SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | TERÇA-FEIRA, 21 DE SETEMBRO DE 2021
Teatro

Teatro Oficina apresenta O Rei da Vela em Rio Preto

Rio Preto recebe a produção que celebra os 50 anos da montagem do Teatro Oficina para a peça escrita por Oswald de Andrade

Da RedaçãoPublicado em 25/05/2018 às 00:30Atualizado há 08/07/2021 às 08:23
Espetáculo O Rei da Vela, do Teatro Oficina Uzyna Uzona (Fotos: Jennifer Glass/Divulgação)

Espetáculo O Rei da Vela, do Teatro Oficina Uzyna Uzona (Fotos: Jennifer Glass/Divulgação)

O Teatro Oficina Uzyna Uzona, de São Paulo, celebrou, no ano passado, os 50 anos da montagem de O Rei da Vela, peça escrita por Oswald de Andrade (1890-1954) em 1933 que critica as desigualdades promovidas pelo sistema capitalista. A remontagem comemorativa, que chega a Rio Preto neste sábado, 26, para duas apresentações no Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto, realizadas pelo Sesc, constitui-se em uma oportuna reflexão sobre o atual momento político do País.

Dirigida por Zé Celso Martinez Corrêa, a primeira montagem de O Rei da Vela ganhou os palcos em plena ditadura militar, regime político cujo retorno é constantemente reverenciado no debate polarizado que divide brasileiros de esquerda e de direita desde 2016, ano do impeachment da ex-presidente Dilma Roussef. Só isso já é motivo de sobra para comprovar a relevância deste icônico espetáculo teatral nos dias de hoje.

Tendo como pano de fundo a crise econômica da década de 1930, após a quebra da bolsa de Nova York em 1929, o espetáculo conta a história de Abelardo I, um banqueiro e agiota que viu na falência das empresas de energia elétrica - que foram fechadas porque a população não tinha dinheiro para pagar a conta - uma excelente oportunidade de enriquecimento. Depois de abrir uma fábrica de velas, ele se torna o rei de um mercado mergulhado na escuridão.

Abelardo e os outros personagens de O Rei da Vela se constituem em uma caricatura da tradição, da família e da propriedade, em que Andrade imprimiu um humor ácido e radical. Emprestando dinheiro a juros abusivos, o protagonista prende seus inadimplentes em jaulas, contando com a ajuda de seu fiel "domador de feras", o empregado socialista Abelardo II.

Burguês e sedento por dinheiro, Abelardo I faz um negócio para a compra de um brasão: casar com Heloísa de Lesbos, que se negocia como valiosa mercadoria para manutenção da família, falida pela crise do café, no seleto grupo dos 5% da elite. Abelardo I, submisso ao capital estrangeiro do Americano, acaba levando um golpe de Abelardo II, que o sucede na manutenção da usura do capital.

Com aproximadamente três horas duração e dois intervalos, a peça de Andrade e sua encenação cinquentenária é obra de arte plástica ao vivo no palco italiano. Em 2017, a montagem celebrou também os 80 anos de Zé Celso e do ator Renato Borghi que, juntos, novamente contracenaram no cenário original de Hélio Eichbauer, com palco giratório e telões pintados, que foram transportados para o Municipal de Rio Preto.

Entretanto, Borghi não participa das apresentações na cidade, sendo substituído pelo ator Marcelo Drumond, responsável por dar vida ao protagonista Abelardo I. Primeiro ator do Teatro Oficina, onde atua desde a década de 1980, Drumond incorporou Hamlet, Dionísios, Boca de Ouro, Walmor Chagas, Euclides da Cunha, Oswald de Andrade, Jesus das Comidas e se preparou durante a temporada de 2017 para receber o bastão de Borghi, que, com a personagem, recebeu, ano passado, o prêmio de melhor ator pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes).

Além disso, a APCA também concedeu ao espetáculo do Teatro Oficina o grande prêmio da crítica. O Rei da Vela levou ainda o título de melhor estreia de 2017 pelo júri do Guia da Folha de São Paulo.

No palco, Zé Celso e Drumond ainda contracenam com os atores Sylvia Prado, Camila Mota, Tulio Starling, Cristina Mutarelli, Ricardo Bittencourt, Vera Barreto Leite, Roderick Himeros, Joana Medeiros, Danielle Rosa e Tony Reis.

O Rei da Vela também marca a volta de Zé Celso e do Teatro Oficina a Rio Preto após um hiato de 11 anos. A última vinda à cidade foi em 2007, quando a companhia paulistana apresentou o espetáculo Vento Forte Para Papagaio Subir, de autoria do próprio diretor, no Festival Internacional de Teatro (FIT).

Serviço O Rei da Vela, do Teatro Oficina Uzyna Uzona. Amanhã, às 19h, e domingo, às 18h. Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto (Avenida Brigadeiro Faria Lima, 5381). Ingressos: R$ 12 a R$ 40. Informações: (17) 3216-9300

Zé Celso Martinez Corrêa (no alto) está à frente da remontagem da peça O Rei da Vela (Jennifer Glass/Divulgação)
 
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