Diário da Região

11/05/2018 - 19h18min

SEM PAPINHA

Método BLW incentiva crianças a comerem alimentos em pedaços sozinhas

BLW, método de introdução alimentar, faz com que o bebê coma sozinho com as mãos e estimula a autonomia no controle da fome

Johnny Torres 10/5/2018 A irmãs Paula e Anita são adeptas do método e fazem as refeições junto com a família
A irmãs Paula e Anita são adeptas do método e fazem as refeições junto com a família

Certamente você já viu o filho de um amigo ou parente, com menos de um aninho de idade, comendo sozinho. Os pais colocam os legumes cortados ao alcance, no cadeirão de alimentação, e o pequeno, por puro instinto, escolhe quando, como e quais os pedaços levam à boca. Cenouras cozidas e cortadas em forma de palitos, brócolis, também cozidos, e macarrão penne ou parafuso costumam ser os alimentos mais pedidos.

A criança que come sozinha é adepta do método BLW (Baby Led Weaning), que é um jeito de introduzir sólidos na alimentação infantil, a partir dos seis meses. O bebê pega os alimentos com as mãos e come no seu próprio tempo os pequenos pedaços de alimentos. Por outro lado, ele não consome papinhas amassadas e mingaus. Umas das vantagens é o incentivo a autonomia no controle da fome (comer por necessidade e não por vontade) e da saciedade (comer o necessário para saciar a fome).

A nutricionista Fernanda Caprio afirma que o método faz com que o bebê conheça os alimentos por suas diferentes características sensorias (formas, cores, cheiros, texturas e sabores), criando um repertório alimentar variado. "Habilidades orais do bebê como morder, mastigar e engolir evolui em uma ordem fisiológica e natural, durante um período em que está fisiologicamente preparado para prevenir os engasgos."

O risco de engasgo é um dos principais temor dos pais. Uma pesquisa feita por australianos e neozelandeses analisou mães e bebês que utilizaram o método tradicional e o BLW. O estudo constatou que não é mais, nem menos seguro que o método tradicional de alimentação, com papinhas batidas e amassadas.

Para reduzir as chances de engasgo, Fernanda sugere que os pais cortem os alimentos de formatos circulares no sentido do comprimento, como, por exemplo, o corte tradicional da batata frita. "O ideal é fugir do formato que pode entupir a via aérea. Amacie os vegetais e frutas duras, cozinhando os na água, forno ou vapor, a fim de que se tornem fáceis de mastigar por amassamento com as gengivas."

A consistência ideal para BLW é a de salada de legumes: nem muito duro, nem muito mole, pois esfarela na mão do bebê que não tem controle da força. "Quando o bebê ainda não tem dentes, você pode oferecer as frutas com parte da casca para facilitar a preensão palmar, já que a maioria escorrega. Mas é prudente retirar as cascas das frutas quando o bebê já tem dentes e é capaz de 'rasgar' a casca com a força da mordida."

Os alimentos devem cortados em tamanhos maiores que o punho do bebê, alerta Fernanda Caprio. Outra dica é que a comida seja firme o suficiente para não ser esmagado entre os dedos da criança, mas moles o suficientes para serem esmagados com a força das gengivas. "A consistência é de legume para salada", explica. O ideal também é que se ofereça aquilo que a família esteja comendo.

Aprovado

O método, criado pela britânica Gill Rapley, tem conquistado cada vez mais pessoas no Brasil e também em Rio Preto. A bancária Giovana Iliada Giacomini é uma delas. A mãe ficou atenta aos sinais de prontidão da filha, já que Anita, de 1 ano, é prematura, e introduziu o método quando ela tinha 7 meses, sentava sem apoio e conseguia segurar os alimentos picados, em diferentes formas e tamanhos, com as mãos e levar o que quiser à boca. A filha Paula, de 3 anos, também sempre usou o método.

Segundo Giovana, os benefícios do método compensam qualquer bagunça ou sujeira. "Optei pelo método para dar mais autonomia à elas e aprenderem sobre a texturas dos alimentos e a própria saciedade, além de comerem apenas o que desejam, sem imposição." A mãe afirma que as duas gostam de frutas. "Anita está mais encantada com o método e come melhor. Já Paula está numa fase mais seletiva e recusa alguns grupos de alimentos." Sobre os possíveis riscos de engasgos, ela afirma que é importante confiar no instinto do filho. "Supervisione, mas confie. Elas, por exemplo, nunca engasgaram e só tiveram gag reflex. E foi tranquilo." O gag é um reflexo natural da criança. Ela tem uma ânsia quando a comida atinge a base da lingua e volta o alimento para a boca ou joga para fora.

 

Embutidos e doces são inimigos

O método de introdução alimentar estimula a independência. A nutricionista Renata Martinez afirma que outra vantagem é que o bebê vai conhecer o real sabor do alimento na sua forma mais natural possível. "Vai descobrir através dos sentidos cada alimento. Com o tato vai sentir a textura, com o paladar o sabor, com o olfato o cheiro e com a visão a cor. Ele vai trabalhar a mastigação e isso ajudará na fala futura."

O BLW, segundo Renata, também trabalha a saciedade da criança. "É ela que vai dizer se já esta saciada ou não." A desvantagem do método, é o tempo, pois a criança explora o alimento antes de ingeri-lo. Outro ponto é que as crianças costumam fazer sujeira e os pais terão mais trabalho para limpar o cadeirão e o ambiente onde a criança fez a refeição, e talvez dar banho nela.

Renata Martinez vai ministrar , em parceria com Milca Cescon, do Delícia Inclusiva, no próximo sábado, 19, às 8h30, na clínica Kaiser, o curso de introdução alimentar Ensinando os bebês a comer. A especialista recomendas que os pais montem um prato com todos os grupos, que inclui proteínas (carnes e ovos), cereal (arroz e quinoa), leguminosas (feijões, lentilha, ervilha e grão de bico), tubérculos (batatas, inhame e mandioca), verduras (brócolis, couve flor e aspargos) e legumes (abobrinha, cenoura e chuchu).

Salsicha, linguiça, embutidos, doces, assim como as sopas batidas e ultraprocessadas não devem ser oferecidos ao bebê até o segundo ano. "Até completar um ano, o sistema digestório da criança está amadurecendo, os rins não está pronto para processar o excesso de sódio desses alimentos que ficam sobrecarregados. O organismo ainda não produz enzimas necessárias para degradação de algumas proteínas fazendo com que casos de alergias apareçam. E o açúcar precocemente ofertado também faz com que o pâncreas trabalhe mais para liberar insulina."

Têm bebês, por exemplo, que não aceitam o BLW. Neste caso, é melhor seguir o método tradicional. A nutricionista alerta que, independente da escolha, é o bebê quem comanda a sua saciedade. "Respeite quando ele não aceitar mais os alimentos. A capacidade gástrica de um bebe é de 20% o seu peso."

Thaís Pillotto Duarte, nutricionista funcional e esportiva, afirma que independente de comer papinha ou BLW é importante que os pais jamais o obrigue a criança comer com prêmios, promessas ou distrações, como TV, além de castigos e ameaças. Se ela não gostou de um determinado alimento, inicialmente, não é preciso ficar preocupado. "Não significa que ela não gostou, mas sim estranhou. Ela não aceitou porque não conhece. É preciso repetir na outra semana."

O que dar

  • Manga, banana, abacate, pêssego e ameixa
  • Brócolis, cenoura, abobrinha, couve-flor, abóbora
  • Carne, frango ou peixe
  • Omelete ou ovo bem cozido
  • Batata, batata doce, macarrão em formato penne ou parafuso arroz empapado

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