Diário da Região

15/05/2018 - 22h19min

PERIGO DENTRO DE CASA

Queda ferem 3,8 mil idosos e causam morte de 187 em dois anos na região

Desde janeiro de 2016, a região de Rio Preto registrou 3.886 internações de idosos por fraturas - a maioria por quedas dentro de casa. Dentre os casos, 187 acabaram em morte. Veja como proteger o lar

Mara Sousa 15/5/2018 Para evitar quedas, a aposentada Ester Affini tem a casa adaptada: sala sem tapete e com banco alto
Para evitar quedas, a aposentada Ester Affini tem a casa adaptada: sala sem tapete e com banco alto

"Todo cuidado é pouco para quem tem um idoso em casa." Essa é a principal recomendação da geriatra Ana Carolina Garcia e Garcia. Não é nenhum exagero: a cada dia quatro idosos são internados em decorrência de fraturas na região de Rio Preto. Desde 2016, foram 3.886 internações - 432 delas apenas entre janeiro e março. Desses casos, 187 acabaram com a morte do idoso. Os dados são do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus).

As fraturas mais recorrentes na terceira idade, segundo a geriatra Ana Carolina, são: fêmur, vértebras e rádio (osso do antebraço). Elas são causadas normalmente por traumas banais, quedas que acontecem quase sempre em casa. "Queda é um dos principais motivos de morte entre os idosos. Merece bastante atenção," afirma. "A fratura de fêmur corresponde a 80% e leva à necessidade de cirurgia. Seguida de vértebra, que provoca uma dor intensa."

Justamente o que aconteceu com a aposentada Adélia Affini, de 88 anos. Ela quebrou uma vértebra, há oito anos, quando caiu em uma calçada má conservada. "Foi quando morávamos em Recife, mas muda a cidade e as calçadas são sempre esburacadas", disse a aposentada, que no ano passado fraturou o ombro ao cair em uma sorveteria.

Mesmo tomando todos os cuidados recomendados, a trabalhadora rural Adelina do Espírito Santo Ramires, 73 anos, caiu da cama ao se sentar para comer uma fruta. Moradora de Jales, ela foi transferida para o Hospital de Base de Rio Preto ao fraturar o fêmur e bater a cabeça no chão. Internada no dia 1° deste mês, Adelina faleceu três dias depois. "Foi um tombo baixinho, ela foi escorregando devagar, minha irmã não conseguiu segurá-la", disse uma das filhas dela, Magali Aparecida Ramires de Melo, 50 anos. "Tomávamos o máximo de cuidado. A gente não passava cera, nada que pudesse escorregar, já não tinha mais tapete, cadeira era adaptada, tinha barras de ferro no banheiro, nós que dávamos banho nela."

O risco de cair aumenta significativamente com a idade e as causas são diversas, desde o ambiente propício, como um chão escorregadio, até o nível de fragilidade. "Com o tempo, o idoso tem menos massa muscular, tem a marcha mais instável, a visão e a audição prejudicadas", afirma a geriatra.

Adaptações

Algumas adaptações simples transformam a casa em um ambiente muito mais seguro. Por exemplo, manter o caminho livre. Mesa de centro vira mesa de canto, tapete é melhor não ter. Trocar o pé do sofá por um mais alto, a cama mais alta também é importante. Isso porque é melhor fazer menos força nas pernas e quadril na hora de levantar. Outra dica é colocar protetores de feltro, cortiça ou borracha nos pés das cadeira, que têm que ser firmes e não podem escorregar.

O banheiro é um dos lugares mais perigosos da casa, onde acontecem muitos acidentes. A aposentada Ester Affini, 58 anos, adaptou o cômodo em sua casa para garantir sua segurança e de sua mãe, Adélia. Próximo ao chuveiro e ao vaso sanitário foram instaladas barras de ferro. O vaso sanitário também conta com um adaptador que fica fixo com parafusos. Ela conta que já caiu. "Foi só escoriações, eu estava conversando com uma amiga e me distrai. Eu estou jovem ainda, mas tenho muito cuidado, principalmente, porque minha mãe veio morar comigo."

A recomendação mais efetiva para evitar quedas, de acordo com a geriatra, é a pratica de atividade física resistida. "Para que consiga ganhar um pouquinho de massa muscular e com isso ter mais equilíbrio e mais estabilidade na marcha. É o que mais vai prevenir quedas, de longe. E ter um bom acompanhamento médico".

 

Recuperação é mais lenta e requer atenção

O processo de reabilitação no idoso ocorre de forma mais sutil, sendo necessários maiores cuidados. Thiago Gomes Figueira, fisioterapeuta e professor da Unorp, ressalta que o período de recuperação é aquele em que o idoso está mais suscetível a problemas cardiopulmonares, ao desenvolvimento de atrofia muscular, alterações articulares, escaras de decúbito e trombose venosa profunda. "Além disso a capacidade física é reduzida diariamente enquanto está em leito, e sua recuperação é em um ritmo bem menor."

A mobilização precoce do idoso vítima de fratura é prioritária e de grande importância no processo de recuperação. "No caso de não poder andar, devem ser realizados exercícios ativos e passivos ainda no leito e assim que possível progredir para atividade em cadeira de rodas e finalmente para a marcha. Tendo em vista que a idade avançada está relacionada ao retardo no processo de cicatrização, a prevenção continua sendo parte fundamental no cuidado do idoso."

O tempo de reparo de um osso fraturado é semelhante a um jovem adulto desde que o osso tenha um bom potencial de recuperação e o idoso não esteja acometido, de forma significativa, com outras doenças que possam causar complicações. "No entanto, com o passar da idade é natural o aparecimento de doenças como a osteoporose e, neste caso, isso pode fazer com que o tempo de consolidação óssea no idoso se torne bem maior", afirma Thiago.

A osteoporose, de acordo com o fisioterapeuta, acomete mais as regiões da coluna e do quadril, sendo essas áreas mais difíceis de consolidação óssea. "O estado nutricional também é um fator muito importante para que o idoso apresente um bom reparo ósseo", diz Thiago. (TP)

Fraturas em pessoas acima dos 60 anos

Internação por fraturas

  • 2016 - 1727 
  • 2017 - 1727 
  • 2018* - 432 
  • Total - 3886

Mortes por fraturas

  • 2016 - 85 
  • 2017 - 84 
  • 2018 - 18 
  • Total -  187

Tipos de fraturas: do crânio e dos ossos da face; pescoço, tórax ou pelve; fêmur; ossos de outros membros; envolvendo múltiplas regiões do corpo

*de janeiro a março de 2018

Cuidados em casa:

  • Não possua móveis baixos (mesinhas de centro, banquinhos, entre outros), que possam dificultar a passagem
  • Evite tapetes, principalmente ao lado da cama e nos corredores
  • Evite fios soltos, como extensões, fios de abajures e outros eletrodomésticos
  • Mantenha sempre iluminação adequada à noite, para facilitar a movimentação nesse horário
  • Instale barras de apoio dentro de boxes e ao lado de vasos sanitários
  • Instale faixas antiderrapantes nos pisos, principalmente onde haja presença de água
  • Use calçados estáveis e fixos ao pé, para evitar tropeçar no próprio calçado
  • Para o idoso que já tenha alguma debilidade de locomoção, faça uso de andador ou bengala, dentro e fora de casa

E, para precaver-se da osteoporose, é fundamental:

  • Praticar atividades aeróbicas de baixo impacto, como caminhadas, natação, hidroginástica, yoga, pilates, tai chi chuan, entre outras;
  • Fazer musculação;
  • Exercícios são fundamentais pois mantêm a integridade muscular e equilíbrio, minimizando a chance de quedas
  • Ter uma alimentação rica em cálcio, presente principalmente em derivados do leite e em verduras amargas;
  • Fazer uso de suplemento de vitamina D (sob orientação médica)
  • Tomar sol pela manhã

Fontes: Datasus (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde); geriatra Ana Carolina Garcia e Garcia; fisioterapeuta e professor da Unorp Thiago Gomes Figueira

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