Diário da Região

22/05/2018 - 22h45min

É A VIDA

Doar sangue é ato de amor que virou tradição na família Tranjan

Conheça histórias de moradores da região que disponibilizam parte de seu tempo para doar algo que nenhum cientista foi capaz de reproduzir: o sangue humano. Cada doação salva até quatro vidas

Johnny Torres 22/5/2018 O casal Alexandre e Meire (à direita) ensinou os filhos a ajudarem as pessoas, mas foi por vontade própria que Kim e a mulher Amanda procuraram o Hemocentro
O casal Alexandre e Meire (à direita) ensinou os filhos a ajudarem as pessoas, mas foi por vontade própria que Kim e a mulher Amanda procuraram o Hemocentro

O sangue é um tecido vivo que corre pelo organismo sem parar mesmo quando a pessoa está em repouso. Leva oxigênio e nutrientes a todos os órgãos por meio de veias e artérias. Produzido na medula óssea, renovado constantemente e composto por plasma, hemácias, leucócitos e plaquetas, pode ser de quatro tipos: A, B, O e AB - positivo ou negativo.

Sua atividade é tão natural que passa despercebida, como a própria respiração. O problema é quando o sangue falta - ainda não inventaram nada que o substitua e a ausência de um de seus componentes pode ser fatal. As plaquetas, por exemplo, promovem a coagulação e impedem hemorragias. Nessas horas, os pacientes que sofreram algum acidente, vão passar por cirurgias - às vezes, até transplantes - e têm alguma doença contam com "anjos" que disponibilizam parte do seu tempo para ir até o Hemocentro. O sangue de quem doou se regenera e a diferença na vida de alguém torna-se permanente.

Nelson Donizeti de Freitas, 59 anos, doa sangue desde 1977. Desde então, foram pelo menos 126 doações - isso porque ele não se lembra quantas realizou nos cinco primeiros anos. Se uma bolsa salva até quatro vidas, pode-se dizer que este morador de Tanabi já ajudou cerca de 500 pessoas. Seu sangue é O negativo, considerado doador universal, ou seja, pode ser colocado em qualquer paciente. A prática do gesto de solidariedade começou para ajudar a mãe de um amigo. Morando no sítio durante uma época, andava 18 quilômetros só para pegar o ônibus para ir doar.

O agricultor e motorista conta que certa vez viu uma reportagem de um senhor morador do Rio Grande do Sul que havia doado 100 vezes. "Pensei: não sei quantas vezes eu vou, mas vou doar pelo menos 50'," lembra. O tanabiense fez a doação em várias cidades: onde mora, em Fernandópolis, em Franca, em Rio Preto. Como frequentemente doa quando conhecidos estão doentes, sabe quem são algumas pessoas que ajudou.

Nelson visita o Hemocentro de Rio Preto quatro vezes por ano, número máximo para retirada de sangue em homens. A carteirinha comprovando doação mais antiga que conseguiu achar em casa é de 1984. Ele não pretende deixar de colaborar por enquanto. "Até quando puder, se tiver saúde vou passar dos 145", promete. "Uma sensação maravilhosa, eu que sou um cara pobre é a única coisa que pode fazer de bom para os outros."

O Hemocentro de Rio Preto atende a 32 hospitais e instituições de saúde de Rio Preto e região e precisa com frequência fazer apelos à sociedade por mais doações - só neste mês, foram duas postagens no Facebook solicitando quatro tipos de sangue. Há épocas em que a coleta cai, como férias, festas de fim de ano e o período atual do ano: tempo frio. Cada bolsa de sangue salva quatro vidas porque após a doação o produto é fracionado em quatro componentes: hemácias, plaquetas, plasma e crioprecipitado. Cada um tem função e é destinado para os pacientes conforme a necessidade.

Tradição de família

Assim como o almoço juntos na empresa em que trabalham, a família do comerciante Alexandre Kopti Tranjan, 51 anos, e da gerente comercial de expansão Meire Tranjan, 52 anos, adotou a doação de sangue e plaquetas como uma tradição sagrada. Ela começou a doar sangue com 18 anos e estima que tenha feito isso mais de 200 vezes. Já deixava o procedimento agendado para a cada quatro meses. Já para as plaquetas a estimativa é de 72 doações. Alexandre começou a doar plaquetas em 2009 após o incentivo de um colega. Os dois têm sangue O negativo, o doador universal.

Seguindo os passos dos pais, os filhos Kim Tranjan, programador de 26 anos, e Yasmin Tranjan, empresária e musicista de 28, também tornaram-se doadores - ele de plaquetas e ela de sangue. A nora do casal, Amanda Tranjan, gerente financeira de 27 anos, também entrou na corrente do bem. Há oito anos, colabora junto com o marido Kim - ela também doa sangue.

"Mantemos nossos cadastros no Hemocentro atualizados para recebermos mensagens e ligações do pessoal para doação. Poder ajudar ao próximo é um ato de amor que nos deixa muito felizes", fala Amanda. Quando o Hemocentro liga perguntando sua disponibilidade, Meire limpa a agenda. "Deixo de atender um cliente, desmarco. Minha prioridade é a doação. Muita gente precisa, é algo muito forte. Uma sensação de estar fazendo algo para alguém que não conheço, uma sensação muito boa, de paz interior", diz.

Em casa, o gesto solidário nunca foi uma imposição aos filhos. "Sempre conversamos em relação a ajudar o próximo", conta a mãe. Kim e Yasmin foram por iniciativa própria ao Hemocentro. "É uma alegria e motivo de orgulho", declara Alexandre. Ele acredita que recebe muito mais do que disponibiliza. "A palavra amor e o sentimento de poder de alguma forma servir alguém que está em situação de necessidade. Acho que é o mínimo que a gente pode fazer. Me sinto tão bem, não sinto dor. O pessoal do Hemocentro sabe que eu largo tudo, sou doador de emergência dentro da necessidade deles", afirma.

A família relata que colocou na empresa cartazes estimulando que os trabalhadores também adotem a prática e que tem planos de organizar os funcionários para irem um dia até o Hemocentro, em um ato coletivo. Por conta da falta de doadores, eles chegam a ser convocados mais de uma vez por mês para ir até o Hemocentro. "Não gera incômodo, não tem problema, mas é triste", afirma Alexandre, sobre a falta de doações.

Seja um doador de vida

Para doar plaquetas, a pessoa precisa ter entre 18 e 67 anos, ter doado sangue duas vezes e ter bom acesso venoso. O processo leva cerca de duas horas. O sangue é retirado por aférese e passa por um kit em que as plaquetas são separadas e extraídas e os demais componentes devolvidos ao doador.

Quem vai doar sangue precisa ter entre 16 e 69 anos (os menores de idade precisam estar acompanhados do responsável).

Nos dois casos, é preciso estar alimentado, tendo evitado comidas gordurosas no dia anterior; ter mais de 50 quilos; não ter ingerido bebida alcoólica nas últimas 12 horas; estar em bom estado de saúde, sem gripe, febre ou resfriado e ter dormido bem na noite anterior, além de não fumar duas horas antes nem duas horas depois.

Em teoria, as plaquetas podem ser doadas a cada 72 horas, pois são as células que se regeneram mais rapidamente no corpo humano. Os doadores do Hemocentro de Rio Preto, no entanto, comparecem em média a cada 30 dias - a frequência é maior conforme a necessidade da unidade.

As mulheres podem doar sangue a cada 90 dias e no máximo três vezes ao ano. Para os homens o intervalo é de dois meses, com no máximo quatro procedimentos anualmente. Todo o material utilizado é descartado.

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