Diário da Região

20/05/2018 - 00h30min

EU CHEGO LÁ

Série vai mostrar os atalhos do Enem

Exame ganha cada vez mais importância como porta de entrada para a universidade e cursos técnicos

Mara Sousa 19/5/2018 Jaqueline Silva dos Anjos - Enem - Escola Oscar de Barros Serra Doria
Jaqueline Silva dos Anjos - Enem - Escola Oscar de Barros Serra Doria

Foi-se a época em que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) servia apenas para verificar se o concluinte da última etapa da educação básica tinha aprendido o que deveria. Hoje a prova serve como vestibular em grandes faculdades públicas e particulares, para compor a nota de outras tantas, para ingressar em cursos técnicos, além de ser obrigatória para quem quer uma bolsa de estudos parcial ou integral ou financiamento estudantil para cursar o ensino superior. Cada vez mais o Enem vem equiparando-se com os grandes vestibulares do país, como Fuvest, Vunesp e Unicamp, e passou por mudanças estruturais importantes nos últimos anos, como a aplicação da prova em dois dias e não mais em um. 

Pensando nesta que se se transformou em uma porta para o futuro dos jovens e também daqueles que concluíram o ensino médio há mais tempo, o Diário da Região, em parceria com o Kelvin Pré-Vestibular, inicia neste domingo, 20, a série "Eu chego lá". Nossa reportagem vai acompanhar o dia a dia de Pedro e Jaqueline, dois alunos que vão prestar o Enem 2018 com o objetivo de conseguir a sonhada vaga na universidade. Eles contarão sobre sua rotina de estudos, dificuldades com as disciplinas, expectativas e resultados.

As matérias também trarão dicas de especialistas no assunto para quem vai fazer a prova neste ano. No início, elas serão quinzenais, mas conforme o dia 4 de novembro estiver se aproximando serão publicadas todos os domingos.

Quem vai chegar lá

Pedro Sotelo Calvo, 17 anos, faz cursinho pré-vestibular no Kelvin e pretende cursar engenharia mecatrônica na Universidade de São Paulo (USP) ou na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Na USP, o Enem pode servir como vestibular, pois a instituição destina parte de suas vagas para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que utiliza as notas da prova, e a outra parte para o vestibular convencional da Fuvest. Já na UFU, a única porta de entrada é o Sisu e, portanto, o Enem. 

A escolha do curso foi feita com base em sua afinidade com as matérias da área de exatas e por gostar de robótica. "A USP e a UFU são meu foco porque têm o curso e se destacam em rankings de melhor qualidade de ensino em engenharia mecatrônica", afirma. "Além disso, o que me atrai muito é a estrutura. Pesquisei na internet e percebi que elas têm muita infraestrutura para os alunos, estágios e iniciação científica."

Jaqueline Silva dos Anjos, 18 anos, vai fazer o Enem para tentar bolsa do ProUni para o curso de nutrição na Unirp ou para que a nota do exame colabore com a pontuação do vestibular de engenharia de alimentos na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Ela conheceu as duas instituições por meio da irmã e de uma amiga que estudaram nas escolas. Os cursos foram escolhidos por afinidade. "É o que eu gosto de fazer, mexer com alimentos, adoro cozinhar, desde pequena mexo com isso", conta.

A jovem concluiu o ensino médio em 2017 e, assim como Pedro, este é seu primeiro ano de pré-vestibular. Ela se prepara em dois cursinhos comunitários: no Vitoriano, de segunda a sexta-feira, e no Carolina Maria de Jesus, aos sábados e domingos.

A importância do Enem

André Roso, diretor do pré-vestibular do Kelvin, pedagogo e professor de Química, acredita que o Enem seja o exame que mais passou por mudanças nos últimos tempos. Antes mais voltado para a interpretação de textos, agora cobra conhecimentos técnicos tanto quanto os grandes vestibulares como Fuvest, Vunesp e Unicamp, assemelhando-se a essas provas.

"As cobranças são semelhantes, os assuntos pedidos são praticamente os mesmos. Perdeu aquela aura que o aluno teria que estudar especificamente para ele. Ele serve não só para a maior parte das universidades federais como ajuda em algumas particulares para conseguir bolsa, então todos os alunos prestam o Enem, tanto das escolas particulares como das públicas", afirma.

