Diário da Região

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24/06/2018 - 00h30min

NOSSO MAPA

A nova geografia de Rio Preto

Prefeitura investe R$ 4 milhões com novo mapeamento que divide a cidade em 10 regiões socioeconômicas e vai possibilitar integração de secretarias

O novo mapa de Rio Preto, já em fase de aprovação jurídica na Prefeitura, vai acabar com as sete zonas urbanas que dividem a cidade atualmente. Agora serão dez regiões recortadas a partir das características socioeconômicas de cada uma delas. Antes, as divisões por zonas consideravam apenas o aspecto geográfico, o que impedia um planejamento mais eficiente.

O novo mapeamento também vai criar uma rede de informações integradas por meio de um sistema que usa tecnologia norte-americana para compilar dados. As mudanças custaram R$ 4 milhões até aqui e aguardam aprovação da Procuradoria Geral do Município para entrar em vigor por meio de decreto.

A atual Zona Central Comercial, onde está os bairros Maceno, São Manoel, Boa Vista e Alto Rio Preto, ganhará novos bairros no extremo norte, como o Parque Industrial e passará a ser chamada de Região Central da cidade. Ao sul, bairros das zonas oeste e sul que abrangem uma população com mais poder aquisitivo, como o Maracanã e Vivendas, passarão a pertencer à chamada Região do HB. Nesta área ficará também a Vila São João, Região do Shopping Iguatemi e o último bairro do extremo sul da cidade, a Estância Santa Apoloni.

A região da cidade que será mais recortada pelo novo mapeamento é a atual Zona Norte de Rio Preto. Pela divisão de hoje, as imediações do Vetorasso e do Eldorado vão compor a chamada Região Cidade da Criança, em referência ao parque. Já o Solo Sagrado ficará na chamada região Pinheirinho. O bairro Santo Antônio ficará na região chamada de CEU, em referência ao CEU das Artes do Parque Nova Esperança. Também na atual Zona Norte, as imediações da Vila Elmaz irá para a nova região Bosque.

O extremo norte da zona norte, onde está a Estância Verão, será a Região de Talhado. Essa divisão passa ainda pelos parques residenciais Lealdade e Amizade e termina no Recanto São Lucas. A partir de lá, o que hoje é Zona Sul e Zona Leste vão se transformar nas regiões da Represa, Vila Toninho e região Schmitt. Um novo recorte geográfico da cidade que vai unir os bairros pelo perfil e necessidade econômica e social de cada uma das novas regiões.

"Um mapeamento real da cidade. Um novo paradigma para o planejamento do município", afirmou o secretário de Planejamento, Israel Cestari. Nova configuração que criará também um diálogo entre as secretarias do município.

O novo mapa vai permitir a atualização do sistema Esri, software de origem norte-americana que vai integrar números de atendimentos da Saúde, Educação, Assistência Social, Trânsito, Semae e outras autarquias. "Se você tiver um surto de diarreia em uma área da cidade, com o sistema integrado será possível conter o problema até com o Semae indo na região para fazer uma limpeza da caixa d'água do bairro, por exemplo", explicou Cestari.

"Hoje não existe essa comunicação, a Prefeitura não conversa, não compartilha", destacou. O compartilhamento de dados também dará mais subsídios para novas políticas públicas que atenda o crescimento da cidade, que hoje tem uma população estimada de 450.657 habitantes. "É um avanço. Apesar de Rio Preto ser uma cidade planejada, mesmo assim precisa muito desse debate, desse processo de aperfeiçoamento", afirmou o economista e doutor em ciências da saúde, Orlando Bolçone.

Para Bolçone, o fato das novas regiões reunir os mesmos indicadores socioeconômicos facilita a identificação e o atendimento da necessidade de cada área. "A região norte, por exemplo, tem uma população e uma demografia com características diferentes do Centro, onde predomina uma população da terceira idade e onde também já existe uma rede de serviços de saúde suprida, ao passo que a região norte espera a chegada desses serviços."

Crescimento

A região Norte está entre os setores que mais cresceram nos últimos anos. Se compararmos as Conjunturas Econômicas de 1990 e 2017, enquanto o setor que vai do Higienópolis ao Parque da Represa dobrou de tamanho, o setor onde está a maioria dos bairros da região norte cresceu 161%. Dos 30.588 metros quadrados da década de 90, a região conta hoje com área de 80.050. "Não é muito difícil compreender esse processo porque a gente percebe que a Região Norte tem uma renda mais baixa formada pelas classes C, D e E que cresceu nos últimos anos muito mais do que a classe média e alta", afirmou o economista e doutor em sociologia pela Unesp, Ary Ramos da Silva Júnior.

Esse crescimento que demanda serviços públicos e investimentos. "Você tem também a Prefeitura percebendo isso e fazendo essa subdivisão para atender essa população que está exigindo serviços públicos, como saúde e educação. Isso (novo mapeamento) abre canais muito mais sólidos com essa comunidade que vem demandando mais. Ainda mais nesse momento de crise, com pessoas que buscam mais por serviços oferecidos pelo poder público", complementou o sociólogo.

