Diário da Região

15/05/2018 - 22h23min

É A VIDA

O novo motivo para Michele se superar

Tetraplégica após acidente de carro, ela venceu a tristeza e resolveu encarar o maior de seus desafios: a maternidade. Arthur, hoje com quatro meses, chegou para dar nova razão para seguir em frente

Divulgação/Regiane Pavan Michele da Silva Facipieri, 36 anos, durante a gestação; abaixo, com o filho nos braços e beijando o pequeno
Michele da Silva Facipieri, 36 anos, durante a gestação; abaixo, com o filho nos braços e beijando o pequeno

Toda mãe sonha em conhecer o rosto do filho. Para Michele da Silva Facipieri, enfermeira aposentada de 36 anos, no entanto, a sensação de ver Arthur, 4 meses, foi ainda mais mágica. O momento aconteceu ainda no centro cirúrgico. "A enfermeira o colocou sobre mim e eu me esforcei para ver e gravar o seu rostinho em minha memória. As lágrimas correram pelo meu rosto, meu coração acelerou e a gratidão por estar vivendo aquele momento me fez a mulher mais feliz do mundo", descreve a moradora de Tanabi.

Michele sofreu um acidente de carro em 2010 e ficou tetraplégica. A gestação de Arthur significa sua luta consigo mesma para continuar acreditando na vida. Logo após o acidente, a enfermeira conseguia mexer apenas o pescoço e, com dificuldade, os braços e mãos. "Pensei que seria o fim de muitos sonhos, inclusive o da maternidade. Também fiquei preocupada com o preconceito que enfrentaria", conta. Ela diz que estava em um mundo desconhecido, cheio de medos e inseguranças. "Foi então que percebi que tinha perdido minha liberdade e independência."

Naquele momento, parecia o fim da vida e da história. "Mas Deus me mostrou que eu podia lutar e mudar a minha vida e foi o que eu fiz. Resolvi lutar, enfrentar a vida e todos os meus medos", fala. Na reabilitação, conheceu outras pessoas enfrentando a mesma situação, com as quais aprendeu bastante, e conquistou mais independência e confiança. "Também venci vários medos, superei limites que eu julgava impossíveis."

Doador anônimo

Michele passou por reabilitação em vários centros, até que, em 2016, resolveu ser mãe. Buscou a inseminação in vitro por doador anônimo, fez tratamento e engravidou em 2017. "Tenho uma família estruturada que me apoia em tudo, mas mesmo assim vinham os pensamentos: 'Será que vou dar conta de cuidar de um bebê? Será que estou preparada para ser mãe?'," lembra.

Com apoio da família, ela resolveu enfrentar o desafio. A gravidez foi tranquila e com direito a uma mágica sessão de fotos. "Curti todos os momentos com muita intensidade, meu bebê nasceu lindo, sudável e estou muito feliz e realizada", celebra. O pequeno veio ao mundo após 32 semanas de gestação, no dia 10 de janeiro de 2018, pesando 3,1 quilos e medindo 48 centímetros. "Um menino lindo, saudável e que veio para tornar meus dias mais doces", diz. Quando viu o menino pela primeira vez, Michele só conseguia pensar que haviam vencido.

Ajuda de um anjo

Ela comenta que não é fácil cuidar de um recém nascido. "Ainda mais sendo mãe de primeira viagem e cadeirante", complementa. Para essa missão, conta com a ajuda da família, sobretudo da mãe, a agente de organização escolar Vanilde Facipieri, 56 anos. "É meu anjo nessa vida", derrete-se Michele.

Os movimentos dela ainda são limitados, mas consegue se mexer mais do que seria o comum dentro do quadro de tetraplegia. Dirige carro adaptado, segura o bebê, faz higiene oral, se alimenta e usa o computador sozinha. Nesta semana, conseguiu dar banho no filho com a ajuda de Vanilde. "Algumas vezes me pergunto: 'e se não tivesse resistido ou desistido de viver quando me acidentei?'. Olha tudo que perderia. Hoje sei que mesmo com meus medos fiz a escolha certa", conclui. 

Michele sabe que talvez nunca vá compreender o porquê de todos os acontecimentos de sua vida. "Porém posso afirmar com todo o meu coração que essa situação foi muito bem compensada com tudo o que eu tenho agora", alegra-se. "Penso que minha situação atual não define meu futuro. Acredito que ainda consigam encontrar um tratamento para reverter o quadro de tetraplegia", sonha.

Ela revela que, naturalmente, não consegue ser forte o tempo todo e em alguns instantes as coisas parecem difíceis, mas os sentimentos ruins não ficam por muito tempo. "Procuro sempre pensar no lado positivo de tudo, nas coisas boas que eu tenho e em como posso servir de exemplo para as pessoas ao meu redor, pois é o que ouço, que sou inspiração e guerreira", conta. "Eu escolhi viver, lutar e seguir em frente quando aos meus olhos não havia mais um motivo sequer para isso e hoje eu tenho mais do que um motivo para seguir e me superar a cada dia."

Para a nova mãe, uma frase que resume tudo é aquela que diz que "quando tudo parece dar errado acontecem coisas boas que não teriam acontecido se tudo tivesse dado certo". Seus planos para o futuro são voltar a trabalhar, continuar na reabilitação e cuidar do filho, que é prioridade. Em 2018, comemorou pela primeira vez o Dia Das Mães com o pequeno nos braços. "Foi maravilhoso, uma sensação inexplicável."

O sorridente menino ensina todos os dias o que é o amor incondicional - aquele em que não se espera nada em troca e que vai existir sempre, não importa a circunstância. "Me fortalece, completa, me faz feliz e eu sei que sentirei isso para sempre. Existe um elo muito forte entre mãe e filho, um vínculo eterno, imutável, indissolúvel, amor sem fim. Por esse amor, nos desdobramos em mil e brilhantemente conseguimos dar conta de tudo", garante. "Eu te amo, minha vida", diz para o pequeno Arthur.

 

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