Diário da Região

09/04/2018 - 22h15min

Cor de Rosa

Por segurança, grupo monta 'Uber' só para mulheres

Esse é o objetivo do Marias Drivers, aplicativo rio-pretense de transporte para mulheres - com apenas condutoras e somente para passageiras

Mara Sousa 27/3/2018 A partir da esq., Rita de Cassia, Alliny Nera, Verônica Santos e Aparecida Padilha, algumas 
das motoristas do
 Marias Drivers
A partir da esq., Rita de Cassia, Alliny Nera, Verônica Santos e Aparecida Padilha, algumas das motoristas do Marias Drivers

Diante da insegurança, com altos índices de violência, um grupo de 30 motoristas do sexo feminino decidiu lançar em Rio Preto um aplicativo para transporte exclusivo para mulheres. É o Marias Drivers, sistema semelhante ao Uber e ao 99, mas que tem apenas condutoras e só aceita passageiras.

"Nós estávamos sendo procuradas por mulheres que preferiam serem transportadas por outras mulheres. Elas se sentiam mais a vontade para andar com mulher. Mas pelos aplicativos Uber, 99 e outros, não dá para escolher se quem vem ao volante vai ser um homem ou uma mulher. Aí surgiu a ideia de criar o aplicativo", diz a motorista Alliny Nera, que também presta serviço para outros transportes por aplicativo.

O funcionamento do app é semelhante aos demais. A cobrança é feita por cartão ou dinheiro e as tarifas cobradas também são parecidas. Para ser condutora, é feito checagem de antecedentes. Atualmente, são 30 motoristas cadastradas no app exclusivo para mulheres - na Uber, dos 700 condutores cadastrados, 150 são mulheres. Todas as motoristas do Marias também atuam em outros aplicativos, para complementar a renda.

Uma delas é Aparecida Donizete Padilha, de 49 anos, que faz 20 viagens por dia pelo aplicativo. A maioria das passageiras são estudantes universitárias. "As meninas começaram a procurar a gente também por conta das conversas. Mulher com mulher tem as mesmas conversas e preocupações. A gente se entende", garante.

As passageiras temem passar por constrangimento semelhante ao vivido por uma mulher de 27 anos, que acusa um motorista de assédio sexual durante corrida em novembro do ano passado. Ela afirma que ele tentou beijá-la a força. O condutor foi expulso. Outro forte motivo para o receio das mulheres em serem transportadas por desconhecidos é o alto número de violência sexual. No ano passado, foram registrados em Rio Preto 45 casos de estupros - média de quase quatro por mês.

Uma das usuárias do aplicativo é a estudante de medicina Amanda Cury, de 23 anos, que precisa de transporte para ir às aulas na faculdade e para compromissos diários por Rio Preto. "Eu aderi ao Marias Drivers desde o começo. Não é que eu não confie em motoristas homens, mas me sinto mais à vontade quando a pessoa que está atrás do volante é uma mulher. Até o diálogo é diferente", afirma a estudante, que incentivou amigas a aderirem ao aplicativo.

A dona de casa Maria Aparecida Martins, de 60 anos, gostou da ideia. "Eu uso aplicativo para ir ao médico, ou visitar minhas filhas. Meu marido implicava muito quando chegava um homem no carro. Ainda bem que apareceu um aplicativo assim, para acabar com a conversa dele", afirma a aposentada. Segundo as motoristas, homens também podem participar da corrida se tiverem acompanhando mulheres.

Investimento

Em outras grandes cidades do País, aplicativos só para mulheres também já existem. O de Rio Preto pode ser baixado pelo Google Play e pelo Apple Store. O investimento para licença do programa custou apenas R$ 500, valor que foi rateado entre as motoristas cadastradas.

Em comparação com Uber, o aplicativo é mais rústico, e ainda não mostra a foto da motorista que vai fazer a corrida.

A secretária da Mulher, Maureen Cury, achou boa a iniciativa porque mostra o empreendedorismo feminino no setor e atende uma parcela significativa da sociedade rio-pretense. "Apesar de ter só 30 cadastradas, acredito que a adesão de clientes vai crescer. A mulher se sente mais segura em lidar com uma motorista."

Apps serão regulamentados

Depois de lei sancionada pelo presidente Michel Temer, cabe às prefeitura regulamentarem os transportes via aplicativo. A promessa em Rio Preto é que isso seja feito em seis meses. Algumas das exigências será cadastro na Secretaria de Transporte, carros com fabricação depois de 2012, além de taxa semelhante à paga pelos taxista e obrigatoriedade de checagem de antecedentes criminais.

O secretário de Transporte, Marcos Apóstolo, afirma que a Prefeitura vai mapear todos os aplicativos para exigir cadastramento. "A gente tem de ter um controle, para dar à população a garantia de andar com segurança nestes veículos. Além disto, precisamos saber quantas pessoas trabalham em cada aplicativo para cobrar as taxas", afirma. (MAS)

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