Diário da Região

15/04/2018 - 00h30min

DESVIO MILIONÁRIO

Ex-gerente de banco é acusado de movimentar contas de clientes sem permissão

Reprodução Facebook Fábio Roberto Costa, 
ex-gerente do Santander, é acusado de desviar dinheiro de contas de correntistas
do banco
Fábio Roberto Costa, ex-gerente do Santander, é acusado de desviar dinheiro de contas de correntistas do banco

A pedido do juiz Paulo Sérgio Romero Vicente Rodrigues, da 4ª Vara Cível de Rio Preto, uma auditoria contábil apurou que Fábio Roberto da Costa, na condição de gerente do banco Santander em uma agência na avenida Bady Bassitt, teria desviado R$ 3,4 milhões da conta do cliente Ranieri Queiroz, agropecuarista, entre 2009 e 2012.

O gerente, que não trabalha no Santander desde 2012, teria obtido a soma após realizar um conjunto de operações na conta corrente sem qualquer conhecimento prévio de Ranieri. Costa teria feito transferências para a conta da própria irmã, do ex-sogro e principalmente da esposa na época, de acordo com a auditoria. Somente as transferências (conhecidas como TEDs) sem comprovação de autorização contabilizam R$ 1,261 milhão.

O levantamento foi realizado pela perita-contadora Alcione Luiz de Oliveira, nomeada pelo juiz Paulo Sérgio Rodrigues, e anexado ao processo. O juiz deu prazo para os advogados de Ranieri e do Santander se manifestarem sobre o resultado da perícia, o que ainda não havia sido feito até a última sexta-feira, 13. "Esse desvio foi feito pelo abuso de confiança depositada no gerente em razão do serviço Van Gogh. O Fábio (Costa) não tinha nenhuma procuração do Ranieri e isso ficou confirmado no processo criminal, mas conseguiu mexer em toda a conta em razão da autonomia que o banco dava para ele movimentar o sistema e gerir as contas", afirma o advogado de Ranieri, Wesler Augusto de Lima Pereira.

Na ação, além de pedir o reembolso de R$ 3,4 milhões, Wesler Pereira irá requerer indenização por danos morais. O valor não foi revelado.

Ranieri, produtor em Minas Gerais que foi convencido por Fábio Costa a abrir conta na agência da avenida Bady Bassit do Santander com promessas de facilidades na obtenção de crédito rural, é só mais um entre as 20 vítimas do gerente, segundo ação que tramita na 3ª Vara Criminal de Rio Preto, onde o acusado e a esposa Gisele Belatti da Silva foram denunciados pelo Ministério Público.

A perícia que apontou o desvio de R$ 3,4 milhões foi realizada somente na conta bancária do agropecuarista. E isso porque o advogado de Ranieri, Wesler Pereira, que também é umas das vítimas de Fábio Costa na ação criminal, protocolou na ação cível o pedido de perícia. A auditoria foi solicitada, segundo consta nos autos, porque Ranieri, em julho de 2011, teria notado que havia saldos negativos em duas contas, uma de R$ 70 mil e outra de R$ 40 mil. O relatório da auditoria apurou que "o então gerente Fábio havia feito um financiamento sem sua autorização, transferido parte do valor financiado para Flávia Marcela da Costa (irmão do gerente) no valor de R$ 75 mil."

A perita descreve no documento entregue ao juiz que, naquela oportunidade, constatou "um financiamento de R$ 300 mil dos quais transferiu R$ 13 mil para Giseli Belatti da Silva (esposa do gerente na época) e R$ 100 mil para a conta de Hermínio Belatti (pai de Giseli)".

Além das transferências com destinos esclarecidos, em que o dinheiro teria sido repassado para as contas da ex-esposa, do ex-sogro e a da irmã, a perita-contadora destaca operações que nem o próprio extrato bancário no Santander identifica o credor. Nesse rol, a perícia aponta que, em setembro de 2011, houve quatro transferências no valor de R$ 40 cada, no total de R$ 200, "não sendo possível determinar titular da referida conta bancária que eventualmente recebeu as transferências."

A reportagem questionou o Santander sobre o caso. "O Santander não se manifesta sobre casos que estão sob o exame da justiça", respondeu a assessoria de imprensa via e-mail. O advogado Etevaldo Viana Tedeschi, defensor de Fábio e Gisele, respondeu que seus clientes não dariam entrevistas.

MP denunciou a dupla

Johnny Torres 21/3/2018 O advogado Wesler Pereira defende o agropecuarista e também está na ação criminal como uma das vítimas
O advogado Wesler Pereira defende o agropecuarista e também está na ação criminal como uma das vítimas

Denunciados pelo Ministério Público, o ex-gerente do Santader Fábio Roberto Costa virou réu pelos crimes de estelionato e apropriação indébita, enquanto sua ex-mulher, Gisele Belatti da Silva, virou ré pelo crime de apropriação. Atualmente, as 20 vítimas estão sendo ouvidas junto a testemunhas, como ex-funcionários do banco. Em seguida, será a vez de Fábio Costa e Gisele da Silva tentarem se explicar. Para o crime de estelionato, a pena pode ser de um a cinco anos de prisão.

"O denunciado Fábio Roberto da Costa, na condição de gerente do banco, obteve para si, por várias vezes, vantagens ilícitas em prejuízo dos correntistas (...)", escreve o promotor Dosmar Sandro Valério na denúncia.

Embora a auditoria da perita-contadora Alcione Luiz de Oliveira, nomeada pelo juiz Paulo Vicente Rodrigues, da 4ª Vara Cível de Rio Preto, aponte transferências de Fábio Costa para sua irmã e até o ex-sogro, o pai de Gisele, o Ministério Público denunciou apenas o casal. Casados no civil, Fábio Costa e Gisele da Silva não estão mais juntos. Mas, no momento das operações bancárias, estavam.

O caso

O caso veio à tona após o Maristela Queiroz e Wesler Augusto de Lima Pereira perceberem movimentações estranhas em suas contas. Wesler Pereira, também advogado de Ranieri, era sócio de Maristela, que havia aberto conta com Fábio Costa e convidou seus irmãos, parentes e amigos, todos com terras em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, para contratar os serviços do acusado no Santander. Segundo a denúncia, Maristela mudou para Rio Preto em 2008 e, ao abrir conta corrente na agência da avenida Bady Bassitt, no Santander, com objetivo de utilizar créditos rurais oferecidos pelo BNDES, ficou amiga do ex-gerente, convidando-o para frequentar a casa da família. "O Fábio vendia seus serviços como uma espécie de assessoria aos clientes, era mais que um gerente do banco. Ele viajava até 200 quilômetros para visitar esses clientes rurais em São Francisco de Sales (Minas Gerais) para colher assinaturas, procurações e fazer crédito rural. Os clientes não tinham nem cartão de débito para movimentar a conta diariamente, porque isso não interessaria. Eles iam na agências duas vezes no ano, de acordo com o período de venda do gado", afirma Wesler Pereira.

Etevaldo Viana Tedeschi, advogado de Gisele, garante que ambos são inocentes. No entanto, ao Diário, ele defendeu apenas sua cliente. "A Gisele não cometeu nenhum ato criminoso. O único que ela está tendo que responder no processo é que entrou dinheiro na conta dela. Mas entrou sem o menor conhecimento da Gisele", disse Tedeschi, que desdenha do valor desviado segundo a apuração da perita. "Eu duvido que tenha apontado valor de R$ 3,4 milhões na conta bancária do Fábio. Isso não é possível", afirma.

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