Diário da Região

13/04/2018 - 23h07min

VOZES CONTRA O MACHISMO

40 alunos da Famerp manifestaram pedindo punição

Cerca de 40 alunos da Faculdade de Medicina de Rio Preto fizeram manifestação na tarde desta sexta-feira, 13, pedindo punição por parte da instituição ao estudante acusado de filmar o corpo de alunas

Guilherme Baffi 13/4/2018 Fachada Famerp com protesto
Fachada Famerp com protesto

Revoltados, alunos da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) protestaram no início da tarde desta sexta-feira, 13, pedindo punição ao estudante da faculdade Marcelo Mafra Campos Coelho. Ele foi preso em flagrante pela Polícia Militar, na última terça-feira, 10, por filmar o corpo e as partes íntimas de alunas e outras mulheres que passavam próximo da faculdade, do Hemocentro e do Hospital de Base.

Cerca de 40 alunos e alunas, por volta do meio-dia, vestiram-se de preto e, com cartazes, pediram mais rigor na punição ao estudante e, principalmente, respeito às mulheres. De acordo com uma das estudantes, que faz parte do Coletivo Feminista da faculdade e que participou do manifesto, a direção da Famerp se reuniu com o Conselho Acadêmico após a prisão do estudante, e informou sobre a investigação deste caso. Mesmo após esse encontro, os alunos resolveram fazer o protesto como forma de mostrar que estão atentos e para que casos como esse não voltem a acontecer na unidade.

De forma pacífica, os estudantes protestaram com cartazes que diziam "Meu corpo não é público", "Punição ao estudante", "Não é loucura, é machismo", dentre outros. Eles saíram nos corredores da faculdade e também fizeram um manifesto em frente à unidade. O grupo de manifestantes colou alguns dos cartazes no totem da faculdade.

Em nota, a Famerp informou que abriu nesta quarta-feira, 11, uma sindicância apuratória, com 10 dias para ouvir todos os envolvidos. Após a conclusão, a faculdade pode advertir, suspender ou expulsar o rapaz. Segundo a nota, "a Famerp não compactua com o comportamento do aluno, que poderá ser um futuro médico". E finaliza afirmando que a direção está dando celeridade na apuração do ocorrido para agilizar a conclusão do processo que investiga os fatos.

Relembre o caso

Marcelo Mafra Campos Coelho foi preso em flagrante na última terça-feira, 10, gravando o corpo de mulheres perto do Hemocentro. Junto com uma vítima, o caso foi encaminhado para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), onde o rapaz foi enquadrado por perturbação à tranquilidade e liberado em seguida. As imagens recém gravadas da vítima identificada pelos policiais e de outras mulheres foram encontradas em um aparelho celular apreendido. Questionado pelos policiais, ele confessou os atos.

Já na casa dele, onde os militares da equipe de motos de trânsito da 2ª Cia realizaram buscas, outros cerca de 70 vídeos parecidos com as filmagens do celular foram encontrados em um notebook, também apreendido na DDM.

O estudante foi ouvido e liberado pela delegada Dálice Ceron, que vai investigar o caso. A reportagem não conseguiu contato com o rapaz.

Segundo a Famerp, o estudante já havia sido punido, em setembro do ano passado, após denúncias de alunas. "Proibiu o aluno de utilizar celular dentro do campus." A faculdade também informou que o rapaz foi encaminhado à Assistência de Apoio ao Aluno para atendimento psicológico e psiquiátrico. "Na primeira sessão, admitiu o transtorno e aceitou o tratamento que segue com atendimento prestado regularmente até esta data", finalizou a nota.

A reportagem do Diário com a prisão de Marcelo foi compartilhada por alguns estudantes, acompanhada por comentários reprovando a atitude e cobrando posicionamento da Famerp. Alguns deles estão utilizando a frase #eagorafamerp? em postagens nas redes sociais.

Dois professores viram alvo

O professor da Famerp Cacau Lopes foi alvo de inúmeras críticas após publicar texto no Facebook questionando a manifestação dos alunos. Acompanhada de duas fotos - uma o mostra reunido com estudantes e outra os cartazes colados por manifestantes -, o professor defendeu a apuração interna dos "últimos acontecimentos" na faculdade.

"Não contem comigo para destruir a imagem de uma instituição, que comemora 50 anos de vida. (...) E que tem uma história de formação de profissionais comprometidos com a defesa da diversidade da vida humana e do direito universal da saúde. A segunda foto é a negação de tudo isso."

A postagem reuniu mais de 30 comentários - até a noite desta sexta-feira, 13. A maior parte criticando. "Que desserviço professor," escreveu internauta. "Se posicionar contra uma coisa que é errada é destruir a imagem ou conceitos. Me poupe. Se precisar faremos mais e mais barulho," publicou estudante.

Cacau, por telefone, disse à reportagem que não tinha a intenção de criticar o protesto e, sim, despertar a importância do diálogo e da discussão das questões dentro da instituição. "A faculdade é pública, portanto, ela tem que ter controle da sociedade, da imprensa, de quem quer que seja. Não estou dizendo: vamos lavar roupa suja em casa. Não estou defendendo isso", afirma, para em seguida dizer que: "O grande problema é que essa mesma energia não se gasta para fazer uma discussão interna.

Ironia

Na quarta-feira, 11, o professor aposentado e ex-prefeito de Rio Preto Liberato Caboclo ironizou as gravações do estudante e também causou revolta. No texto, ele sai em defesa do aluno. Estudantes compartilharam o texto criticando a atitude. Até uma professora rebateu o post: "Quem foi vítima do rapaz não está vendo nenhuma graça nesta história," escreveu Lilia Nigro Maia.

A Famerp informou que não "vai comentar postagens em redes sociais, pois são de responsabilidade exclusiva de seus autores".

 

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