Diário da Região

31/05/2018 - 00h30min

TECNOLOGIA

Novo teste mede infestação monitorando a fêmea do Aedes

Famerp supervisiona criação de teste que mede o risco de transmissão de dengue por meio de armadilhas que capturam mosquito. Assim é possível saber quantas fêmeas - vetores da doença - estão em cada área

Johnny Torres/Arquivo Mosquitos
Mosquitos

Um novo teste que mede o risco de transmissão de dengue está sendo desenvolvido em Rio Preto com base na presença de fêmeas adultas do mosquito Aedes aegypti, que são quem transmitem a doença. A nova tecnologia é 71% mais barata do que o Índice de Breteau (IB), método atualmente utilizado, e foi testada sob a supervisão de Maurício Lacerda Nogueira, do Laboratório de Virologia da Famerp, e de Francisco Chiaravalloti-Neto, da Faculdade de Saúde Pública da USP.

"A gente percebeu que o IB não é um bom indicador e envolve muita gente, então fez esse índice baseado em medir a quantidade de fêmeas, que a gente acha mais fidedigno", afirma Maurício.

O Breteau leva em conta a relação entre o número de recipientes que tinham larvas e o número de imóveis pesquisados, mas a dengue é transmitida pelo inseto adulto. O pesquisador cita o IB de janeiro deste ano, que ficou em 6,7, o maior da série histórica desde 2003. Na contramão desse indicador, no entanto, até o momento foram confirmados 246 casos de dengue, número 98,6% menor que os 18,6 mil registrados em 2013, ano da pesquisa.

Uma outra explicação para o baixo número de casos de dengue é que boa parte dos rio-pretenses já está imune à doença, que fez 16,2 mil vítimas apenas em 2016. Um novo surto só deve ocorrer se o sorotipo 3, que não circula há anos na cidade, voltar.

As novas análises foram feitas na zona Norte de Rio Preto entre os anos de 2012 e 2013. Os pesquisadores colocaram nas residências armadilhas para mosquitos que imitam o cheiro humano, atraindo os insetos. Cada uma das 56 ficava a uma distância de 200 a 400 metros da outra, metade do raio de voo do Aedes. No dia seguinte, o dispositivo era retirado. Isso foi feito duas vezes por semana durante um ano inteiro e após esse período foi possível coletar dados de 1,5 mil armadilhas.

De acordo com a Agência Fapesp - de quem a pesquisa recebeu apoio - foi possível coletar dados de 62 residências. Como a armadilha é colocada do lado de fora da casa, mas dentro da propriedade, todos os moradores precisaram autorizar. Conforme o número de fêmeas adultas capturadas por armadilha foi calculado um índice entomológico, que corresponde ao número de fêmeas de Aedes aegypti por 100 residências vizinhas ao local da armadilha ao longo de uma semana.

Ao todo, foram capturados 536 machos 797 fêmeas do Aedes e chegou-se à conclusão que quanto mais fêmeas eram encontradas mais crescia o índice de dengue. Na área de estudos, foram confirmados 1.137 casos da doença. Embora a quantidade de fêmeas coletadas em uma residência possa ser pequena, ela serve de parâmetro para calcular a infestação da vizinhança.

Nova fase

A equipe já iniciou uma nova fase de estudos na Vila Toninho, onde ocorrem grande parte das pesquisas relacionadas à vacina da dengue em Rio Preto. "A gente está expandindo esse estudo em nova etapa para verificar se esses dados se repetem. Se não é melhor, pelo menos mais barato e mais eficiente que o Índice de Breteau", diz Maurício. Zika e chikungunya também serão testados. Apesar das descobertas, a nova forma de medir a infestação de mosquitos não deve ser implementada quando os estudos forem concluídos. Atualmente o Ministério da Saúde exige que os municípios realizem o Índice de Breteau ou o Liraa. "A gente tem que fazer mais uma rodada de estudos e aí talvez chega um momento em que acaba o papel da universidade e a implementação depende das autoridades de saúde do Brasil", fala Maurício.

