Diário da Região

18/05/2018 - 22h27min

Direção Perigosa

Em 28 meses, 2,2 mil bêbados são multados nas estradas

Mesmo com todos os riscos dessa combinação, as multas por embriaguez ao volante não param de crescer nas rodovias da região: desde 2016 foram 2.220 autuações

Johnny Torres 18/5/2018

Sonolência, sensação estimulante, alterações da capacidade de juízo, diminuição das habilidades motoras e do tempo de reação. Os efeitos do álcool no organismo são inúmeros e, quando misturados com direção de veículo, podem gerar tragédias. Mas nem mesmo os riscos de morrer e colocar outras pessoas em perigo fazem diminuir a imprudência no trânsito. Nas rodovias regionais, desde 2016, foram aplicadas 2.220 multas por embriaguez ao volante.

Dirigir sob o efeito de álcool aumenta significativamente as chances de se envolver em um acidente. Os danos vão além dos prejuízos materiais, podendo resultar em lesões físicas ou até a morte. "Nas primeiras doses, ele é um estimulante e gera a sensação de excitação. No entanto, as inibições e a capacidade de julgamento são afetadas. Com o aumento do consumo, as habilidades motoras e o tempo de reação também sofrerão as consequências. Em altas doses, pode causar sonolência ou até mesmo desmaios", ressalta o capitão Claudio Ferreira da Silva, da Polícia Rodoviária Estadual.

E os números de autuações vêm subindo. Em 2016, foram 926 autuações nas rodovias estaduais e na BR-153, contra 1.052 no ano passado - aumento de 13%. Só neste ano, de janeiro a 14 de maio, já foram 242 multas. Os dados são das polícias rodoviárias Federal e Estadual e incluem os motoristas que sopraram o bafômetro e também aqueles que recusaram.

Em ambos os casos, a infração é gravíssima e gera multa de R$ 2.934,70. O condutor ainda tem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa pelo prazo de 12 meses. Foi o que aconteceu com um motorista, de 40 anos, que prefere não ter o nome divulgado. Em agosto do ano passado, ele voltava de Barretos quando foi parado por uma blitz e se recusou a fazer o teste.

"Fui autuado do mesmo jeito. Eu não concordei em assoprar porque havia bebido duas doses de uísque com energético e sabia que ia acusar. Eu me considerava apto a dirigir, mas a tolerância da lei é zero. Então fui multado, mas não concordei por isso não quis produzir prova", conta. Ele recorreu contra a multa, mas o recurso foi negado recentemente e ele terá que entregar a CNH.

Quem também foi autuada e teve o recurso negado foi uma secretária, de 35 anos. Ela foi abordada em blitz na rodovia Washington Luís, em maio do ano passado, ao retornar de festa em Mirassol. "Eu tinha bebido umas quatro ou cinco long neck. Pra mim, estava bem para dirigir. Mas concordo com a lei que é para não beber nada, porque muitos acidentes poderiam ser evitados. É para seguir a risca: se beber, não dirija. Só não concordo é com o valor da multa."

Nas abordagens, caso o equipamento aponte nível de álcool acima de 0,34 miligramas por litro de ar expelido, o motorista é multado, tem a CNH suspensa e ainda responde na Justiça por crime de trânsito, podendo até ser preso. Se condenado, poderá cumprir de seis meses a três anos de prisão. Se ferir ou matar uma pessoa em acidente, irá ser preso em flagrante, sem direito a fiança. Em todos os casos, o veículo é apreendido caso não haja alguém capaz de assumir a direção.

Uma motorista de 36 anos, que também pediu para ter a identidade preservada, concorda que as penalidades cumprem a função de tentar reduzir os casos de embriaguez. Ela, que já cumpriu sete meses de suspensão da CNH, foi autuada durante o Carnaval em Votuporanga. "Meu teste apontou 0,06 (miligramas por litro de ar expelido) e o policial disse que até 0,05, me liberaria. O valor da multa e o prazo de suspensão, no meu caso, serviram para que eu nunca mais beba e dirija. Um táxi, uma van, um Uber são muito mais baratos e você não corre riscos de acidente."

Aumento dos testes do bafômetro

A Policia Rodoviária Estadual têm intensificado as blitz que fiscalizam a embriaguez ao volante. Ano a ano o número de testes de alcoolemia, conhecidos como teste do bafômetro, têm aumentado. A projeção da PRE é de que neste ano sejam realizados 17.704 até dezembro. São 1.434 a mais do que no ano passado. Em 2016, foram realizados 44% a menos, um total de 12.217.

Na rodovia federal, ocorreu o inverso. Enquanto em 2016 foram 12.532 testes realizados, no ano passado houve redução de 15%, totalizando 10.529 testes. Neste ano, até terça-feira, dia 15, foram 2.924 testes.

"A PRF tem trabalhado incisivamente no combate à embriaguez ao volante. Por um lado o número de testes caiu de 2017, comparando com 2016, só que a quantidade de pessoas fiscalizadas aumentou. E fato é que a preocupação da polícia resultou na redução de mortes provocadas", disse Flávio Catarucci, da assessoria de comunicação social da PRF. "É necessário fortalecer o trabalho de conscientização que estamos fazendo através de palestras e abordagens educativas para que o motorista tire essa consciência de que é possível dirigir depois de bebida alcoólica."

Só na BR-153, foram 60 acidentes que tiveram como causa principal a ingestão de álcool no ano passado. Número bem superior ao do ano anterior, quando foram 37. Neste ano, já foram oito. Nas rodovias estaduais, foram quatro acidentes que tiveram a bebida como causa em 2017 e sete em 2016. Entre janeiro e 14 de maio deste ano, ocorreram dois acidentes.

Já as mortes provocadas por motoristas embriagados recuaram na rodovia federal. Em 2016, sete pessoas perderam a vida ao se envolverem em acidentes no qual motoristas dirigiam sob efeito de álcool. No ano passado foram duas vítimas. Neste ano, não houve nenhuma morte. A Polícia Rodoviária Estadual não informou o número de mortes. (TP)

Autuações por dirigir sob influência de álcool:

BR - 153

2016:

  • 89 autuações por constatação
  • 84 autuações por recusa
  • Total: 173

2017

  • 95 autuações por constatação
  • 120 autuações por recusa
  • Total: 215

2018

  • 31 autuações por constatação
  • 40 por recusa
  • Total: 71

Acidentes com causa principal ingestão de álcool:

  • 2016: 37
  • 2017: 60
  • 2018: 8

Rodovias estaduais

2016

  • 508 autuações por constatação
  • 245 autuações por recusa
  • Total: 753

2017

  • 520 autuações por constatação
  • 317 autuações por recusa
  • Total: 837

2018

  • 99 autuações por constatação
  • 72 autuações por recusa
  • Total: 171

Acidentes com causa principal ingestão de álcool:

  • 2016: 7
  • 2017: 4
  • 2018: 2

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