Diário da Região

02/06/2018 - 22h08min

Vai ter Copa!

Às vésperas da Copa, comércio finalmente fica verde e amarelo

Ainda que muitos estejam traumatizados com a última participação brasileira no mundial, segmentos do varejo de Rio Preto se preparam para aproveitar o momento e aumentar as vendas

Mara Sousa 30/5/2018 Área de vendas do Atacadão Naranjo já está preparada para receber consumidores torcedores
Área de vendas do Atacadão Naranjo já está preparada para receber consumidores torcedores

Quatro anos depois, ainda tem gente traumatizada com o fatídico 7 a 1 da Copa do Mundo disputada no Brasil. Mas nem todos estão no baixo astral. Alguns segmentos do varejo de Rio Preto apostam no bom desempenho da Seleção Brasileira para ajudar nas vendas. Somado a isso, setores também aproveitam a coincidência com o período junino.

Dentre os setores que sentem o impacto positivo do campeonato mundial de futebol estão as indústrias de pipoca, bares, restaurantes, supermercados e produtos personalizados. Do outro lado, quem vende itens de decoração e adereços típicos em verde e amarelo amarga a sobra do estoque da copa de 2014 e ainda não está tão esperançoso com a alta das vendas.

Se por enquanto o clima não é dos mais animados, a maioria aposta que quando começarem os jogos o sentimento vai mudar. Para Paulo Sader, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto (Acirp), o que pesa hoje é a situação do futebol brasileiro, que também vive ondas de corrupção, sem contar o próprio momento econômico. "É do DNA do brasileiro gostar de futebol e samba. E se a Seleção tiver bom desempenho, a economia deslancha porque gera uma expectativa positiva e economia é expectativa", disse.

Para o Sindicato do Comércio Varejista de Rio Preto (Sincomercio), se no primeiro jogo o Brasil vencer, as vendas em Rio Preto vão registrar alta de até 10%, pelo menos no segmento de decoração e acessórios com tendência de crescimento contínuo se o desempenho de mantiver. "São itens ao alcance da maioria dos consumidores por apresentarem preços populares", afirmou Orvásio Tancredi Júnior, diretor da entidade.

Quando se fala em supermercado, a expectativa é de um crescimento de 3,5% na cesta de produtos típicos juninos, afirma a Associação Paulista de Supermercados (Apas). "A Copa do mundo no mesmo mês ajudará também com ainda mais impulso nas vendas graças ao aumento das confraternizações em casa, já que 92% das pessoas assistem os jogos em casa, favorecendo de sobremaneira o canal do varejo alimentar", afirmou o economista Thiago Berka.

O setor de bares é um dos que mais ganha com a exibição dos jogos. Na primeira fase, a Seleção entra em campo no dia 17, às 15h. No dia 22 será às 9h e, no dia 27, às 15h também. "As pessoas acabam indo aos bares pela comodidade, facilidade e os bares aproveitam para investir em novas tecnologias para fazer as transmissões", afirma Paulo Roberto da Silva, presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes de Rio Preto.

No Biergarten Santo Lúpulo, a transmissão dos jogos sempre vai contar com uma atração especial. No primeiro jogo, feijoada, samba e chopp artesanal. No jogo que será pela manhã, um café da manhã inspirado na tradição alemã será realizado. "O movimento durante a Copa aumenta muito, tanto no consumo, quando na venda para levar para casa. Esperamos um aumento de 40% nas vendas. Na hora do jogo tudo muda, a galera adere, sai, faz churrasco", afirmou o empresário Cristiano Carvalho.

Cacaco Cunha, proprietário do Frei Caneco e Boemia, também está com projeções positivas, já que os consumidores estão falando sobre a reserva de mesas. "Esse é um ótimo momento para o segmento. Ajuda muito a elevar as vendas. A previsão é de alta de 30%", disse. A programação inclui cardápio com pratos relacionados aos países que participam da competição, além de bolões e sorteio de brindes.

O Bring the Bacon se preparou para a Copa do Mundo há um bom tempo, com uma grande quantidade de televisores e a expectativa é vender o dobro nos dias de jogo. "Vamos abrir sempre antes do horário dos jogos para um esquenta. Estamos entrando mesmo na onda verde e amarelo. São vários lanches e porções bem atrativas e ainda temos alguns em segredo ainda. Também haverá promoções em bebidas, porções e lanches", disse o empresário Alessandro Hegueduch.

Lojas de decoração entram no clima

Mara Sousa 24/5/2018 Regina Boracini espera que vendas registrem alta de 10% a 15%
Regina Boracini espera que vendas registrem alta de 10% a 15%

As lojas de itens de decoração e acessórios de Rio Preto têm perspectivas conflitantes sobre a Copa deste ano. É que em 2014 sobrou muito produto, depois que o Brasil passou pelo vexame épico e deu adeus à taça em seu próprio país. A proprietária da Cartonagem Três Marias, Regina Maura de Lorenzo Boracini, espera que as vendas relacionadas à Copa tenham alta de 10% a 15%. "Sobraram artigos da última Copa, mas já colocamos em promoção", disse.

Nesse ano, há itens para festa, como decoração, convites, sacolinhas surpresas, já que muitos aniversários são feitos com o tema. Para quem decorar a casa para os jogos, bandeirinhas, apitos, buzinas, camisetas, faixas, painéis e uma infinidade de coisas, com preços a partir de R$ 2. "Bandeirinhas para festa junina na cor verde e amarelo já acabaram. Mais perto do evento o pessoal vai ficando mais empolgado", disse.

