Diário da Região

16/04/2018 - 18h44min

Painel de Ideias

A medida da maldade

Em resumo, de tanto presenciar o crime e o jeitinho, somos um país já um tanto desanimado da virtude. Nas creches, nos hospitais, nos institutos, ladrões vestem-se de santos altruístas para furtarem os produtos da doação

Arquivo Washington Paracatu | washingtonparacatu@gmail.com
Washington Paracatu | washingtonparacatu@gmail.com

Pesquisas universitárias revelam: doar faz bem à saúde física e mental do doador. Assim, a máxima do senso comum "É dando que se recebe" nunca se mostrou mais verdadeira. Quando damos roupa usada, cesta básica ou R$ 2 a um pedinte, praticamos um bem indiscutível. Contudo, nosso gesto nos proporciona sensação de bem-estar, aumenta nossas defesas imunológicas, ajuda na nossa compreensão de empatia e de altruísmo. Se observada por terceiros, ainda que involuntariamente, nossa doação também aumenta nosso prestígio social, pode ser deduzida do imposto de renda, revela-se uma boa propaganda empresarial e eleva a admiração de outras pessoas por nós.

Portanto, doar faz um bem indiscutível a quem recebe; e um bem incalculável ao doador.

No Brasil, a filantropia existe em práticas culturais arraigadas e se mostra paradoxal. De um lado, as doações moldadas pelo interesse político, social, econômico. Pessoas doam em busca de voto, de status social, de isenções fiscais. Contudo e felizmente, também há genuína preocupação com o próximo, sentimentos pautados pela ética, pela religião, pela evolução espiritual.

A doação se mostra onipresente. Hospitais, creches, asilos, instituições destinadas ao auxílio de crianças, de usuários de drogas. E também temos as ONGs de apoio aos cães, aos menores, às minorias, à Mata Atlântica. E há pedintes nas ruas, nos semáforos, nas portas das residências. O brasileiro doa e estimula práticas paradoxais no cotidiano da nação: exemplos de solidariedade genuína, de um lado, e abusos criminosos, de outro.

Notícias publicadas aqui no Diário da Região revelam: há pessoas que se aproveitam da bondade alheia e se apropriam das doações feitas a institutos de auxílio aos necessitados. Como justificar tamanha atrocidade? São os mercadores da solidariedade. Os escândalos envolvem pessoas vis e aproveitadoras da "Pilantropia": neologismo usado para definir a prática de roubar o produto da doação.

Uma vez, alunos de colégio particular fizeram uma gincana e doaram sabonetes a uma creche. Alguns deles trocaram os produtos caros por outros baratos na proporção um por um. Eu disse que era roubo, que a troca deveria ser na proporção um por cinco, e um deles replicou: "Os pobres nem conhecem esta marca. Vão ficar mal acostumados." Eis o retrato pleno do jeitinho brasileiro.

Em resumo, de tanto presenciar o crime e o jeitinho, somos um país já um tanto desanimado da virtude. Nas creches, nos hospitais, nos institutos, ladrões vestem-se de santos altruístas para furtarem os produtos da doação. Não se pode perpetuar tal desvio de finalidade e de conduta, pois isso desestimula o verdadeiro altruísmo. Pelo contrário, devemos exigir transparência de todos que se dedicam à filantropia, com punições severas aos desviados em sua conduta. Qual é a medida da maldade humana que mercantiliza a dor do outro em busca de favorecimento pessoal?

 

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