Diário da Região

27/05/2018 - 00h00min

Carreira

Menos pode ser mais

Trabalhar e ainda viver melhor e com tempo para o que te faz feliz não depende só do quanto você ganha, mas de como prioriza suas necessidades

Pixabay/Divulgação Ilustração para matéria de carreira
Ilustração para matéria de carreira

Ok, o País está longe de viver sua melhor fase quando o assunto é emprego e a recolocação profissional pode demorar um pouco mais do que você pode imaginar se decidir jogar tudo para o alto. Junte-se a isso o status por trás da vaga que você ocupa e como te enxergam e essa é a combinação perfeita para te manter refém de uma falsa estabilidade profissional, uma vez que por trás do "bom salário garantido", pode estar escondida a insatisfação pessoal. Isso sem contar que você passa quase nada do seu tempo com a família, adquiriu algumas doenças novas e não tem nenhum tempo para se cuidar o fazer o que gosta. Virou um escravo do seu salário.

Se você se identificou nessa situação, a dica é uma só: está na hora de se redescobrir e mudar de emprego. Ganhar menos, muitas vezes, não é o fim do mundo, se você conseguir de volta o seus bens mais preciosos: a sua vida e a sua paz de espírito. Não são poucas as pessoas que dizem que trocaram de emprego em busca de uma melhor qualidade de vida e que foi a melhor decisão da vida delas.

"Buscar novos horizontes profissionais onde o recurso financeiro não seja tão bom como o atual, pode parecer 'tiro no pé'", explica o consultor empresarial Carlos Alex Fett. Certamente você vai escutar: "está louco?", "vai deixar este salário e esses benefícios?". O problema é que essas pessoas podem não saber o quanto você se sente distante da sua vida pessoal e de tudo o que você tem aberto mão em nome do salário tão desejado por muitos. "Já foi o tempo em que só se valorizava o emprego pelo dinheiro. Hoje, de que adianta o dinheiro se não compartilhamos horas com a família, não vemos os filhos crescerem, não podemos cuidar da saúde e do lazer e se vivemos estressados e sem hora para dormir, para se alimentar e para sorrir", questiona Fett.

O problema todo é viver em função do dinheiro, deixando de lado as suas próprias necessidades como ser humano, ser escravo de aparências e egoísta. "Se existe a possibilidade de ter mais paz, e manter uma condição de vida que não necessite de exageros financeiros, por que não? Viver melhor, trabalhar dignamente e ter tempo para o que nos faz mais felizes não depende só do que ganhamos, mas de como priorizamos nossas necessidades", diz Fett.

Ganhar menos num emprego que vai te fazer bem não é um retrocesso, mas uma opção para conquistar a tão almejada paz que o dinheiro até agora não conseguiu te proporcionar.

Vivemos apenas uma vida

"Passei 25 anos contratado na rede privada de ensino. Trabalhei nos melhores colégios de Rio Preto. Trabalhei em Barretos, Bebedouro, Birigui e outras cidades. Recebia salários altos. Nos últimos anos, valores de até R$ 25 mil. Contudo, era uma rotina intensa e acelerada. Perdi festas, reuniões e viagens. Afastei-me das pessoas, dos exercícios físicos e do lazer. Trabalhava de segunda a sábado até 16 horas ao dia. Sentia que isso era correto, que eu estava sendo valorizado. Sempre tive apreço pelas escolas e pelos empregadores, mas, no final, não estava feliz. E tive uma epifania: vivemos uma vida. Que ela seja mais feliz e ao lado de quem amamos. Mas escolas, a despeito da remuneração elevada, era forçado a conviver com pessoas cujos valores e comportamentos não me agradavam. E isso tudo me entristecia. Pedi demissão de cinco colégios onde sempre quis lecionar e onde fui feliz, bem pago. Porém, descobri outros valores, outros desejos, outras expectativas. Tomar café da manhã sem a pressa neurótica por medo de atraso. Passar os feriados em convívio social sem o peso de tarefas e de provas para correção. Trabalhar em casa, na minha própria escola, lecionando para alunos particulares que sentem afeto por mim. Isso não pode ser quantificado em número. Porém, se pudesse, seria um valor bem superior a um mero salário. Ao mudar de foco, estou mais saudável, mais estável e mais feliz."

(Washington Paracatu, professor)

Não teria conquistado o que conquistei

"Fui professora concursada da rede municipal de ensino por três anos e planejava uma carreira, inclusive com cargos dentro da Secretaria Municipal de Ensino. Amava as crianças, porém as condições de trabalho eram péssimas. Salas sem janelas, coco de pombo, estresse sem limites dos pais e pressão de coordenadores. Tinha de atravessar a cidade para ir trabalhar: 40 a 50 minutos de trânsito pra ir e quase uma hora no horário de pico para voltar. Eu vivia com gastrite e dor de cabeça, não tinha disposição pra nada, apesar de ter 20 anos. Muito estresse, cabelo caindo, um horror. Eu percebi que não tinha vida. Então, peguei um dos quartos da minha casa, tirei tudo, coloquei uma maca e pedi exoneração da prefeitura. Larguei tudo e comecei a fazer reiki. Minha mãe achava que eu estava louca e diziam que eu estava com estresse e depressão, por isso estava fazendo isso. Foi a melhor coisa que fiz na vida. Obviamente que o reiki não dava para me sustentar e então eu dava aula particular para crianças e fazia faculdade de psicologia. Eu tinha até trancado matrícula da faculdade por conta do estresse porque estava muito doente. Eu tinha colite e gastrite, vivia com o coração acelerado e comecei a desenvolver transtorno de ansiedade generalizada. Se eu não tivesse saído, não teria feito tudo o que fiz até agora e conquistado o que conquistei. Infelizmente as pessoas ficam presas em algumas coisas que as seguram nos empregos como 13º salário e férias."

(Karina Rodrigues, psicóloga)

Planeje antes

Para fazer essa transição de carreira mesmo que ganhe menos, você precisa ter alguns pontos bem claros. "Toda e qualquer decisão a ser tomada, principalmente no âmbito profissional precisa levar em conta algumas características. Se partirmos do princípio que temos de fazer aquilo que você gosta, que tem paixão, só isso não sustenta. O ponto máximo é você entender quais são os seus talentos, quais são os seus pontos fortes, o que você faz bem naturalmente, o que flui naturalmente, é importante que você tenha uma aptidão maior e obviamente aquilo que você ama, aquilo que te brilha os olhos, aquilo que você tem paixão por fazer", explica a coach Ana Paula Casseb.

Mas antes de fazer essa transição para um emprego que vá te pagar menos, precisa se preparar para isso. Planejamento é a chave para evitar surpresas inesperadas. "Tenha em mentes quais seus custos hoje, verifique o quanto tem de receita e faça a gestão desse dinheiro pra te dar segurança pelo menos até o novo emprego garantir isso", diz Ana Paula.

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