Diário da Região

18/03/2018 - 00h00min / Atualizado 18/03/2018 - 00h00min

RIO PRETO - 166 ANOS

Uma história de amor... Pelos livros

Da paixão de Helena e Rebeca pela leitura nasceu um projeto que 'semeia' livros ao promover campanhas em espaços públicos de Rio Preto

Guilherme Baffi 12/3/2018 Tathiane Silva e as crianças integrantes do Clube do Livro
Tathiane Silva e as crianças integrantes do Clube do Livro

Brasileiro lê em média quatro livros por ano, aponta o Ibope. Diga isso pras irmãs Helena e Rebeca. Pois as pequenas rio-pretenses, do alto de seus 10 e 8 anos, respectivamente, estão aí para provar que estatísticas podem ser páginas viradas. Escritoras “imortais”, pois são membros da Academia de Letrinhas (divisão infantojuvenil da Academia de Letras do Brasil), elas são devoradoras de livro e inspiradoras de um projeto que semeia o gosto pela leitura pelos quatro cantos da cidade.

O Clube do Livro projeta-se da sala da casa onde as meninas escritoras moram com os pais e o irmão caçula, no Jardim Nunes, para ganhar - e quem há de duvidar? - o mundo. Seja pelas campanhas regulares de incentivo à leitura que elas promovem, com a supervisão da mãe, em áreas públicas da cidade, seja pelos vídeos que postam no Youtube e que versam, é claro, sobre literatura, ou seja, ainda, pelos textos e poemas que publicam nas redes sociais.

Do universo criativo de Helena e Rebeca Silva nada é horizontal, como não raramente é o pensamento dos adultos. Com sensibilidade, vislumbram aquilo que está nas entrelinhas, o que é tabu (como falar da morte) e o que gente grande escamoteia ou nem mesmo se dá conta.

“A vida não é tão linda/A vida pode tirar de você alguém especial e você fica com mal astral/Comigo nunca aconteceu/Mas quando eu nem tinha nascido meu bisavô morreu/Sim, a vida é triste, mas não desiste/Um dia eu partirei e não mais existirei/Mas não desistam meus amigos/São muitos anos longos/Mas a vida também é bela e muitas coisas revelam/Fiquem com Deus/Isso não é um adeus”, reflete Helena em “A vida”.

Rebeca, por sua vez, exalta a natureza em versos como A Margarida Cheirosa, publicado em um blog literário e lido já por mais de 100 mil pessoas: “Sou primavera cheia de flores/Sou cheia de amores/Tão cheirosa e cheia de cores/Para casa me levam nos desamores/Pessoas amadas e com rancores/Conhecem bem os meus valores.”

A mãe, Tahiane Silva, explica que o Clube do Livro surgiu, primeiro, da própria necessidade de estimular os filhos para a cultura. “É algo que infelizmente a escola pública de uma forma geral não trabalha e que é muito importante para o desenvolvimento das crianças; ler abre uma janela incrível no mundo dos pequenos, desperta para a criatividade e a vontade da pesquisa e das descobertas”, diz.

E o que era uma experiência familiar, há três anos, tornou-se um projeto comunitário com objetivo de alcançar o maior número de pessoas. O pessoal se reúne todos os sábados em dois espaços públicos de Rio Preto - a Cidade da Criança e o Parque Ecológico da zona sul - , alternadamente, tanto para incentivar o mergulho no universo das letras quanto para compartilhar o que Tahiane define como conhecimento. “Todo mundo tem uma história pra contar, algo a aprender e a compartilhar”, afirma.

E de forma muito democrática o Clube do Livro se expande. Av cada fim de semana se oferece, por assim, dizer a um público que chega a 1,2 mil pessoas apenas no Parque Ecológico. “Estendemos nossa toalha e almofadas e deixamos ali, e automaticamente as crianças vão chegando. Nada é vendido, mas compartilhado, trocado. Esse é o nosso propósito”, explica ela, que sonha com uma sede própria para o clube.

A turma também promove constantemente atividades de “esquecimento de livros”, com intuito de atingir o máximo de pessoas nas ruas. Pode ser no no banco de uma praça ou qualquer outro lugar público em que haja concentração de pessoas. A iniciativa é como se fosse o primeiro capítulo de uma história, cujo final feliz só depende da pessoa se contagiar e levar o livro para ler. “São como sementes dispersas por aí, espalhando esse prazer pela leitura”, diz Tathiane, que conta muito com doações para que o acervo seja regularmente renovado e possa ser estendido a cada nova ação.

A próxima sessão de “esquecimento de livro”, inclusive já tem data para acontecer: 18 de abril, Dia do Livro Infantil. “Com auxílio dos nossos voluntários vamos espalhar livros por diferentes pontos de ônibus de Rio Preto. Dentro de cada, um bilhetinho de agradecimento e o sentimento de que aquela publicação ganhe realmente o propósito desejado, de fisgar novos leitores.

As pequenas escritoras

Helena Silva, de 10 anos, aprendeu a ler aos 2 anos. Aos 8, já havia publicado sua primeira obra, “A Menina Comilona”, que alerta para os riscos à saúde das crianças ao consumir apenas “bobagens” e não ingerir alimentos saudáveis. A irmã mais nova, Rebeca, não fica atrás, e já publicou seu livro também, que trata das peripécias de uma turminha chamada “A Família dos Salgadinhos”.

A dedicação de ambas ao universo da criação e da literatura rendeu às duas o título de membros efetivos da Academia de Letrinhas, divisão do núcleo da ALB em Rio Preto que reúne crianças que já desenvolvem um trabalho nesta área. A cerimônia de posse das duas foi em agosto do ano passado, com toda pompa que o momento exigia, inclusindo o traje oficial dos “imortais”.

Helena tem como patrono o médico psiquiatra, professor e escritor Augusto Cury (autor da Teoria da Inteligência Multifocal e autor de livros publicados em mais de 70 países, com mais de 25 milhões de obras vendidas), de quem ela é fã declarada e leitora ávida, e Rebeca tem como patrono Roberto Belli, consagrado escritor catarinense de literatura infantil.

“A gente lê todo dia, mas e você, já leu um livro hoje?”, perguntam as irmãs, direcionando o questionamento aos adultos. E por que isso é importante, Helena e Rebeca? “Porque o livro faz adulto imaginar. As crianças são todos os livros, e os adultos também. Nas histórias, a gente pode ser o que a gente quiser”, declaram. Simples assim!

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