Pedro diz que, por querer fazer engenharia mecatrônica, seu ideal é trabalhar com a produção ou manutenção de robôs ou aparelhos robóticos. "Imagino que uma das minhas possíveis pretensões profissionais seria trabalhar em indústrias, no processo de fabricação de qualquer produto ou até na produção de robôs para lazer ou como brinquedos", fala. 

O jovem afirma que o Enem se equipara a outros grandes vestibulares do país, sendo longo e difícil de fazer, sobretudo por causa dos textos. "Além de exigir conceitos de matérias, exige também muita preparação. É importante como principal meio de entrada para quase todas as faculdades federais do país, então o Enem é uma das principais e mais importantes provas para a vida de qualquer jovem que pretende construir o seu futuro profissional com base em um currículo de faculdade", conclui.

Jaqueline pretende trabalhar como chef de cozinha, confeiteira ou atuar em outra área do ramo. "Para mim, a prova do Enem é importante porque através dela estou tentando conseguir uma bolsa integral pelo ProUni, então é fundamental porque vai me colocar na faculdade particular."

Preparação pesada requer horas de estudo diário

Pedro, 17 anos, aluno do Kelvin que sonha em cursar engenharia mecatrônica, faz cursinho pela manhã e estuda durante toda a tarde. Em casa, à noite, depois do banho e do jantar, volta aos livros. "Em média, durante a semana, eu estudo seis, seis horas e meia por dia", fala. Essa quantidade de tempo não conta o que é dedicado às aulas pela manhã, no cursinho. "Sábado acaba por ser entre cinco horas e meia e seis horas e meia e domingo acaba ficando só três horas e meia", conclui ele, que restringiu a prática de atividades físicas aos finais de semana.

Após os cursinhos Vitoriano e Carolina Maria de Jesus, Jaqueline Silva dos Anjos, 18 anos, dedica duas horas aos estudos, para fazer exercícios de acordo com as matérias ensinadas pelos professores voluntários. Todos os dias, faz academia por duas horas. "Costumo sair com meus amigos ou meu namorado no sábado ou domingo à noite, mas estou evitando porque faço cursinho de domingo a domingo", conta.

Pedro utiliza provas de anos anteriores do Enem e dos vestibulares para se preparar, assim como Jaqueline, que faz exercícios de provas anteriores da Unesp e sente que a dificuldade que tinha para resolver as questões está diminuindo. "O Enem está mais difícil principalmente na parte de exatas, e a parte de humanas tem ficado mais conceitual e interpretativa, baseada em ler textos longos", opina ele.

Antonio Henrique Corrêa, o Toninho, coordenador do pré-vestibular do Kelvin e professor de Língua Portuguesa, acredita que os alunos precisam estudar todos os dias as matérias ensinadas em sala de aula, resolvendo os exercícios propostos pelo material do cursinho. "O aluno deve se concentrar bem em sala de aula, tentar reter o máximo de conhecimento ali, criar uma estratégia de estudo para guardar esse conhecimento", orienta. Quando o estudante fizer os exercícios, aparecerão as dúvidas. É necessário procurar o professor para sanar todas elas. 

André Roso, diretor do Kelvin, pedagogo e professor de Química, também acredita que seis horas é o tempo mínimo de estudos se o vestibulando quiser entrar em um curso concorrido. Independente de ser escola pública ou particular, o correto é estudar todos os dias a matéria explicada pelo professor, evitando acúmulos. 

Toninho lembra que o foco do estudante está no vestibular, mas que ele não deve deixar de praticar atividades de esporte e lazer, ainda que em menor quantidade. "É preciso que a vida aconteça normalmente." André sugere, para quem tiver condição, fazer acompanhamento com um psicólogo ou pelo menos assistir a uma palestra. "Para acalmar, deixar o aluno mais confiante em si mesmo." (MG)

Dá tempo de garantir boa nota

A cerca de cinco meses e meio da prova, pode bater aquela dúvida: "Se ainda não estudei com o empenho que deveria, ainda dá tempo de chegar ao Enem bem preparado e obter uma boa nota?". A resposta dos professores ouvidos pelo Diário é que isso é, sim, possível.

"Sempre é tempo, sempre há possibilidade, porém tem que lembrar que ele sai em desvantagem", diz André Roso, diretor geral do Kelvin, pedagogo e professor de Química. Ele pensa que talvez não compense iniciar um cursinho neste ponto porque os professores estão em um ritmo acelerado, então quem não se preparou até o momento talvez não consiga acompanhar. "O ideal é que ele vá no ritmo dele procurando estudar através da internet ou livros, mas sempre acelerando esse ritmo, esquecer férias e ir direto até os dias 4 e 11 de novembro."

