Diário da Região

03/06/2018 - 00h30min

EMBOSCADA MORTAL

Geólogo de Urupês busca desaparecidos da era Geisel

Chacina do Parque é um dos capítulos sangrentos da Ditadura Militar

Ronildo Pimentel- free lancer/Foto: Divulgação Geofísico Jorge Luís Porsani durante trabalho da expedição que tenta localizar restos mortais de desaparecidos políticos
 na área do Parque Nacional do Iguaçu
Geofísico Jorge Luís Porsani durante trabalho da expedição que tenta localizar restos mortais de desaparecidos políticos na área do Parque Nacional do Iguaçu

A beleza da selva subtropical que rodeia as Cataratas do Iguaçu, abrigo para 2 mil espécies de plantas e 400 de aves, guarda um dos capítulos sangrentos da época da Ditadura Militar no Brasil. A Chacina do Parque, como ficou conhecida, em 1974, terminou com a execução de cinco militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

O local exato da emboscada fatal ainda é desconhecido e integrantes da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (Cemdp), entre eles um pesquisador da região, trabalham para determinar as coordenadas do ponto onde estariam enterrados os vestígios dos quatro brasileiros e um argentino, mortos pelo Exército no governo do então presidente Ernesto Geisel.

A equipe de buscas, perícia e escavações dos locais indicados pelas fontes, composta por membros do Ministério Público Federal de Foz do Iguaçu, um delegado da Polícia Federal, geólogos e geofísicos, peritos criminais, antropólogos forenses, fotógrafos e membros da Comissão especial de Mortos e Desaparecidos da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República embarcou para Foz do Iguaçu (PR) no dia 21 de maio e permaneceu por dois dias realizando pesquisas no Parque Nacional do Iguaçu.

Nascido em Urupês, o geólogo e professor do Departamento de Geofísica do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG)/USP Jorge Luís Porsani integra o grupo de geólogos e geofísicos responsável por fazer as prospecções e tomada de indícios do solo, com a utilização de equipamento de radar de solo.

Graduado em Geologia pela UFBA, mestrado em Geofísica pela UFPA (1991) e pós-doutorado em Geofísica pela Western Michigan University, Estados Unidos, Porsani empresta à comitiva sua experiência de professor da USP e também experiências anteriores como consultor em projetos, por exemplo, para a Petrobras, Aneel, Metrô/Consórcio Via Amarela e Petrogal, nas áreas de Geociências, com ênfase em Geofísica Aplicada a estudos geológicos, geotécnicos, ambientais, hidrogeológicos, exploração mineral, planejamento urbano e arqueologia.

Uma das funções do urupeense na expedição ao Parque Nacional do Iguaçu é analisar as informações coletadas, determinar os locais com anomalias apontadas pelo radar de solo e demarcar os possíveis locais a serem escavados em busca de restos mortais das vítimas da emboscada.

O trabalho foi realizado com auxílio de detectores de metal, que podem ajudar a identificar cartuchos de balas usadas na execução das vítimas e com isso localizar onde foram enterradas.

A escolha dos pontos pesquisados foi em razão dos testemunhos mencionados nos relatórios da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e da consultoria do ex-militante Ivan Seixas ao CEMDP, além de livros de historiadores da época, como Aluizio Palmar, de que os militantes foram levados até "uma clareira próxima ao km 6 da antiga Estrada do Colono" (estrada que cortava toda aquela área e que foi fechada por determinação do governo federal quando foi criado o Parque Nacional do Iguaçu) - do lado direito no sentido norte-sul do caminho.

Ação de extermínio

Segundo a Comissão Especial dos Mortos e Desaparecidos Políticos, os detalhes sobre a Chacina do Parque tornaram-se possíveis após o documento da CIA (serviço norte-americano de inteligência), comprovando o envolvimento do presidente Ernesto Geisel com os assassinatos, vir a público.

Para a comissão, não resta dúvida da orquestração das mortes dos militantes políticos pelo governo. Tanto assim que a presidente da Comissão, procuradora Eugênia Gonzaga, oficiou o general Luna e Silva, atual Ministro da Defesa, solicitando a reconstituição dos autos contendo o relatório da época da emboscada.

Operação Jurity

Conforme apurou a Comissão Nacional da Verdade (CNV), as mortes foram tramadas dentro de uma operação oficial do Exército que recebeu o codinome de Operação Jurity. Foi parte de um plano engendrado pelo governo da época, cujo objetivo era a eliminação das organizações que optaram pela luta armada no Brasil. Para isso, a partir de 1974, a ditadura mandou para o exterior seus agentes infiltrados ou recrutados dentro da própria esquerda.

Esses agentes tinham a missão de procurar por militantes ainda propensos a continuar a luta, e os convidavam a regressar ao País. Depois, armavam emboscadas para eliminá-los.

No caso da Operação Jurity, o apoio operacional integrado das forças de repressão de países do Cone Sul, conhecido como Operação Condor, notadamente da Argentina, Chile e Uruguai foi preponderante. Por envolver cinco brasileiros e um argentino, abrigados em solo argentino, as forças coordenadas colaboravam para facilitar a passagem do grupo de militantes pela fronteira sem serem barrados. Era uma viagem só de ida, ao encontro da morte.

 

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