O crescimento direcionado para o norte da cidade deve continuar nas próximas décadas, segundo o especialista. "A Região Norte tem um poder de absorção e crescimento econômico grande para os próximos anos. As indústrias por exemplo está de olho nesse potencial", afirmou Ary. Expansão que, segundo os especialistas, necessita ser planejada para não acabar em favelização e segregação social que surgiu na cidade de 2016 para cá com as favelas da Vila Itália e Brejo Alegre.

A evolução dos mapas da cidade

 

 

Cada região terá sua cor

Reprodução Mapa atual dividido por sete zonas
Mapa atual dividido por sete zonas

Para divulgar e orientar a população sobre as novas divisões, um projeto de comunicação visual está sendo estudado para ser implementado na cidade.

A ideia é padronizar os prédios públicos, as placas de rua, os ônibus do transporte público e até as viaturas da Guarda Municipal na mesma cor da região. O mapa atual (acima) também já era divido por cores, no entanto as cores indicativas só estão em algumas placas com nomes de ruas.

"Imagina você pegando o ônibus na Andaló da região do seu destino. Pela cor do veículo você saberá que é o que você tem que embarcar", disse o servidor da secretaria de Planejamento, Paulo Benzatti.

O projeto que será desenvolvido ao custo inicial de R$ 8 mil e deve ser implementado junto com um trabalho de divulgação das novas regiões. "Vamos fazer um trabalho de abordagem e publicidade para que as pessoas sejam orientadas, conheçam e se identifiquem com as novas divisões", complementou a assistente técnica, Benedita Iolanda. Esse trabalho fará parte de uma segunda etapa do novo mapeamento, que também estará em pauta nas audiências do novo plano diretor.

No extremo sul a internet é via rádio

Natal Pereira da Silva na entrada do condomínio Santa Apolônia
Natal Pereira da Silva na entrada do condomínio Santa Apolônia

Como último bairro de Rio Preto, no extremo sul da cidade, pela rosa dos ventos do atual mapa geral do município, fica a Estância Santa Apoloni.

O conjunto de chácaras, parte da área urbana da cidade, está depois do Córrego da Porteira e da Vila Azul. Para chegar lá, basta pegar a avenida Potirendaba e depois seguir pela vicinal.

É nesse ponto que vivem cerca de 50 famílias como a do pintor Natal Pereira da Silva, 59 anos.

"Tenho a chácara aqui há seis anos. Eu considero que estou dentro da cidade, quando preciso de alguma coisa é pertinho", disse.

Com uma roupa leve, crocs nos pés e regando as plantas do jardim da entrada da estância, Natal contou também como é a prestação dos serviços públicos no extremo sul.

"O IPTU já está quase liberado para começar a pagar, mas aqui a internet é só via rádio. Nós ainda não temos esgoto e para pegar o ônibus temos que andar uns trezentos metros. Além disso, estamos batalhando para ter asfalto aqui na rua", afirmou.

Correios e lixo

Já os serviços de Correios e coleta de lixo estão regulares. "Conseguimos uma caçamba para ir depositando. Na segunda e sexta-feira eles passam para pegar."

Com uma distância de oito quilômetros do início da avenida Potirendaba, a estância ainda conta com a paz de um lugar afastado.

"Graças a Deus podemos dizer que a violência ainda não chegou por aqui. Mas também temos câmera para vigiar as chácaras. É sempre bom tomar esses cuidados", finalizou.

A vida no extremo norte da cidade

Barzinho na estância Verão, último bairro ao norte de Rio Preto
Barzinho na estância Verão, último bairro ao norte de Rio Preto

No extremo norte de Rio Preto está a Estância Verão, em frente ao Centro de Detenção Provisória, na altura do quilômetro 47,5, da BR-153. Por lá, cerca de 100 famílias também tocam suas vidas longe da movimentação urbana.

Nessa região é notável o menor poder aquisitivo da maioria dos moradores em comparação ao extremo sul. Dono de um bar na estância, em uma das ruas de chão batido do bairro, o comerciante Oziel Alves de Oliveira, 38 anos, fala sobre a vida no último bairro da região norte de Rio Preto.]

Serviços

"Internet e celular aqui é ruim para pegar por conta do CDP. Energia também vai só até uma certa altura, mas tem os Correios, a coleta de lixo, o transporte escolar e segurança", afirmou o comerciante. Isso porque o monitoramento do presídio e da BR inibem a ação de criminosos na área.

"Antes do CDP era pior (segurança). Agora melhorou bastante, a polícia passa por aqui e é tudo tranquilo", acrescentou o revendedor de doces, José Valdo, 62 anos. Valdo e a esposa vivem na estância há 24 anos. "Eu e minha mulher não muda não", disse ele.

 

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