Diário da Região

28/04/2018 - 18h48min

MINIGÊNIOS

Projeto procura crianças que possuem talento nato

Especialistas conseguem identificar 140 estudantes com altas habilidades que estudam na rede municipal de ensino de Rio Preto

Mara Sousa 27/4/2018 Lara Marques Bernardo no Gerador de Van de Graaff (1).JPG
Lara Marques Bernardo no Gerador de Van de Graaff (1).JPG

Toda criança tem um talento nato. Algumas nos esportes, outras em matemática, ciências ou informática.

A grande diferença é que algumas possuem uma aptidão maior do que outras. Além disso nem todas conseguem identificar esse talento ou demoram para descobrir as tais habilidades.

Esse não é o caso da Lara, do Matheus, do Everton e do Willian, que já descobriram quais são suas habilidades e agora estão trabalhando para lidar com elas e aprimorá-las. Os quatro fazem parte de um grupo de 140 alunos da rede pública de Rio Preto que participam de cursos do Centro para o Desenvolvimento do Potencial e Talento (Cedet). Trata-se de um espaço com profissionais capacitados para identificar o nível dessas habilidades nas crianças e desenvolver atividades em grupos para aprimorar essas potencialidades.

Carla Cristina Pereira Job, coordenadora do Cedet, conta que o trabalho começa nas escolas municipais da cidade, com aplicação de um questionário pelos professores aos alunos, com objetivo de descobrir esses talentos.

"Primeiro, identificamos as crianças e depois começamos a acompanhar o aluno na escola e as atividades que ele gosta de fazer" explica. Os alunos identificados são convidados a participar do Cedet, que é organizado em "clubes" de alunos de acordo com suas aptidões.

Uma das alunas é Lara Marques Bernado, de 14 anos, que faz parte do Clube de Matemática. Ela coleciona medalhas das Olimpíadas Brasileiras de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP).

"Ela tem um raciocínio que me encanta, tudo que é apresentado é fácil para ela. A gente fica com muito orgulho, porque somos de classe média e desenvolvimento que ela conquistou foi com ajuda de professores" diz a auxiliar financeira Maria Izabel Marques, mãe de Lara.

Ela conta que começou a perceber a aptidão da filha pela matemática nos primeiros anos da vida escolar. "Ela não tinha dificuldades e sempre fez os exercícios com muita tranquilidade. Desde criança foi independente com essas tarefas, nem me pedia ajuda", conta a mãe.

Mais matemática

Outro que tem facilidade com os números é Matheus Regis Albano, 11 anos, que já sabe o quer quando crescer: ser programador e trabalhar com games. "Não só cálculos. Ele tem facilidade para outras coisas como quebra-cabeça. Já compramos alguns para idades avançadas e ele consegue montar com uma rapidez impressionante", diz Felipe Kabakian Albano, pai do menino.

Para o professor Luís Augusto Taolini, o menino tem tudo para ser um grande profissional da matemática. "O aprendizado dele vai para além da sala de aula. Ano passado, participamos da Olimpíada de Matemática e ele foi o melhor colocado a nível nacional da nossa região.

(Colaborou: Rone Carvalho)

Ex-alunos são voluntários

Além de professores e psicólogos, os Cedet conta com o trabalho voluntário de ex-alunos. É o caso de Everton de Almeida Saurin, 17 anos, que está no último ano do ensino médio. Ele já foi aluno do Cedet e hoje é voluntário do projeto como professor de desenho.

"A sensação de ajudar, assim como eu fui ajudado é bem gratificante, porque você está passando algo que você apreendeu para quem gosta. O pessoal aqui é bem entrosado. É mais fácil ensinar e aplicar várias técnicas a eles", conta.

Outro ex-aluno que já foi voluntário é Willian Wallace Colla Correia, de 18 anos, que atualmente é estudante de Ciências da Computação na Unesp de Rio Preto.

"Eu percebi minha facilidade no ensino fundamental. Eu sempre tirei nota boa em matemática. O que eles achavam difícil, eu conseguia fazer com facilidade. Faço bastante exercício e eu consigo memorizar. Dependendo da matéria, só de ter uma conversa rápida com o professor eu consigo entender a lógica da questão", conta. Ele entrou no Cedet com 11 anos de idade e saiu quando tinha 17 anos. "Agradeço muito ao pessoal, que me ajudou bastante".

Testes começam com alunos de sete anos

Os testes para identificar estudantes com altas habilidades são aplicados quando eles estão com idades entre 7 e 9 anos. O primeiro teste é aplicado em alunos do segundo ano do ensino fundamental. No ano seguinte, o teste é repetido com os mesmos alunos, desta vez no terceiro ano.

Após a identificação, os alunos que apresentam algum tipo de habilidade são convidados para participar de cursos no Cedet de Rio Preto. Em seguida, um especialista chamado de "facilitador" passa a frequentar a escola e começa a acompanhar o aluno, com o objetivo avaliar melhor o estudante e criar um plano individual de de atividades.

"Esse plano vai depender muito do que o aluno tem interesse. Se ele disser que ele tem facilidade em matemática, começamos a filtrar o que ele gosta. Alguns dizem que querem saber o que é álgebra, o que é raiz quadrada (antes dele ver isso na escola)", diz Carla Cristina Pereira Job, coordenadora do Cedet.

O lado emocional é outro ponto que também é trabalhado no Cedet. Segundo os especialistas, é comum crianças com altas habilidades ficarem dispersas em aulas de disciplinas que elas dominam. "Se ela for boa em matemática, por exemplo, pode ficar mais dispersa porque muitas vezes aquilo que o professor está passado ela já sabe faz tempo. Esse aluno não tem paciência de ficar copiando e escrevendo. Por isso que às vezes o aluno com altas habilidades sofrem na escola" disse Denise.

Definição

Segundo a psicóloga Denise Arantes Brero, de 39 anos, que participa do Núcleo Paulista de Atenção à Superdotação (NPAS), crianças com altas habilidades são pessoas que se destacam em relação aos seus pares de idade. "Se destacam pela sua inteligência acima da média, além da criatividade e motivação. Pode ser uma combinação de áreas ou apenas uma", conta.

Existem duas formas de identificar se uma criança é ou não diferenciada. Além do critério pedagógico, que é aplicado no Cedet, existe também o teste do Quociente de Inteligência (QI). "Temos um critério de avaliação psicológica, que observa dados qualitativos e quantitativos, onde fazemos entrevistas, com testes voltados a inteligência, criatividade e motivação. Na escola, o professor também apresenta instrumentos para identificação, reconhecendo tanto pela avaliação pedagógica como pela psicológica" afirma.

Carina Alexandra Rondini, professora no Departamento de Ciência da Computação e Estatística da Unesp de Rio Preto, conta que já existe uma resolução que define o aluno de altas habilidades, como aquele que apresenta grande conhecimento, seja intelectual, de liderança, psicomotora, artes ou criatividade.

"Não temos o costume de dar o nome de superdotado. Vai mais prejudicar do que ajudar. Assim como os alunos com deficiência e autismo, as crianças com altas habilidades fazem parte de educação especial. Quando vamos nomear 'você é superdotado', muitas vezes esse aluno acaba sofrendo preconceito, pois pensa que precisa se dar bem em todas disciplinas. Isso é um mito. O aluno com altas habilidades nem sempre é quem tem um Quociente de Inteligência (QI) elevado. Ele pode ser um excelente jogador de futebol, por exemplo."

 

Tipos de inteligência

Lógica: compreensão matemática

  • De todos os tipos de inteligência é a mais lembrada quando se fala em crianças com altas habilidades. É a capacidade de confrontar e avaliar objetos e abstrações. São as habilidades de raciocínio dedutivo com ênfase em problemas matemáticos. Quem possui normalmente essa característica de inteligência são os cientistas.
  • Exemplo: Albert Einstein

Linguística: habilidade da linguagem

  • Caracteriza-se por domínio e gosto pelos idiomas e, principalmente, pelas palavras e leituras. Quem possui tem grandes chances de ser poeta, escritor.
  • Exemplos: Fernando Pessoa e Cora Coralina.

Musical: facilidade para a música

  • Facilidade em aprender composição e execução, e também ouvido afiado para discernir um ritmo do outro. É predominante em compositores, maestros, músicos e críticos de música.
  • Exemplos: Tom Jobim e Chiquinha Gonzaga.

Espacial: percepção do espaço

  • Capacidade de compreender o mundo visual com precisão, permitindo transformar, modificar e recriar experiências visuais. Grandes chances de ser arquiteto, artista, escultor, geógrafo, navegador. E bom em xadrez.
  • Exemplos: Oscar Niemeyer e Anita Malfatti.

Motora: controle físico

  • Talento em expressão corporal e controle dos movimentos do corpo. Está presente em esportistas olímpicos e de alta performance, diretamente relacionada à coordenação e capacidade motora.
  • Exemplos: Pelé e Daiane dos Santos.

Naturalista: compreensão das plantas

  • A sensibilidade para compreender e organizar os objetos, fenômenos e padrões da natureza, classificando plantas, animais e minerais.
  • Exemplo: Charles Darwin e Marie Curie.

Interpessoal: inteligência para se relacionar com os outros

  • Capacidade de conhecer e entender os sentimentos, motivações e desejos de outras pessoas. Está ligado a profissões como psicólogos e terapeutas.
  • Exemplo: Martin Luther King, Sigmund Freud

Intrapessoal: autoconhecimento

  • Capacidade das pessoas de se reconhecerem a si mesmo, percebendo sentimentos, motivações e desejos. A principal forma de aprendizado está ligada à autorreflexão.
  • Exemplos: Mahatma Gandhi e Madre Teresa de Calcutá.

Fonte: Cedet, Carina Alexandra Rondini e Instituto de Psicologia da UnB

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha?
Não lembro a minha senha!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso