Diário da Região

11/03/2018 - 00h30min / Atualizado 10/03/2018 - 17h00min

Painel de Ideias

O vô di barba branca

Depois de um dia estafante na lida, quando o sol barria o horizonte, uma das famílias, ao reunir a molecada para ir para casa, deu por falta de Levino, menino de 4 anos, e do cão perdigueiro

Divulgação Jocelino Soares | jocelino@jocelinosoares.com.br
Jocelino Soares | jocelino@jocelinosoares.com.br

Muitas estórias se ouviam de antigos contadores de causos em noites de luar, quando caboclos de poucas letras se reuniam em torno de fogueira no meio do terreiro. Eram contadas por puro divertimento, com intenção de amedrontar ouvintes mais incautos. Outras, porém, não deixavam dúvidas quanto à veracidade, ficando os ouvintes de cabelo em pé.

E quando a história é contada por uma pessoa letrada, como fica? Tenho um amigo médico que tem fazenda lá pros lados de Planalto. Seu rebanho começou a morrer por picadas de cobras que moravam dentro de um capão de mata fechada. Seu capataz orientou para que buscassem um rezador. Ele, cético que era, desdenhou. As reses diminuíam a cada dia. Até que resolveu mandar chamar o tal homem. Ele chegou, entrou na mata e pouco depois saiu dizendo: "Cunversei c'as cobra, elas num vai mais picá u gadu". Por mais incrível que pareça, disse-me, as mortes cessaram. Como se explica isso?, indagou.

Outra história, essa, contada pelo também médico Wisnton Sacchetin, sobre a saga vivida por seu pai, Silvio Sacchetin. De origem italiana, trazia no sangue o desejo de vencer. Tanto é que, anos depois, sentado no alpendre da casa grande da fazenda, disse, em latim clássico, a frase supostamente proferida pelo general e cônsul romano Júlio César, em 47 aC.: "Veni, vidi e vici" (Vim, vi e venci).

Morava em Olímpia quando comprou uma gleba de terras no norte do Paraná, na cidade de Centenário do Sul, em 1948, para formar cafezais. A família continuou morando em Olímpia. O pai, acompanhado dos filhos maiores, ia de jardineira. Vale lembrar que as estradas eram de terra. Na época das chuvaradas, demoravam dias para chegar ao destino. A fazenda era coberta de matas virgens. Derrubavam as árvores, em seguida plantavam café. Terra nova, rica em nutrientes, os pés cresciam, a florada chegava.

Por volta de 1955, a fazenda estava com mais de 100 mil pés de café produzindo. A sede e demais benfeitorias prontas. A colônia com vinte casas acolhia os meeiros. A vida corria normalmente. Os Sacchetin continuavam no ir e vir de Centenário do Sul a Olímpia.

As famílias, na época de colheita, levavam todos pra roça. Até os filhos pequenos ajudavam na lida. As matas e os cafeeiros conviviam lado a lado. Em noites escuras do sertão, ouvia-se o esturrar das pintadas.

Depois de um dia estafante na lida, quando o sol barria o horizonte, uma das famílias, ao reunir a molecada para ir para casa, deu por falta de Levino, menino de 4 anos, e do cão perdigueiro. A mãe em desespero gritava pelo filho. Seu grito ecoava mata adentro, como se fosse um lamento: "Leviiiiinooooooooo!" Procuraram a noite toda, e nada. Pela manhã, viram surgir no carreador o cachorro. Encheram-se de esperanças, pensando que a criança vinha logo atrás. Nada. O cachorro chegou sozinho, e logo desapareceu pelo mesmo caminho.

Durante três dias, procuram pela criança, imaginando o pior. No quarto dia, viram, distante, dois vultos saírem da mata. O cachorro seguia na frente, Levino logo atrás, comendo um pedaço de palmito cru. Passada a emoção, perguntaram por onde eles andaram. Na sua santa inocência, disse: "U vô baxinhu di barba branca relanu nu chão cuidô di nóis, danu água i carne di bicho." Passados tantos anos, a dúvida ainda permanece na família Sacchetin, sem que se saiba quem realmente era o velho. Humano ou entidade?

Mistérios...

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