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Diário da Região

12/03/2018 - 23h13min / Atualizado 12/03/2018 - 23h13min

Cartas do Leitor

Viver a vida bem

Ao longo dos séculos, há dois fatores fundamentais que atormentam a existência humana e nos impedem de viver a vida plenamente: o apego ao passado e a preocupação com o futuro. Essas dimensões do tempo são forças poderosas que paralisam o ser humano, colocando-se como verdadeiras travas para o gozo da felicidade do dia-a-dia. De um lado, são as lembranças do passado; de outro, o medo e a insegurança do futuro que pesam sobre nós.

Na antiguidade clássica, os filósofos gregos estóicos já se preocupavam com esse tema, que seria objeto de muita reflexão pelos romanos. O imperador Marco Aurélio escreveu: "Lembra-te de que cada um de nós só vive no momento presente, no instante. O resto é o passado, ou o obscuro futuro. Pequena é, pois, na verdade, a extensão da vida".

Mas, nesse aspecto, ninguém superou, ainda, o filósofo romano Sêneca (4 a.C.-61 d.C.), contemporâneo de Cristo, e que dedicou grande parte de sua obra para a reflexão sobre a arte de viver a vida bem. Para Sêneca, enquanto se espera viver, a vida passa; por isso é preciso separar duas coisas: o temor do futuro e a lembrança dos males passados, pois esses não nos dizem mais respeito, e o futuro ainda não aconteceu.

Em resumo, para os filósofos estóicos, a única dimensão da vida real é a do presente, e é sábio não se apegar demais ao que está no passado. A vida boa seria, então, uma vida sem muitas expectativas e sem os remorsos do passado, ou seja, a vida que aceita o mundo como ele é, hoje.

Na verdade, não existe um "manual" sobre como viver bem a vida. De acordo com a experiência humana e a sabedoria dos filósofos antigos, tudo pode ser sintetizado nas seguintes breves lições.

Primeira: não viver em função da opinião dos outros: a opinião alheia nos captura e impede a nossa plena realização, pois deixamos de viver para nós próprios, e passamos a viver para os outros; 2ª) A virtude está no meio: não se deve viver de forma exagerada, em busca dos extremos, pois a felicidade está justamente na moderação, de tudo; 3ª) Lembre-se de que você vai morrer, por isso não vale a pena continuar insistindo nos mesmos erros, alimentando ódios antigos, que não levarão a nada; 4ª) O importante é a jornada do dia-a-dia, para se viver cada momento da vida, da melhor maneira possível, e sem se preocupar demais em obter resultados; e 5ª) A felicidade estará sempre nas coisas mais simples.

É óbvio que não é tão fácil assim seguir essas lições. Mas, de qualquer forma, tudo pode ser resumido na 5ª lição: a simplicidade em tudo é a verdadeira chave para se viver bem a vida, e é uma pena que muitas pessoas só se apercebam disso muito tarde. Muitos passam a vida inteira sem se dar conta disso.

João Francisco Neto, Monte Aprazível.

Julgamento

Percebo uma certa indignação por parte da população pelo julgamento do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) que anulou a condenação do vereador Fábio Marcondes por compra de votos. Como as decisões dos tribunais, como reserva de mercado da classe, são proferidas em linguagem ininteligível, e como não faço parte do mundo jurídico, tentarei traduzir resumidamente em linguagem coloquial o que entendi da sentença emitida pelos eminentes juízes, para aqueles que, como eu, têm dificuldade em interpretar tal dialeto.

Por mais estranho que lhes possam parecer, os juízes do TRE não julgaram o réu, no caso o vereador Fábio. Julgaram e condenaram o juiz de primeira instância, que segundo eles não poderia ter emitido o mandado de busca e apreensão de forma "genérica", ou seja deveriam especificar o que desejavam. Exemplo: uma lista de eleitores a serem presenteados em troca de votos ou, gravações de conversas entre "beltrano e sicrano" combinando onde e pra quem seriam dado os agrados.

Imagino eu que o juiz de primeira instância, naquele dia, em ato extremamente grave, não lembrou de levar sua bola de cristal e proferiu tal mandato sem especificar o que deveria ser encontrado na busca. Portanto, as listas e gravações encontradas, provas cabais, que poderiam levar o réu a uma condenação e, pelo que me consta nunca contestadas pela defesa, para o TRE, não existem, nunca foram vistas. Como não se tem prova, não se tem delito. Simples assim.

Certa vez, o grande estrategista do futebol Carlos Alberto Parreira disse que o gol era mero detalhe. Pois bem, para os doutores desse Tribunal, as provas e a ação do réu também o são. A justiça, nesse caso, age como o cachorro que corre atrás do rabo, ignora as causas e corre atrás de um de seus membros.

O TRE faz o papel bíblico de Pôncio Pilatos mediante o cenário apresentado: preferiu lavar as mãos.

A nós eleitores, rio-pretenses e paulistas, impotentes perante uma justiça extremamente permissiva e inconsistente, fica a missão de avaliá-lo nas urnas nas próximas eleições.

Roberto Carlos Musegante Jr., Rio Preto.

Revoltante

Revoltante, assim defino as imagens que circulam nas redes sociais mostrando um pai de família, de São José do Rio Preto, que luta contra o desemprego para sustentar 5 filhos, sendo algemado e tendo os seus panos de chão, produto que tentava vender sob um sol escaldante, sendo apreendidos pela fiscalização, provavelmente por não ter licença de ambulante.

Meu Deus do céu, quantos panos de chão esse trabalhador consegue vender por dia? Será que o valor arrecadado dá para pagar as taxas de licença de ambulante?

Acho que está faltando bom senso às pessoas ou a justiça está ficando realmente cega, porque é inadmissível no mesmo dia tomar conhecimento da liberação da prisão de um dos maiores corruptores da história desse país e do arquivamento de provas contra a compra de votos de um vereador de nossa cidade.

Assim fica difícil pensar em justiça social nesse país, e isso me faz lembrar do último capítulo de novela Vale Tudo, exibida há 30 anos, quando um empresário corrupto e corruptor foge do Brasil em sua jatinho particular dando uma "banana" para toda a sociedade brasileira.

Passados 30 anos e o que mudou? Será que o Brasil tem salvação ou vamos precisar ensinar aos nossos filhos a "Lei do Gerson" para se darem bem na vida?

Miguel Freddi, Rio Preto.

 

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