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Diário da Região

12/03/2018 - 23h13min / Atualizado 12/03/2018 - 23h13min

Artigo

Deixem Marte em paz

Tenho certeza que se houver algo promissor lá, estragaremos tudo, como fizemos por aqui

Tomei conhecimento, há algum tempo, sobre um fato aparentemente histórico: um robô da NASA completou em torno de 5.000 dias sua permanência em Marte. Provavelmente, dizem os cientistas, em mais ou menos 10 anos os humanos estarão por lá. Daí a minha pergunta: por que e para quê? Tenho a clara certeza que se houver algo promissor em Marte, estragaremos tudo, como fizemos por aqui, em nosso planeta, não dando conta das menores questões da nossa vida em convivência, seja pessoal ou relativa à natureza e, mais ainda, no desrespeito entre povos e suas diversidades.

Quando tudo começou na terra, por meio do "Big Bang" explicado pelos cientistas, não poderia haver a menor dúvida que tal fenômeno ocorria em um planeta privilegiado, onde a vida seria possível. Vida em abundância nas suas mais variadas formas, talvez a expressão mais genuína de que este lugar pudesse mesmo ser o paraíso sonhado, onde correriam o leite e o mel em torno do canto dos pássaros, do frescor dos ventos, da suavidade das águas cristalinas, do trabalho coletivo dos homens, dos afetos e do crescimento científico para o bem da humanidade.

Tínhamos tudo pra dar certo e, se por um lado observamos este crescimento vertiginoso das ciências e da tecnologia, por outro percebemos como nos enredamos numa teia de desvirtuamentos das mesmas, fazendo mutações dos objetivos para o poder e a ganância sem limites. E nem precisamos apelar para o clássico exemplo da energia nuclear do bem, que há tempos vem sendo exaustivamente explorada para a criação de armas destruidoras de nações inteiras. Somos os homens primitivos da era pós-moderna, substituindo as armas toscas dos bárbaros pelos botões detonadores de armas nucleares.

E, disse antes, não ser preciso ir tão longe para a demonstração de nossa barbárie: criamos vacinas contra praticamente tudo e alguém se aproveita do medo das epidemias para vender vacinas falsas, inócuas, pouco ou nada se importando com as consequências de seu gesto criminoso, pois são terráqueos, contaminados com tudo o que está por aí.

Criamos religiões para nosso bem-estar espiritual e as deturpamos em formas de terrorismo, comércio espúrio, graças à ingenuidade e mediocridade dos que não pensam ou, então, não interpretam o que pensam. Ditadores dizimam seu próprio povo, pelo simples apelo ao poder, verdadeiros psicopatas das Américas e longínquas regiões sírias, berço da civilização.

Os prepotentes detentores do poder, seja por meio da democracia, ou então pela ditadura, se digladiam com palavras que jogam para longe o aceno de paz não de seus povos, apenas, mas do mundo como um todo. Iríamos a Marte para repetirmos tudo isso? Com a inteligência dos humanos, será possível até fazer surgir o verde das florestas, a água dos rios, as mais variadas formas de animais e aves. Porém, com um doloroso talvez, penso que seria tudo em vão.

Contraponto à criação, travestidos de deuses onipotentes, nós, humanos, poríamos com certeza tudo a perder. Não seria melhor que deixássemos Marte em paz, na solidão quieta do universo, a fim de não o emporcalharmos, com poluições, drogas, balas perdidas, políticos de causa própria?

É que ainda ressoam em meus ouvidos a voz de Elis Regina em seu canto premonitório: Alô, alô marciano / Aqui quem fala é a terra / Pra variar, estamos em guerra.

Wilson Daher, Psiquiatra, Rio Preto.

 

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