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Diário da Região

01/04/2018 - 00h00min

Saúde Emocional

Quer ser mais feliz? Cultive a generosidade

Até mesmo a ciência já mostrou que pessoas altruístas têm vidas mais felizes

Pixabay/Divulgação Legenda matéria generosidade
Legenda matéria generosidade

Se alguém perguntar se você é generoso, certamente não vai pensar duas vezes e dizer: - sim, sou muito generoso. Todo mundo tem algo de bom para dar, é fato, mas acontece que a arrogância e orgulho impedem de ver a totalidade e a efetividade do que é e pensa. A tendência é você sempre achar que é melhor do que realmente é. Mas na maioria das vezes, as pessoas são egoístas em suas atitudes e só nos preocupam com "seu próprio umbigo", sem querem saber dos problemas dos outros e oferecer um gesto muito simples, mas carregado de nobreza que é o ato de ouvir e dar uma palavra de conforto.

Generosidade, saibam, é a capacidade de cada indivíduo de ir além dos seus limites. É a capacidade da autodoação do ser de forma total e integral. Este vai além do que lhe foi solicitado, do que lhe foi pedido. Muitas vezes sem esperar um retorno devido, algum tipo de recompensa. Embora, acredite: tudo o que você fizer de bom pelos outros volta pra você. É uma lei universal da qual você não pode fugir. É sobretudo uma virtude alegre, de alma leve. É também a expressão máxima do livre-arbítrio, pois, afinal, a generosidade é uma escolha.

Generoso é quem dá algo sem esperar nada em troca. Das muitas coisas que dão forma à nossa existência, muitas podem ser partilhadas pela simples nobreza do nosso ato, nosso tempo, nossa energia, o afeto, o discernimento, a experiência ou a simples atenção. É muito fácil dividir essas coisas com os amigos próximos, mas a generosidade vai além. Seja como for, ela sempre foi uma virtude seleta; não é um dever universal como a justiça. Tampouco é uma necessidade rotineira como a cortesia. Ela é uma virtude que vai além da obrigação. É a qualidade dos espíritos livres, que não vivem sob o jugo de posses, reputações, ganâncias e vaidades. Por isso é certamente a mais feliz das virtudes.

"Todo mundo quer ser bondoso, generoso. Mas o apego faz com que, sem sentir, as pessoas se apeguem às coisas, às situações, aos objetos por que o nosso ego, quando está enfraquecido, adora agregar coisas ao seu eu: 'isso é meu, e isso a dá a falsa sensação de fortalecimento, de poder, mas não somos donos de nada, somos posseiros transitórios de algo", diz o médico e psicoterapeuta Antonio Pedreira. A generosidade passa primeiramente pelo exercício do desapego e tem de passar pela empatia, que é se colocar no lugar do outro.

 

Generosidade à luz da ciência

Não é de hoje que ciência parou para estudar essa virtude mais profundamente. Um estudo de pesquisadores da Universidade de Zurique, na Suíça, comprovou que indivíduos comprometidos com o bem-estar dos outros são mais felizes do que aqueles que focam apenas em si próprios. Há uma interação entre o altruísmo e a sensação de felicidade e o resultado é conhecido como "warm glow" (brilho caloroso, em uma tradução livre), um sentimento agradável de satisfação pessoal.

Especialistas das Universidades Stony Brook University, University of Buffalo e a Grand Valley State University, nos Estados Unidos, comprovaram cientificamente que ajudar o próximo faz bem à saúde. "As pessoas que prestam apoio ao próximo têm menos probabilidade de adquirir doenças crônicas, além de ter mais facilidade para lidar com situações estressantes", afirma Michael J. Poulin, um dos responsáveis pela pesquisa.

Fazer da generosidade um hábito regular, uma prática sustentada e praticada ao longo do tempo, influencia o estado de satisfação plena das exigências do corpo e/ou do espírito. Ajudar os outros reduz o estresse e a pressão arterial. Pessoas generosas têm taxas de depressão mais baixas, são emocionalmente mais disponíveis e, consequentemente, mais saudáveis. O cérebro reage com uma sensação de recompensa por ter feito algo de bom.

Muito além da questão material

Pixabay/Divulgação ilustração matéria generosidade
ilustração matéria generosidade

Quando se fala em ser generoso, a primeira coisa que vem à cabeça é dinheiro ou qualquer coisa material. Muitas vezes, pensamos que o generoso é aquele capaz de abrir os cofres e distribuir o muito que tem, quando, não raro, esse muito não lhe fará falta alguma. Mas existem outras coisas que são fáceis de serem dadas aos outros e vão trazer um bem tanto para quem dá, como para quem recebe: pode um abraço, um sorriso ou mesmo uma palavra de conforto ou um carinho. A generosidade, definem os dicionários é a virtude daquele que se dispõe a sacrificar próprios interesses em benefício de outrem. Na verdade, é uma das sete virtudes derivadas de um poema épico escrito pelo poeta romano Prudêncio, intitulando a batalha das boas virtudes e vícios malignos. A prática dessas virtudes protegeria a pessoa contra tentações dos sete pecados capitais. A palavra vem do latim "generositas", que significa "de origem nobre". Com o tempo, passou a significar a virtude do desapego.

Ser mais generoso, mais feliz e saudável não significa necessariamente gastar dinheiro aleatoriamente com os outros. Pequenos gestos que beneficiem outras pessoas não estão relacionados ao valor dispendido. "Para ter a sensação agradável de felicidade, decorrente de uma ação que beneficia outra pessoa, não é necessário despender grandes somas de dinheiro. Atuar como um mentor, orientar alguém nos recompensa emocionalmente", afirma Jennifer Lobo, matchmaker, CEO e fundadora de um site de relacionamentos.

Hormônios tornam as pessoas generosas

Mas sabe o que os pesquisadores descobriram que influencia a generosidade? A química cerebral. Os hormônios. E o principal deles é a ocitocina, o hormônio do amor, do afeto e do carinho. É o que revela o neuroeconomista norte americano Paul Zak. A ocitocina faz a gente tratar estranhos como família, faz a gente se importar com os outros de verdade. Ele garante que indivíduos que liberam mais ocitocina são mais felizes. Isso porque são melhores nas relações românticas, são mais próximos das suas famílias, têm mais amigos próximos", garante Zak. As pessoas que são mais generosas, solidárias e altruístas têm melhor qualidade de vida, elas têm menores taxas de depressão, ansiedade, tendem a viver mais anos e a apresentar menores doenças ou condições médicas gerais. "Isso se traduz em felicidade, a gente pode dizer que as pessoas que são generosas, altruístas, são sim mais felizes", explica José Alexandre Crippa, neurocientista, da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto.

E outra revelação curiosa que os cientistas descobriram: as mulheres são mais generosas. Elas têm uma taxa maior de ocitocina, que nos homens é inibida pelas altas doses de testosterona. Mas calma. Com o passar dos anos, eles se tornam mais generosos. Isso acontece quando estão em relacionamento sério, têm filhos ou envelhecem. Nestas fases da vida, os níveis de testosterona dos homens diminuem e a ocitocina passa a agir com mais intensidade.

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