Diário da Região

03/06/2018 - 00h00min

Saúde emocional

Veja os benefícios de uma simples conversa

Vale a pena recuperar essa arte para que possamos voltar a nos sentir mais humanos

Freepik/Divulgação Conversas
Conversas

Se você viveu em uma época quando não havia redes sociais e troca de mensagens instantâneas pelo celular, certamente vai se lembrar com saudade que passava horas sentado com amigos e ou com a própria família em longas e proveitosas conversas. Os tempos mudaram, os contatos acontecem hoje de forma breve e superficial com um número cada vez maior de pessoas, mas cada vez elas se sentem mais sozinhas.

A verdade é que essas mesmas conversas raramente são saudáveis. Os motivos para isso são variados: algumas vezes porque os egos das pessoas estão no caminho e fazem questão de se fazer notar e sempre o "eu sou", "eu fiz", "eu comprei" está sempre em primeiro lugar e em outras as emoções muitas vezes reprimidas saltam sem qualquer tipo de filtro nas palavras.

Se você quer voltar a se sentir mais humano, está na hora de recuperar esta velha arte de conversar cara a cara para melhorar as relações com os outros, compreender e ser compreendido, resgatar a verdadeira atenção. Isso não exige nenhum outro investimento além do seu o próprio tempo.

Dificuldade de ouvir

A professora de linguística da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos Deborah Tannen diz que uma conversa bem realizada é uma visão de sensatez, confirmação do nosso próprio modo de ser humano e do nosso próprio lugar no mundo". No entanto, essa atividade tão humana pode se virar contra nós quando não é realizada de forma saudável ou com as pessoas certas. "Não há nada mais profundamente inquietante que uma conversa que não funciona (...) Se isso acontece com frequência, também pode desequilibrar nossa sensação de bem-estar psicológico".

"O maior obstáculo para uma boa conversa é a incapacidade do ser humano de ouvir o outro com inteligência, habilidade e compreensão", disse o psicólogo norte-americano Carl Rogers (1902-1987). Alberto Caeiro, um dos heterônimos do poeta português Fernando Pessoa (1888-1935), foi além e escreveu: "Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma."

Empatia é a chave

Freepik/Divulgação Portrait of two beautiful young woman staying on sofa at home.
Portrait of two beautiful young woman staying on sofa at home.

A conversa é o primeiro passo para que possa surgir a empatia entre duas pessoas. "Embora a conversa seja sobre algum assunto pouco importante, nesse primeiro contato na verdade estamos falando muito, porque começamos a criar um vínculo que já transmite proximidade ou distância, confiança ou reservas para o outro", diz a pesquisadora Deborah Tannen. No final, a essência do bom diálogo é a nossa capacidade de nos entregarmos ao intercâmbio com o outro.

"É por isso que depois de uma conversa profunda nos sentimos transformados. Terminamos alimentados por novas ideias e submetemos nossa visão a uma abordagem diferente que expande nossa compreensão sobre o mundo e sobre nós mesmos", complementa.

Em seu livro "Conversação" (Ed. Record), o pensador inglês Theodore Zeldin afirma que "dois indivíduos, conversando honestamente, podem se sentir inspirados pelo sentimento de que estão unidos em um empreendimento comum com o objetivo de inventar uma arte de viver juntos que não foi tentada antes".

Falta de controle sobre conversa assusta

A psicóloga norte-americana Sherry Turkle quis saber o motivo de cada vez mais as pessoas se comunicarem por dispositivos móveis.

"Será que a arte de conversar está em crise?" A pergunta inspirou a pesquisa que se tornou o livro" Reclaiming Conversation (Retomada da conversa: o poder da fala na era digital). Ela não acredita que a tecnologia seja o problema, mas, sim, como as pessoas a utilizam. "Por que passamos tanto tempo enviando mensagens e, mesmo assim, nos sentimos tão desconectados dos demais?", questiona. A resposta está tanto na falta de conversas cara a cara como na quantidade de vezes que as abandonamos para olhar o telefone. "Nos esquecemos de que uma há geração que cresceu sem saber o que é uma conversa sem interrupções" diz.

Em seu livro anterior, fez seu primeiro diagnóstico: os jovens estão frustrados pela falta de controle sobre as conversas que mantêm. Não sabem se seus interlocutores vão escutá-los ou para onde a conversa pode ir. Sentem-se incapazes de antecipar sua resposta. Ela defende que a sociedade deve aproveitar esse sentimento de engano para voltar à palavra falada que define como uma "cura" das interações sociais. Um dos riscos é que podemos perder uma qualidade essencial nas relações humanas: a empatia."Nós nos escondemos uns dos outros porque é mais fácil compor e editar uma mensagem digital do que a conversa espontânea na qual podemos estar presentes e ser vulneráveis", afirma.

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