Casos de dengue

Nesta quarta-feira, 30, foram confirmados 130 novos casos de dengue, totalizando 246 até maio de 2018. O aumento entre abril e maio é de 112%, mas o número é 31% menor que os 357 registrados em período similar do ano anterior. Há 425 notificações ainda em investigação. Ainda conforme a Secretaria de Saúde, até o momento são 68 casos de zika vírus, sendo um em gestante. Outros cinco seguem em investigação. Foram confirmados seis casos de chikungunya e há cinco notificações sendo investigadas.

As diferenças entre os métodos

ÍNDICE DE BRETEAU

  • Mais comumente utilizado, leva em consideração a relação entre o número de recipientes positivos e o número de imóveis pesquisados. É corrigido de forma que o resultado seja expresso para 100 imóveis.
  • O número de recipientes positivos é dividido pelo de imóveis visitados e o resultado é multiplicado por 100. Em janeiro, quando o índice ficou em 6,7, por exemplo, significa que a cada 100 recipientes vistoriados 6,7 tinham larvas.
  • São necessários centenas de agentes de saúde, que precisam entrar em cada imóvel e vistoriar os criadouros, sempre com autorização do proprietário.

NOVO MÉTODO

  • Duas vezes por semana, uma armadilha é colocada a cada 200 a 400 metros na área que precisa ser analisada. O dispositivo imita o cheiro de humanos e atrai o mosquito, que acaba ficando preso lá.
  • São necessárias algumas pessoas para colocar as armadilhas em um dia e recolher no outro. É preciso pedir autorização para entrar em apenas um imóvel a cada quarteirão ou mais - apenas onde será colocado o dispositivo.
  • Com base no número de fêmeas adultas coletadas por armadilha é calculado um índice entomológico, que corresponde ao número de fêmeas de Aedes aegypti por 100 residências vizinhas ao local da armadilha ao longo de uma semana.
  • O fato de serem coletadas poucas fêmeas em uma armadilha não prejudica as análises, pois a quantidade serve de parâmetro para calcular a infestação da vizinhança.

Fonte: Agência Fapesp, Maurício Lacerda Nogueira, do Laboratório de Virologia da Famerp e Ministério da Saúde

Testes de zika e dengue mais baratos

O teste de zika e dengue pode custar milhares de reais a menos. Uma nova tecnologia de diagnóstico que não utiliza equipamentos laboratoriais foi desenvolvida por pesquisadores americanos em parceria com Maurício Lacerda Nogueira, do Laboratório de Virologia da Famerp e presidente da Sociedade Brasileira de Virologia. O estudo também teve participação de Adriano Mondini, da Unesp de Araraquara.

Maurício afirma que foram trabalhados os vírus de zika e dengue, mas os testes serviriam para qualquer tipo de doença viral. "É uma metologia nova, teoricamente mais barata, mais rápida que a gente acredita que no futuro vai ser o método padrão de diagnóstico de doenças virais." O novo sistema foi capa da revista científica americana Science no fim de abril.

Atualmente o método para detecção de dengue e zika envolve o PCR, equipamento que custa pelo menos 6 mil dólares - cerca de R$ 22,2 mil. O novo teste, batizado de Sherlock, pode ser feito com equipamentos que qualquer laboratório já possui, com reação enzimática realizada em tubo de ensaio ou tiras de papel, e ainda mais rápido: no método convencional o tempo de espera pelo resultado chega a cinco horas, no novo não passa de duas.

De acordo com Maurício, Sherlock detectou com 100% de precisão os vírus, mesmo nas amostras que continham mais de um. Os cientistas adaptaram uma enzima chamada CRISPR-Cas13 em um ajuste simples de ser feito. Conforme a Agência Fapesp, a enzima é capaz de reconhecer ácidos nucleicos (RNA ou DNA), acrescentando moléculas que indicam a presença de um alvo genético, como um vírus. (MG)

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