Diário da Região

13/05/2018 - 00h00min

ANSIEDADE

Cresce o número de crianças e adolescentes ansiosos

Identificar a situação é decisivo para evitar que o quadro piore ou leve a outros problemas mentais

Pixabay Ansiedade em excesso pode predispor a outros distúrbios, como depressão.
Ansiedade em excesso pode predispor a outros distúrbios, como depressão.

Com base em dados científicos colhidos mundo afora, o psiquiatra Fernando Asbahr, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo estima que cerca de 10% das crianças e dos adolescentes já sofrem de ansiedade. Não estamos falando de um simples nervosismo antes de uma prova. "Trata-se de um prejuízo mais intenso no dia a dia. Só que nem sempre ele chega a ser incapacitante", pondera o psiquiatra, que chama atenção para o principal desafio: a detecção dos casos leves. Até porque a tendência é a situação se agravar ou predispor a outros distúrbios, como depressão.

Para a neuropsicóloga, psicóloga clínica e terapeuta cognitiva comportamental, Tania Doutel Barreto, da Neupsi clínica de neuropsicologia & psicoterapia, em Rio Preto, a ansiedade é uma característica normal das crianças e facilita a adaptação frente a novas e diferentes situações. O problema aparece quando o medo e a ansiedade são excessivos e não são mais característicos da fase do desenvolvimento em que a criança está, podendo tornar-se crônica, disfuncional e patológica do ponto de vista do desenvolvimento sócio emocional.

O mundo moderno tornou-se um ambiente favorável ao estresse infantil e ao desenvolvimento da ansiedade e medos patológicos, pois se espera das crianças modernas que sejam bem sucedidas na escola, competitivas no esporte e que atendam às necessidades emocionais dos pais, sem levar em conta às habilidades dela em lidar com os estressores, à maturidade e ao seu estágio de desenvolvimento. "Muitos autores ressaltam que essas crianças nem sempre estão preparadas para lidarem com certos eventos, pois muitas ainda não desenvolveram adequadamente ferramentas e estratégias para isso", declara Tania, que continua: "As crianças relacionam o estresse com situações que representam ameaça ou que interfiram nas suas necessidades básicas. Os eventos citados por elas são quase sempre relacionados à escola, família e amigos", diz.

Pais, fiquem de olho

As crianças ansiosas normalmente apresentam medos exagerados, inquietação, desconforto e sintomas físicos como náuseas, suor, palidez, tremores e aumento do ritmo cardíaco. Se excessivos e duradouros estes sintomas e podem levá-las a desenvolver patologias como os transtornos ansiosos infantis.

A psicóloga Lucimara Romano faz um alerta importante aos pais. "O comportamento dos pais, principalmente na infância, tem primordial importância e interfere de maneira direta no comportamento da criança/adolescente. Portanto pais nervosos e ansiosos serão modelo de comportamento para os filhos", diz.

Segundo Lucimara a ansiedade pode trazer outros distúrbios associados como o TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), síndrome do pânico, fobia escolar, fobia social, TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizado). "Não se sabe ao certo porque algumas pessoas são mais propensas à ansiedade descontrolada do que outras. Alguns fatores podem estar envolvidos nisso como: a genética, o ambiente em que se vive e doenças físicas", explica.

Tanea reforça explicando que em crianças e adolescentes, os transtornos de ansiedade, apresentam características de medo, ansiedade excessiva e persistentes, assim como perturbações comportamentais. "Além dos fatores já citados, tanto a pressão, quanto o excesso de atividades na rotina cotidiana da criança, e pouco tempo para ser criança e brincar, podem ser demasiadamente estressantes e prejudiciais à saúde física e psicológica infantil", alerta.

Além das manifestações somáticas de ansiedade, ainda existem as cognitivas que são descritas por pensamentos inadequados, intrusivos e ruminativos, cujos temas estão relacionadas a problemas de saúde, escola, desastres e danos pessoais, relativas às amizades, aos colegas de aula, à escola, à saúde e ao desempenho. "O foco específico das preocupações em crianças e jovens se altera ao longo do desenvolvimento, e são moldados pelos desafios sequenciais do desenvolvimento nos processos cognitivo, comportamental e social", orienta a psicóloga Kelly Risso Grecca, do Instituto de Psicologia, IPECS, em Rio Preto, que continua: "O tratamento eficaz requer a combinação de várias intervenções, como terapia da abordagem cognitivo-comportamental, orientação aos pais e familiares, e, em alguns casos a intervenção medicamentosa e o acompanhamento do psiquiatra especialista no atendimento de crianças e adolescentes", orienta.

Tecnologia em excesso

pixabay/Divulgação Use excessivo da tecnologia pode agravar surto de ansiedades
Use excessivo da tecnologia pode agravar surto de ansiedades

Há pesquisas relacionam o uso de jogos eletrônicos com vantagens ao aprendizado, socialização, e desenvolvimento e aprimoramento de habilidades afetivas, cognitivas e motoras. No entanto, os especialistas são unânimes ao afirmar também já está comprovado que o uso excessivo da tecnologia e smartphones, podem acarretar desvantagens na saúde física e mental, no desempenho acadêmico e também nos relacionamentos afetivos. "Muitas crianças e adolescentes se afastam de atividades consideradas prazerosas, como práticas esportivas (que é altamente indicada no tratamento da ansiedade) e encontros com amigos, e podem ainda prejudicar sua vivência nessas atividades, tudo para poder permanecer mais tempo conectado. Algumas crianças, e principalmente os adolescentes, apresentam ansiedade, irritabilidade e tristeza quando afastados dos smartphones", alerta Kelly.

Segundo Lucimara o uso abusivo de smatphones, principalmente para os adolescentes, dificulta a habilidade social e para isso prejudica ainda os que são tímidos. "Através do celular ele faz contato com o mundo, e muitas vezes de maneira irreal e fantasiosa, impedindo assim que supere suas dificuldades e aprimore suas habilidades sociais", pontua ela que continua: "Outro fator que os pais também deve ter bastante atenção é com os jogos eletrônicos, principalmente os violentos, pois a criança/adolescente fica tão envolvido e ansioso, tendo muitas vezes dificuldades de discernir o que é real e o que é fantasia", diz.

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