SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 07 DE JULHO DE 2022
Polícia

Mulher é morta dois dias após dar à luz

Companheiro dela e pai da criança foi preso e teria confessado o crime

Marco Antonio dos Santos
Publicado em 04/04/2018 às 22:19Atualizado em 08/07/2021 às 10:57
Maria do Socorro Alves, 71 anos, com o filho Adeildo, 40, mãe e irmão de Maria Fabrícia
da Silva (acima), que foi
morta pelo namorado  (Reprodução)

Maria do Socorro Alves, 71 anos, com o filho Adeildo, 40, mãe e irmão de Maria Fabrícia da Silva (acima), que foi morta pelo namorado (Reprodução)

O marceneiro Hiago Henrique de Souza, de 20 anos, foi preso pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Rio Preto, na madrugada desta quarta-feira, dia 4, acusado de ter enforcado até a morte a namorada, a cuidadora de idosos Maria Fabrícia da Silva, de 36 anos. No domingo, 1º, a mulher deu à luz uma menina, filha de Hiago. Esse foi o 15º homicídio do ano em Rio Preto

Para ocultar o crime, o marceneiro pegou o celular, R$ 200 e documentos da vítima, simulando latrocínio - roubo seguido de morte. Ele jogou o corpo da mulher em um terreno baldio no final da avenida Mirassolândia, na Estância São Thomaz, zona Norte de Rio Preto, segundo a DIG.

Para completar a farsa, Hiago foi até a Central de Flagrantes registrar boletim de ocorrência sobre o desaparecimento da mulher. Mas a atitude dele, ao relatar o sumiço da mãe da filha, sem qualquer emoção, despertou desconfiança.

"Tinha uma investigadora de plantão, que é noiva de um investigador nosso da DIG. Ela achou a situação estranha, pelo nervosismo dele e anotou os dados. Posteriormente, quando a Central de Flagrantes foi comunicada do encontro do cadáver de uma mulher, ela ligou um fato ao outro e falou para o noivo", diz o delegado Alceu Lima de Oliveira Júnior, da DIG.

Ao ser interrogado, o marceneiro despertou nova desconfiança. "De imediato ele deu um fora. A gente não comunicou que ela estava morta e ele falava dela no passado. Falando que 'tinha' 36 anos," afirma o delegado. Levado até a Central de Flagrantes, Hiago disse aos investigadores que contaria toda história, mas longe da irmã e da mãe.

Segundo a DIG, o jovem confessou que, na tarde de terça-feira, 3, tinha brigado com Maria Fabrícia. Para acalmá-la, propôs passear no carro. No meio do trajeto, no fim da avenida Mirassolândia, ele parou o veículo e enforcou a mulher com um golpe de gravata no pescoço. Depois colocou lacres de plásticos, conhecidos como enforca-gatos, no pescoço da mulher, e abandonou o corpo, sem documentos, celular e dinheiro.

Segundo familiares, o bebê não estava no carro no momento do crime. À família, Hiago teria dito que a mulher havia saído e não voltou para casa, por isso relatou o sumiço na polícia.

Depois de confirmar o crime, Hiago revelou onde tinha escondido o celular e o que restou dos R$ 200 que tinha pegado da vítima. O que chamou a atenção dos policiais é que o telefone tinha já sido formatado, com todas as conversas, registros telefônicos e fotos apagadas. O aparelho foi enviado para o Instituto de Criminalística que vai fazer a recuperação dos dados.

Qualificação do crime

Mesmo Maria Fabrícia tendo sido morta pelo pai de sua filha e companheiro, o delegado Alceu não registrou o caso como feminicídio.

"Classificamos como latrocínio porque houve a subtração patrimonial. Ele se apoderou do dinheiro dela, que eram R$ 200, que ela havia acabado de sacar e do celular. Pelo homicídio ele poderia pegar pena de 12 a 30 anos e pelo latrocínio poderá ficar preso de 20 a 30 anos".

Higor foi apresentado na audiência de custódia, onde o juiz determinou a prisão preventiva. Ele será encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Rio Preto.

Até o fechamento desta edição, o corpo de Maria Fabrícia permanecia no Instituto Médico Legal (IML) de Rio Preto e não havia informações sobre o velório e o enterro. A família dela é de Monteiros, interior da Paraíba.

Hiago Henrique de Souza, condenado pela morte da ex-companheira (Reprodução)

 
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