Antonio Henrique Corrêa, o Toninho, coordenador do pré-vestibular do Kelvin e professor de Língua Portuguesa, fala que o vestibulando terá um pouco mais de dificuldade, mas alguns cursos podem ajudar a aprofundar o conhecimentos. 

Para quem não tem condições de custear as despesas de um curso pré-vestibular, André aconselha os livros - sejam comprados de livrarias, adquiridos em sebos ou emprestados das bibliotecas. "Se ele não tem nenhuma ajuda de professor, hoje em dia existem na internet muitas videoaulas que podem ajudar muito o aluno." (MG)

Estude todas as disciplinas

Pedro Sotelo Calvo, aluno do Kelvin de 17 anos que quer cursar engenharia mecatrônica, está estudando as matérias em que tem mais dificuldade, mas sem deixar de lado aquelas em que têm mais aptidão. Jaqueline Silva dos Anjos, de 18 anos, aluna dos cursinhos Vitoriano e Carolina Maria de Jesus, que busca vaga em engenharia de alimentos ou nutrição, também mescla os dois grupos de disciplinas.

O professor Antonio Henrique Corrêa, coordenador do pré-vestibular do Kelvin, defende que neste momento a melhor estratégia é se dedicar a todas as matérias e ler bastante, pois o Enem é uma prova interpretativa que cobra noções de atualidades inclusive misturadas nas questões de história, por exemplo, fazendo ligações com acontecimentos passados.

Segundo ele, talvez em outro momento, mais perto da prova, seja vantajoso dedicar-se mais às matérias que se aprende mais facilmente. "Se perceber que está com muita dificuldade em determinada disciplina vale a pena tentar dar conta daquela que tem mais habilidade, mas em maio ainda dá para ter mais abrangência, de correr atrás de tentar encontrar um equilíbrio entre aquelas que tem mais com as que tem menos habilidade."

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) acontece nos dois primeiros domingos de novembro. No dia 4 serão aplicadas as provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Redação e Ciências Humanas e suas Tecnologias. O aluno terá cinco horas e meia para resolver as questões e redigir seu texto. No dia 11 é a vez de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias, com duração de quatro horas e meia.

Cada prova tem 45 questões, totalizando 180 perguntas de múltipla escolha. Para cada pergunta são cinco alternativas e apenas uma opção correta. A redação deve ter no mínimo sete linhas e no máximo 30. (MG)

Pedro Sotelo Calvo

  • Idade: 17 anos
  • Como se prepara para o Enem: Fazendo cursinho pré-vestibular no Kelvin
  • Rotina de estudos: Seis horas e meia de dedicação aos livros durante a semana, pelo menos cinco horas aos sábados e três horas e meia aos domingos, fora as aulas do cursinho
  • Aonde ele quer chegar? Ao curso de engenharia mecatrônica na Universidade de São Paulo (USP) ou na Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
  • O que ele espera do trabalho? Pensa em trabalhar com produção ou manutenção de aparelhos robóticos em indústrias

"O Enem se equipara com vestibulares mais difíceis do país. É um vestibular que além de exigir conceitos de matérias exige muita preparação, acaba sendo bem difícil. É uma das principais e mais importantes provas para a vida de qualquer jovem que pretende construir o seu futuro profissional com base em um currículo de faculdade."

Jaqueline Silva dos Anjos

  • Idade: 18 anos
  • Como se prepara para o Enem: Fazendo cursinho pré-vestibular no Vitoriano e no Carolina Maria de Jesus
  • Rotina de estudos: Aula todos os dias, inclusive aos finais de semana, e mais duas horas dedicadas aos livros depois do cursinho
  • Aonde ela quer chegar? Ao curso de engenharia de alimentos na Universidade Estadual Paulista (Unesp) ou ao de nutrição na Universidade de Rio Preto (Unirp)
  • O que ela espera do trabalho? Quer trabalhar como chef de cozinha, confeiteira ou ter algum outro trabalho neste ramo

"Para mim a prova do Enem é importante porque através dela estou tentando conseguir uma bolsa integral pelo ProUni, para mim ele é fundamental porque vai me colocar na faculdade particular."

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