Diário da Região

24/04/2018 - 22h52min

É A VIDA

Voluntárias fazem enxovais e doam para bebês de famílias carentes

Grupo de costureiras de centro espírita André Luiz faz e doa enxovais completos para bebês de famílias carentes. Trabalho já dura 25 anos e precisa de apoio para continuar existindo

Guilherme Baffi 5/4/2018 Nas fotos, grupo de voluntárias
do centro espírita com as peças:
por ano, cerca de cem enxovais
para recém-nascidos são doados
a famílias carentes
Nas fotos, grupo de voluntárias do centro espírita com as peças: por ano, cerca de cem enxovais para recém-nascidos são doados a famílias carentes

Imagine você com um bebê chegando e sem condições de comprar fraldas, mantas e roupinhas para recebê-lo? Foi pensando nessas mães que há 25 anos surgiu a equipe de costura do Grupo Espírita André Luiz, em Rio Preto. Por ano, elas entregam cerca de 100 enxovais para recém-nascidos de famílias carentes. Ao longo de toda a história, são cerca de 2,5 mil conjuntos. 

Tudo começou com as amigas Arlete de Oliveira Xavier, de 82 anos; Ana Maria Evangelista de Oliveira, 61; Marialda Caliari e Maria Beatriz Rossato. Outras voluntárias se juntaram durante a trajetória do grupo, mas elas são as mais antigas e que nunca abandonaram o projeto. O trabalho diário é totalmente voluntário e só pode ser realizado com doações da comunidade, mas as costureiras têm encontrado dificuldades. Além de doações, as vendas de produtos feitos pela equipe de artesanato do grupo ajudam quando alguma coisa falta e é preciso comprar - as mulheres também fazem vaquinha do próprio bolso para continuar com o propósito.

Para descobrir as mães que precisam de ajuda, o grupo firmou parceria com o Centro Espírita Maria de Nazaré, que oferece o curso de gestantes e as encaminha para ganhar os itens do bebê que vai nascer. Além disso, doam também quando ficam sabendo que alguém está precisando. O enxoval é composto por seis pagãos, seis macacões, três meias, um jogo de lençol, um pacote de fralda de pano, 32 fraldas descartáveis, um coeiro e, se estiver frio, três sapatos de lã. No verão, vai uma manta; no inverno, um cobertor.

Produção

Grande parte dos itens é confeccionada pelas 18 voluntárias do grupo, como os macacões. Alguns, no entanto, não há como costurar, por isso as mulheres compram pronto em tamanhos grandes e cortam em partes quando não há doações das peças específicas para bebês. Uma manta de casal, por exemplo, vira várias pequenas para as crianças recém-nascidas. Os pacotes de mais de 100 fraldas são fracionados. 

Arlete gosta do trabalho desenvolvido. "Eu que sou abençoada, eu que sou a pessoa que recebe mais. O que eu doo é muito pouco, uma gota no oceano, mas o que eu recebo é muito", acredita. A dona de casa vai ao grupo espírita todos os dias e este não é seu primeiro trabalho voluntário - antes, atuou, por exemplo, no albergue noturno.

Ela destaca que não há na equipe de costura especialistas em determinada área. Todas pregam botão, costuram, montam as peças. Essa união carrega de sentimentos bons os itens do enxoval. "Você tem uma roupa novinha, feita com carinho, passa por três, quatro mãos, ela vai cheia de amor. Ninguém vai trabalhar ali se não tiver vontade. A pessoa que trabalha de voluntária não vai obrigada, vai por amor", acredita. "Ninguém te obrigou a ir lá, você vai porque gosta, se sente feliz de ver que pode amenizar o sofrimento do próximo."

Terapia gratuita

Ana Maria resolveu ajudar as mães por uma necessidade de se sentir útil. Os filhos estavam crescendo e ela teve vontade de ocupar o tempo. "Acaba fazendo parte da sua vida. Essa semana que passou eu não pude ir. Você sente a maior falta", afirma. Para a dona de casa, a equipe é mais beneficiada do que aquelas que recebem as peças. "Muitas vezes você está meio chateada, tem algum problema, chega lá e esquece tudo. É uma terapia de graça", considera. "Você acha que está ajudando e quem está sendo ajudada é a gente mesmo. Distrai, conversa, acaba esquecendo."

Arlete compara o trabalho a uma árvore. "Começou bem pequenininho e hoje está bem desenvolvido. Nós pegamos quando ela começou a brotar e agora tem vários ramos produzindo, com várias pessoas trabalhando." Para ela, é satisfatório saber que é possível realizar o trabalho, um desprendimento que dá prazer e alegria no coração. "É só a pessoa querer. Eu posso, você pode. Os maiores beneficiados somos nós. Podemos ver que tem alguém que precisa, que temos a possibilidade de colaborar, diminuir o sofrimento da pessoa que não tem." A dona de casa já conheceu várias pessoas beneficiadas pelas mãos das amigas costureiras. Algumas voltam para agradecer, outras para pedir o enxoval do segundo filho, outras se encontram por acaso. 

Além dos enxovais, as costureiras também doam peças para o Hospital de Base e o Hospital da Criança e Maternidade, como pijamas curtos e compridos, calças e bermudas para adultos e pequenos e também fronhas para os travesseiros. Muitas das peças devem ser feitas com malha, que oferece maior elasticidade na hora de vestir, facilitando para quem está com soros e outros aparelhos ligados ao corpo. "A gente não tem acesso a entrar lá, então as voluntárias trabalham em parceria, vêm pegar com a gente as roupinhas", explica Ana. Touquinhas de lã e cachecóis são doados para a Associação dos Amigos da Criança com Câncer (Amicc), Casa de Apoio ao Paciente Adulto com Câncer (Capac) e para Barretos.

Como ajudar

O Grupo Espírita André Luiz fica na rua Antônio de Godoy, número 5.949, no Centro. O telefone é o (17) 3227-7632. As voluntárias aceitam doações tanto de cobertores, mantas, toalhas de banho e fraldas descartáveis e de pano prontos como de tecidos e linhas para que possam fazer as roupas. "A gente está bem necessitado porque está difícil, ninguém está doando mais", reforça Ana. 

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha?
Não lembro a minha senha!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso