Diário da Região

06/06/2018 - 22h26min

Meio Ambiente

O valor invisível do lixo reciclável

Por ano, cada pessoa produz em média 495 quilos de lixo em Rio Preto - 1,3 quilo por dia. Do total, 149 quilos são resíduos sólidos e poderiam ser reciclados. Se fossem vendidos, renderiam cerca de R$ 75

Guilherme Baffi 6/6/2018 Victor Natureza, fotógrafo, guarda pilhas usadas para depositar em locais apropriados
Victor Natureza, fotógrafo, guarda pilhas usadas para depositar em locais apropriados

Com certeza você já ouviu dizer que o lixo vale dinheiro, mas já parou para pensar, ou melhor, calcular, o quanto você poderia ganhar com isso? Destinar o lixo de forma correta pode ajudar o planeta - já que na natureza os objetos levam anos e anos no processo de decomposição - e ainda render algum dinheiro.

O rio-pretense produz em média 1,3 quilo de lixo por dia. A estimativa é da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), que publicou o estudo Panorama dos Resíduos Sólidos, com base em 2016 e divulgado no final do ano passado.

De acordo com a pesquisa, em um ano cada pessoa produz 495 quilos de lixo. Estima-se que 30% de todo o lixo (nesse caso 149 quilos) são resíduos sólidos, ou seja, que poderiam ser reciclados e convertidos em retorno financeiro. São latinhas, garrafas pet, papéis, papelão, vidros, entre outros objetos.

No mercado, o quilo do lixo reciclável varia de R$ 0,12, no caso do papel, até R$ 3,20, no caso das latinhas. Fazendo uma conta simples, caso nosso lixo fosse vendido a uma média de R$ 0,50 o quilo, no fim do ano isso geraria uma receita de R$ 75 por pessoa.

Todo esse dinheiro é desperdiçado e boa parte acaba caindo direto no principal reservatório de abastecimento de água de Rio Preto. Para se ter uma ideia, no ano passado, o Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae), retirou das águas da Represa Municipal mil toneladas de lixo.

Bom exemplo por aqui

Viver com menos e reciclar. Essa é a filosofia do fotógrafo Victor Natureza, 32 anos, para não maltratar o meio ambiente. Na casa dele, tudo que pode, é reciclado. Embalagens de produtos industrializados, sacos plásticos, alumínio. Tudo tem descarte certo. "Aqui em casa, nós sempre tivemos o hábito de separar o lixo orgânico do sólido. Além disso, evitamos o desperdício e guardamos tudo que pode ser reciclado", explica. As pilhas que utiliza nas câmeras fotográficas, por exemplo, são guardadas e depois levadas para cooperativas de coleta seletiva de lixo.

Na casa de Victor, a reciclagem é coisa de família. "Minha mãe é professora e começou a se interessar pelo assunto quando trabalhou o tema sustentabilidade com os alunos. Depois foi a vez do meu irmão, que se formou em engenharia ambiental. Eu cursei ciências sociais e meu trabalho de conclusão de curso foi sobre Sociologia Ambiental", explica.

Para Victor, a solução para melhorar o descarte de lixo não é difícil. Mas não bastam apenas de iniciativas governamentais. "Acho que para diminuir o descarte de lixo o caminho é a educação. Rio Preto tem os Pontos de Apoio, mesmo assim vemos as pessoas descantando todo tipo de lixo nos terrenos," finaliza.

Bom exemplo no mundo

A destinação correta do lixo é um desafio no mundo todo. Mas algumas partes do mundo dão exemplos de como ações de incentivo e mudanças culturais são capazes de deixar o plano mais sustentável.

Na Califórnia, nos Estados Unidos, 90% das casas destinam resíduos sólidos de forma correta. Iniciado em 2012, o programa de reciclagem estimulou os moradores a guardarem o seu lixo. Produtos com embalagem reciclável têm taxa de 5 a 15 centavos de dólar. Após o uso, o consumidor entrega a embalagem e recebe valor equivalente ao imposto. E os californianos são otimistas. A meta é reciclar 75% de todos os resídios até 2020.

 

Recolhidas 17 toneladas

Nos primeiros seis meses de 2018, a Prefeitura de Rio Preto já recolheu 16,9 toneladas de lixo e entulho das ruas da cidade. De janeiro até abril, o trabalho foi feito por uma empresa contratada em regime emergencial. Só em maio que o serviço de faxina foi contratado por meio de licitação.

Nesta quarta-feira, 6, foram retirados 5 mil quilos de lixo que foram descartados de forma irregular próximo à avenida Philadelpho Gouveia Neto. Dois caminhões foram necessários para limpar o local.

Em outra ação, a Secretaria de Serviços Gerais notificou a CPFL a fazer a limpeza do lixo no linhão, localizado no bairro Solo Sagrado. De acordo com a notificação, a empresa deverá fazer a limpeza em até 15 dias. Após esse período, corre o risco de pagar multa de R$ 5,5 mil. A assessoria de imprensa da CPFL informou por meio de nota que até a noite desta quarta-feira, 6, não recebeu nenhuma notificação. (FN)

O valor do lixo

Pixabay/Divulgação

Números do lixo

  • Rio-pretense produz 1,3 kg de lixo por dia
  • Em um ano, são 495 kg de lixo produzidos
  • Estima-se que 30% desse lixo (149 kg) são recicláveis
  • Se o lixo fosse vendido a R$ 0,50, isso renderia uma renda de R$ 75 no ano

Reciclagem

Papel 

  • Branco - Preço por quilo: R$ 0,31
  • Papelão - Preço por quilo: R$ 0,15
  • Decomposição: 3 a 6 meses

Plástico

  • Garrafa Pet - Preço por quilo: R$ 1,20
  • Decomposição: 100 anos

Alumínio

  • Latas - Preço por quilo: R$ 3,20
  • Decomposição: 200 anos

Vidro

  • Temperado, reflexivo ou laminado - Preço por quilo: R$ 0,12
  • Decomposição: Indeterminado

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