No Atacadão Naranjo, as compras de itens para a Copa foram feitas entre janeiro e fevereiro e as prateleiras já estão tomadas com bandeiras, cornetas e muitos outros acessórios com preços a partir de R$ 2,99. Segundo o gerente Osimar Carlos Rossi, a expectativa é positiva, de alta no faturamento de cerca de 30% em relação a meses normais. "Os preços são populares então dá para comprar em grande quantidade e fazer uma festa legal com pouco dinheiro".

A empresária Edna da Penha Abreu dos Santos, da Anima Fest Rio Preto, não pretende investir em artigos para a Copa. "Vou colocar o que restou num espaço pequeno. Ninguém está perguntando e nem está no clima", disse. Segundo Edna, do investimento anterior sobraram 10%, que serão colocados à venda com preço de custo, mais perto do início dos jogos. "O que está em alta nesse período são mesmo os produtos para festa junina". (LM)

análise

País não vive momento de otimismo

O brasileiro ainda não vive nem respira otimismo para celebrar uma Copa como antes. Parece que o País arrasado pela crise e pelos escândalos de corrupção foi invadido por um sentimento de responsabilidade: primeiro arrumar a casa, depois comemorar. Hoje tem gente sabendo mais a escalação dos onze ministros do Supremo do que dos titulares da Seleção. É uma mudança de comportamento e retrata o momento e o humor da sociedade, que ainda carrega uma amargura com relação aos escândalos de corrupção da Copa passada.

Esse sentimento quando misturado à crise recente, deixou sequelas: a renda está menor, o desemprego é alto e muitas pessoas tiveram que apelar a empregos informais e não possuem renda regular. Esses fatores derrubam o ânimo de qualquer sociedade.

Entretanto, não podemos deixar de levar em conta a paixão do brasileiro por futebol. Bares e restaurantes devem se beneficiar mais. Um evento dessa magnitude acaba ajudando o comércio, que é um dos atrativos de Rio Preto.

Bruno Sbrogio, economista

Indústrias de pipocas preveem alta

A Copa do Mundo sempre é realizada no mesmo período das festividades juninas no Brasil. Com isso, as indústrias que atuam com produção de cereais, grãos e produtos típicos veem as vendas melhorarem ainda mais. Na região, pelo menos duas indústrias estão animadas com a Copa do Mundo, a Kodilar e a Siamar, principalmente em função da venda de pipoca.

Na Kodilar, a expectativa é de alta de 50% nas vendas de todos os produtos. Neste ano, a empresa lançou uma pipoca com a imagem vinculada ao craque Zico, já de olho na realização da Copa. Normalmente, são produzidas 100 toneladas de pipoca por mês. Neste mês, o volume subiu para 400 toneladas. "A expectativa é muito boa. A empresa já trabalha com incentivo ao esporte", afirmou Sarah Soares, nutricionista comercial da empresa.

A indústria também implantou um turno extra, noturno, e contratou 30 profissionais para dar conta do aumento da produção. Muitos desses devem ser absorvidos. Hoje, são 600 funcionários e quatro linhas de produção: tradicional, natural, sem glúten e oriental.

Na Siamar, segundo o diretor comercial Edmar Gubolin Rocha, a expectativa é de alta de 25% a 30% nas vendas, com destaque para a pipoca. Também houve contratação de 20 funcionários. Para aproveitar o momento, a empresa lançou embalagens promocionais com a temática da Copa.

"As barraquinhas de festa junina nos supermercados são decoradas com o tema do Brasil. Juntar festa junina e Copa influencia bastante", afirmou. Para ele, por enquanto o clima em relação à Copa está morno, mas até meados de junho os torcedores vão voltar a ficar animados e aumentar o consumo. A empresa, em Neves Paulista, tem 250 colaboradores e diversas linhas. (LM)

Procura menor

Divulgação Torcedores acompanham jogo no Bring The Bacon, durante esquenta
Torcedores acompanham jogo no Bring The Bacon, durante esquenta

A produção de camisetas personalizadas com a temática da Copa não está tão intensa como em outras ocasiões. Segundo os lojistas, as empresas mandam confeccionar uniformes nas cores do Brasil para que os funcionários trabalhem caracterizados. "Neste ano a procura está menor, começou mesmo na semana passada", afirmou Jéssica Chaves, da Tiquinho Uniformes.

Para ela, o menor poder aquisitivo está fazendo com que os consumidores deixem de gastar com esse tipo de produto. "As pessoas estão gastando mais com algo que seja realmente de necessidade", afirmou. Apesar disso, ela acredita num incremento de 20% a 30%. "Ainda dá tempo de melhorar", disse.

O empresário Marco Aurélio de Almeida Costa, da Silk y Arte, conta que as pessoas estão mais reticentes neste ano em função do último resultado, temerosas de que o Brasil seja eliminado. "Esse é um produto perecível, então a procura está razoável, principalmente de empresas de alimentação, tintas, que fazem a camiseta com sua marca e o tema da Copa".

Fogos

No segmento de fogos de artifício o que ajuda é o período junino, já que o consumo relativo à Copa ainda está lento. "Os comerciantes estão deixando para última hora. Mas se a Seleção deslanchar, corre o risco de não conseguirmos abastecer todo o varejo", afirmou Vralden Porto, da Fogos Xingu. O item mais vendido, o foguete 12X1, teve a produção diminuída em 50 mil caixas.

Para o empresário Ricardo Cristal, sócio proprietário da loja Fogos Cristal, Copa e festa junina juntas devem significar uma alta de 20% nas vendas. O estoque foi reforçado de itens que não fazem barulho, já muitas cidades estão proibindo esse tipo de produto. A novidade são as fumaças coloridas com as cores do Brasil. (LM)

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