Diário da Região

17/04/2018 - 22h20min

É A VIDA

A dura rotina de quem luta pela sobrevivência pelas ruas

Sem conseguir arrumar emprego, moradores fazem dos cruzamentos de trânsito uma forma de ganhar a vida - seja com placas ou fantasiados de palhaço

Fotos: Johnny Torres 21/3/2018 Francisco Moreira, 48 anos, começou a
pedir nas ruas depois de vir do Rio de
Janeiro e não conseguir trabalho: além
de dinheiro, ele pede oferta de emprego
Francisco Moreira, 48 anos, começou a pedir nas ruas depois de vir do Rio de Janeiro e não conseguir trabalho: além de dinheiro, ele pede oferta de emprego

Nas esquinas da avenida Murchid Homsi, em Rio Preto, muitas vidas se misturam. Sob o sol, às vezes sob as estrelas, malabares, venda de pirulitos ou o simples ato de pedir por alguma ajuda em dinheiro ou emprego.

Um desses trabalhadores do semáforo é Francisco Moreira, de 48 anos, que chegou do Rio de Janeiro em julho do ano passado. Ele veio para se encontrar com Roseli, de 47, por quem se apaixonou por meio do Facebook. Lá, trabalhou 14 anos e meio em um grande supermercado, a maioria do período como fiscal. "Vim para cá na esperança que minha vida aqui fosse melhor. Desde então não arrumei emprego, já mandei currículo para tudo quanto é mercado dessa cidade e nada", afirma ele, que mora de aluguel em uma casa no Solo Sagrado.

Sem serviço, recorreu às ruas. Foi panfleteiro, vendedor de doces e de panos. "Em uma hora e meia na rampa em frente ao McDonalds venderam dez kits de panos, mais duas horas na Bady Bassitt venderam seis. Pensei comigo 'encontrei um ramo em que posso me manter até arrumar emprego', mas depois não vendeu nada", lamenta Francisco.

Quando o sinal fica vermelho, ele se aproxima dos motoristas segurando uma placa em que se lê: "Por favor! Estou desesperado. Ajude um pai de família desempregado a pagar as contas e sustentar sua família. Deus abençoe. PS: Aceito oferta de emprego". Francisco diz: "Essa frase me foi dada por um morador de rua, graças a Deus estou conseguindo manter a casa. Um pouco aos trancos e barrancos, mas eu consigo."

A ajuda das pessoas vem em pequenas porções. A média diária é de R$ 60, mas tem vezes que o lucro é bem menor, por isso a vontade de Francisco é mesmo conseguir um emprego formal. "Isso daqui é um quebra galho ou, como a gente fala no Rio, é macaco gordo." São várias as dificuldades de ter a rua como fonte de renda. "O calor, o tempo que a gente leva para conseguir um valor bom para levar para casa." Os condutores que fecham a janela quando o veem se aproximando já não incomodam mais. "Isso daí eu já me habituei, não importa mais. Tem um que fecha, tem dois, três que abrem", pontua Francisco.

Com o que consegue no cruzamento da Murchid Homsi com a marginal Governador Adhemar Pereira de Barros, tem que sustentar a si mesmo, a mulher Roseli, que trabalha uma vez por semana como faxineira, e os dois filhos dela, um de 18 e outro de 7 anos, o mais velho desempregado. Francisco não fala mais em sonhos, mas em objetivos. "O meu é comprar uma casa própria. Aos trancos e barrancos consigo pagar as contas, mas não quero continuar fazendo isso."

Um palhaço na esquina

Tudo que Manoel Alexandre Dumas Neto faz é pelos filhos. Aos 37 anos, ele se veste de palhaço e fica na avenida Murchid Homsi. Em troca de qualquer valor em moeda ou nota, entrega pirulitos. Quem o ajuda na tarefa é a filha Kethilyn, 18 anos, casada, mãe de Bryan e grávida de Miguel.

Manoel chegou de São Paulo há 11 meses. Veio para Rio Preto porque a ex-mulher se mudou para cá, então veio cuidar dos cinco filhos. Além da mais velha, é pai de Miriam, de 15 anos; Ana, de 12; Brenda, de 7; Breno, de 5 e Flávio, de 2. Três deles moram com o homem, um com a mãe e Kethilyn vive com o marido. Desde que chegou à cidade, a rua é o ganha-pão de Manoel. "Sou metalúrgico, já trabalhei em portaria, varredor de rua, mas hoje me encontro desempregado. Minha última profissão foi em portaria e torneiro mecânico, em que tenho mais tempo de carteira."

Ele foi demitido do serviço de metalúrgico em 2014 e 2015 da portaria. Sem conhecer Rio Preto direito, não sabe muito bem onde procurar emprego. "Me mantenho mesmo do farol. Moro no bairro Santa Clara e pago aluguel."

Os rendimentos variam dia a dia. "Tem dia que faz R$ 50, R$ 30, R$ 20, tem dia que não faz nem R$ 10, tem outro que é abençoado e faz R$ 70, R$ 80." Apesar de ter três filhos morando com ele, Manoel diz que ajuda a ex-esposa quando possível. "Tudo que eu faço é por eles, levar para casa, pagar aluguel. Tenho expectativa de arrumar emprego."

Os desejos de Manoel são conseguir comprar a casa própria e cuidar dos filhos, dando a eles uma educação digna. Segundo ele, com a idade os sonhos se transformam em objetivos. Ele quer uma vida estável. "Para meus filhos terem a satisfação de morar comigo, hoje eu não posso dar tudo do bom e do melhor a eles, mas quero poder conceder aquilo que eles desejarem no coração deles."

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha?
Não lembro a minha senha!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso