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28/06/2018 - 23h44min

JOGO LIMPO NO AR

Seleção em campo deixa o ar mais limpo e reduz queimadas

Dados da Cetesb mostram que a qualidade do ar em Rio Preto melhora muito nos horários de jogos da Seleção na Copa

Mara Sousa Dados da Cetesb revelam queda brusca de poluição atmosférica e até da ocorrência de queimadas em Rio Preto na quarta-feira à tarde, quando a cidade parou para ver o Brasil jogar contra a Sérvia
Dados da Cetesb revelam queda brusca de poluição atmosférica e até da ocorrência de queimadas em Rio Preto na quarta-feira à tarde, quando a cidade parou para ver o Brasil jogar contra a Sérvia

Quando a Seleção Brasileira entra em campo pela Copa do Mundo, na Rússia, a qualidade do ar na região de Rio Preto melhora consideravelmente. Minutos antes do apito inicial do jogo do Brasil contra a Sérvia nesta quarta-feira, 27, às 15h, a concentração média de partículas de poluição fina, o chamado MP 2,5 (associado principalmente à queima de combustível pelos veículos no trânsito), ficou em 10 microgramas por metro cúbico, muito melhor que o registrado na manhã daquele dia, quando o índice chegou a 55.

Vale lembrar que o índice máximo preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 10 microgramas por metro cúbico. Essa partícula é considerada altamente prejudicial à saúde por atravessar as barreiras do sistema respiratório e atingir o sistema circulatório.

De acordo com José Mario Ferreira de Andrade, engenheiro sanitarista da Cetesb em Rio Preto, a diminuição do tráfego cerca de 40 minutos antes da partida é benéfica para o ambiente. Essa redução provoca uma menor emissão de material particulado. "As estações da Cetesb localizadas aqui, em Ribeirão Preto e na marginal Tietê (Capital) detectaram uma redução significativa das concentrações médias horárias de Material Particulado MP 2,5. Depois, logo após o encerramento da partida, observa-se que as concentrações médias horárias desses poluentes aumentam, pois aumenta o trânsito de automóveis."

A estação de monitoramento da qualidade do ar da Cetesb indicou que após o jogo que classificou o Brasil para as oitavas de final da Copa, o índice voltou a subir: 22 microgramas por metro cúbico.

O preocupante é que esse poluente pode alcançar os pulmões, a corrente sanguínea e causar doenças rinite, asma, bronquite, câncer como o de pulmão e bexiga, além de infarto, derrame e AVC (Acidente Vascular Cerebral). "A longo prazo a poluição atmosférica pode estar associado a várias doenças, como as pulmonares, cardiovasculares e incidência de câncer.

A curto prazo, nos dias mais poluídos, ocorrem sintomas respiratórios, como tosse, irritação nasal, coriza, pode exacerbar doenças pré existentes. "O indivíduo que já sofre de rinite alérgica, no dia que está mais poluído tem o quadro agravado devido ao volume maior de partículas suspensas no ar", afirmou o pneumologista Rafael Musolino.

O pneumologista menciona atitudes que podem amenizar os efeitos da poluição:. "Evitar circular nos horários de maior trânsito, na medida do possível. Uma pessoa que ficar presa no congestionamento por uma hora, entre 18h e 19h, vai respirar mais poluição do que nos horários que tiver menos fluxo", alerta.

Pessoas que costumam fazer atividade física próximo de avenidas também devem ficar atentas. "Isso deveria ser evitado nos horários de trânsito mais intenso, porque a atividade física causa uma ventilação pulmonar maior e faz com que a pessoa inale mais partículas."

 

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Reprodução)

Frota pesada

Causa principalmente pela queima de combustível, esse tipo de poluição formada por partículas finas inaláveis (MP 10), é consequência principalmente da alta concentração de poluentes emitidos pela frota de veículos de Rio Preto, reforçada pelo tráfego que circula pelas estradas que cortam a cidade. "Rio Preto tem uma quantidade de material particulado, tanto MP 2,5 quanto mp10, superior ao da cidade de São Paulo. Temos aqui duas fontes principais emissoras: a frota automotiva e as queimadas", diz a professora Denise Cerqueira Rossa Feres, do Departamento de Zoologia e Botânica do Ibilce/ Unesp.

Com uma população estimada em 450,6 mil habitantes, Rio Preto possui uma frota de 378.952 veículos, que só em 2017 geraram 4,2 mil toneladas de monóxido de carbono para o meio ambiente devido à queima de combustíveis.

A professora Denise chama a atenção para o fato que outro vilão a ser combatido são as queimadas. "Tem muita gente jogando bituca de cigarro nas beiras de rodovia. Os Bombeiros apresentaram índice que apontam que 80% das queimadas são causadas por esse tipo de ação. O fogo se espalha e vai longe, atingindo grandes dimensões."

Só a mudança de cultura da população pode contribuir para reverter esse quadro, dizem os especialistas. Quem presenciar alguém ateando fogo, pode ligar 153 para a Guarda Municipal. Se o incêndio já estiver ocorrendo, o recomendável é ligar para o Corpo de Bombeiros, no 193".

Greve ajudou

A paralisação dos caminhoneiros também deixou o ar de Rio Preto menos poluído. No período, houve uma redução de metade da emissão de material particulado fino (MP2,5). A poluição causada por essas partículas finas caiu de 24 para 12 microgramas no período analisado. Entre os dias 21 e 27 de maio, segundo dados da Triângulo do Sol, concessionária da Washington Luís (SP-310), houve uma diminuição de 27% no movimento de veículos leves, como carros e motos, e uma redução de 53% no movimento de veículos de carga, como os caminhões movidos a diesel. A comparação foi feita em relação ao período de 14 a 20 do mesmo mês. Menos consumo de gasolina, etanol e diesel que, de acordo com o engenheiro e sanitarista da Cetesb, José Mario Ferreira, significa também menos emissão de nitrato, sulfato e, principalmente, carbono mineral, conhecido como fuligem.

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