, Sandro Gabriel Alves e Cristiane Sokei, levaram o bebê para o Hospital da Criança e Maternidade, onde ficou constatado que ele precisaria de cirurgia, realizada um mês depois. O procedimento correu bem e agora o menino está saudável. Sem o procedimento, poderia haver um aumento da musculatura do coração. 

Sandro conta que quando o problema foi descoberto ele e a mulher pesquisaram sobre o atendimento pelo país e acabaram descobrindo que o HCM era um grande centro e que muitas crianças, inclusive de São Paulo, vinham para cá. Ele destaca que o tratamento mudou a vida da família, que hoje tem certeza que não vai deixar de Rio Preto. "A gente conheceu muita gente de outros estados, cidades, gente do Tocantins, Piauí. A gente viu a grande dificuldade que o pessoal tem porque não tem médico especializado para fazer o acompanhamento", pondera. 

SERVIÇO

I CAMINHADA DA CARDIOPATIA CONGÊNITA DE RIO PRETO

LOCAL: PRAÇA DO VIVENDAS

AVENIDA BENEDITO RODRIGUES LISBOA

HORÁRIO: 8H ÀS 12H

PARTICIPAÇÃO GRATUITA

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