Diário da Região

18/03/2018 - 00h00min / Atualizado 18/03/2018 - 00h00min

RIO PRETO - 166 ANOS

Um remédio chamado solidariedade

Grupo de voluntários encontrou na solidariedade um remédio importante para auxiliar pacientes e acompanhantes no Hospital de Base

Mara Sousa 23/2/2018 (esq. para dir.) Sueli Buzzini, Heloisa Siqueira, Diana Finato, Cristina Ortega e Quezia Cruciol demonstram a alegria com que atuam no Hospital de Base
(esq. para dir.) Sueli Buzzini, Heloisa Siqueira, Diana Finato, Cristina Ortega e Quezia Cruciol demonstram a alegria com que atuam no Hospital de Base

O Hospital de Base equivale a uma cidade que pulsa 24 horas ininterruptamente. Fosse um centro urbano e teria demandas maiores que a maioria dos municípios da região. Afinal, seus 4 mil funcionários atendem a uma população estimada em 2 milhões de pessoas e fazem quase 50 mil atendimentos por mês, 85% deles pelo SUS, em 30 especialidades e 117 subespecialidades médicas. Entre cirurgias, exames e tratamentos, um remédio muito especial circula pelos corredores e andares do HB e atende pelo nome de solidariedade.

No subsolo do prédio, uma sala pequena e simples na aparência, grande em sua finalidade, é o quartel general de um exército de prontidão permanente. Sua missão é possibilitar que os pacientes e acompanhantes tenham o mínimo necessário de conforto para suportar os momentos que passam ali, durante a internação. Pode ser um par de chinelos, um aparelho de barbear, um sabonete ou shampoo.

Mãos unidas e dedicadas executam um outro tipo de operação, diferente daquela dos centros cirúrgicos: o milagre da multiplicação. São ao todo 183 pessoas - das quais 15 apenas são homens e a mais jovem integrante tem 52 anos de idade - que formam a Associação dos Voluntários do Hospital de Base (AVOHB).

Os números não deixam dúvidas da força do verbo multiplicar conjugado por esse turma que não para, todos os dias da semana e que atende em 14 diferentes setores do hospital. Em 2017, somente em material de higiene, foram distribuídos a pacientes e acompanhantes 18,9 mil unidades; 13,4 mil de vestuário, 1,3 mil pares de chinelo; 1,7 mil toalhas. Tudo somado chega à impressionante marca de 35,4 mil artigos entregues. Isto sem contar as 98,5 mil fraldas (de recém-nascido a idoso) e absorventes.

“Às vezes nem é o paciente que necessita, e não estou falando apenas do que é material. O acompanhante também necessita de atenção, e neste sentido uma palavra é tão ou mais importante. É compreensível que o acompanhante fique apreensivo e estressado, tanto pela situação quanto por não ser o ambiente normal dele. Nessas horas, uma palavra conforta”, afirma a presidente da associação, Sueli Buzzini.

A AVOHB completa no próximo mês de junho 25 anos de serviços prestados. E se tem um responsável pela longevidade e vitalidade da ação, dona Sueli não tem dúvida em dizer que é o sentimento de solidariedade.

“Não temos ajuda governamental nenhuma. Temos pessoas, comércio e empresas que fazem doações regulares de produtos que necessitamos. Além disso, cada voluntário paga uma mensalidade irrisória, de R$ 5 cada um, e também temos o nosso brechó permanente. Tudo isso somado forma uma grande corrente em benefício do próximo”, explica.

As doações às quais a voluntária se refere são, por exemplo de pães, frios e manteiga para os lanches dos pacientes do Ambulatório e do Instituto do Câncer (ICA), e também de outros tipos de alimentos. “Há casos de ex-pacientes que se sentem agradecidos pelo atendimento recebido quando estiveram internados aqui e, por iniciativa própria, querem retribuir de alguma forma. É o caso de uma senhora, por exemplo, que doava bananas pra gente. Pouco antes de morrer ela fez a filha prometer que continuaria com a doação, e até hoje ela doa de duas a três caixas de banana por semana.”

Os donativos são recebidos com muito carinho pelo voluntariado. As roupas - shorts, bermudas, camisetas, entre outros - são separadas por tipos de peças e tamanhos, lavadas, embaladas e etiquetadas. Aquelas que necessitam de reparos são consertadas. O que não serve para o paciente é encaminhado para venda no brechó permanente, que fica localizado no saguão do setor de emergência.

Cada peça exposta no bazar é vendida por R$ 3. “E R$ 3 pra gente já fazem diferença - dá pra comprar muito sabonete, por exemplo”, explica, sorrindo, dona Sueli, reforçando que nenhum produto é entregue sujo. “É um respeito e um carinho para quem vai receber. Tanto que não aceitamos peças íntimas usadas e chinelos, nós mesmos fabricamos na máquina que ganhamos.”

Essas doações chegam ainda de diferentes formas, naquilo que a presidente da associação define como um trabalho de formiguinhas. “São ONGs e Lions e também moradores que nos ajudam, arrecadando, por exemplo, materiais de higiene como pasta, escova de dente e sabonete. E, é claro, os próprios voluntários também mobilizam familiares e vizinhos em arrecadações de donativos ou na confecção de produtos.”

Os voluntários também organizam bingos, com brindes fornecidos por eles próprios, para os pacientes da Hemodiálise, da unidade de Transplante de Medula Óssea (TMO) e do ICA. “Assim, o pessoal se distrai durante o longo período de tratamento e é possível diminuir um pouco o sofrimento deles”, observa dona Sueli.

Ainda há cantinho da leitura na pediatria do Ambulatório e corte de cabelo pra quem deseja ajeitar um pouco o visual em tantos dias internados. Aos pacientes oncológicos, um carinho extra e que faz muita diferença: doação de perucas. Todo cabelo que conseguem arrecadar é repassado para uma empresa localizada na região de Campinas, que depois repassa em média 12 perucas por mês para quem é atendido no ICA.

Dedicação em tempo integral

Cristina Ortega, 69 anos, é uma das veteranas da AVOHB. Ela atua como voluntária desde que a associação foi criada, há 25 anos. “No começo era algo bem simples, ainda fora do prédio do hospital. Na fase inicial nosso trabalho era mais restrito a arrecadar e distribuir amostras grátis de medicamentos aos pacientes do Ambulatório. Com o tempo nosso trabalho foi crescendo e hoje é essa maravilha e que faz tanto bem, inclusive a nós mesmos. Todos nós aqui aprendemos muito todos os dias e renovamos nossas energias”, diz Cristina.

Outra voluntária, Quezia Cruciol, também define o trabalho como algo gratificante e de benefício mútuo. “Há quem possa achar que nós apenas ajudamos, mas é uma troca. Nós também somos ajudados e aprendemos muito com a condição do próximo”, afirma.

O trabalho de Quezia divide-se entre a Emergência, no 5º andar do HB, e a brinquedoteca do HCM. “É uma rotina intensa, mas que nos faz muito bem. Na minha rotina na Emergência eu visito os quartos e vejo com pacientes e acompanhantes o que estão precisando, como artigos de higiene. É uma tarefa que requer atenção constante, mas com carinho a gente consegue amenizar um pouco os momentos que as pessoas passam aqui internadas.”

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