Diário da Região

11/03/2018 - 00h30min / Atualizado 11/03/2018 - 00h30min

Artigo

Justiça, respeito e equidade

Desejamos retirar os enormes espinhos de uma roseira de direitos que ainda precisa florir

Flores, justiça, respeito e equidade. Chegou o mês de Março e com ele a comemoração do Dia Internacional da Mulher. Ganhamos inúmeras homenagens à nossa beleza, à nossa possibilidade de ser mãe etc. Ganhamos flores, maquiagem grátis, descontos em produtos e para justificar esse dia ouvimos diversas histórias.

A mais comum remete-nos às 134 tecelãs que em 1857 foram brutalmente assassinadas nos EUA, trancadas e carbonizadas em seu ambiente de trabalho por reivindicarem tratamento digno, redução de jornada diária para dez horas de trabalho, equiparação de salários, dentre outras reivindicações.

Outra história, menos contada, remete-nos à Revolução Russa que teve seu inicio protagonizada pelas operárias da indústria têxtil que organizaram um ato público no Dia Internacional da Mulher.

Na maioria das vezes, o Poder Público em suas comemorações faz referencia a essas comoventes histórias, sem aprofundar a reflexão conjuntural das violências sofridas brutalmente por todas nós mulheres no passado e que, de diversas maneiras, persistem na atualidade, inclusive no nosso município de São José do Rio Preto, que tem se destacado pelos índices alarmantes de violência contra as mulheres.

Neste sentido, o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, órgão de controle social, comprometido com os princípios de justiça social e igualdade de direitos, busca, na medida do possível, cumprir com a tarefa de redirecionar os holofotes na direção dos problemas sociais vividos por um grande número de mulheres riopretenses.

Assim como no cenário brasileiro, vemos crescer na nossa cidade a feminização da pobreza; a naturalização da violência contra as mulheres retratada diariamente nos jornais; o tráfico de mulheres e de meninas vendidas ou sequestradas para serem exploradas na rede de pornografia; a desigualdade salarial, principalmente das mulheres negras; a sobrecarga das múltiplas jornadas de trabalho da quase totalidade de mulheres trabalhadoras; a coisificação e mercantilização do corpo das mulheres; a violência e o não respeito à diversidade sexual; a criminalização e um aumento do aprisionamento das mulheres pelos mais diversos motivos e o precário atendimento de nossa saúde nos serviços públicos.

Como sociedade não podemos fechar os nossos olhos, distribuirmos flores e fingirmos que nada está acontecendo. Neste sentido o Conselho Municipal dos Direitos Mulher tem pautado a sua luta por um modelo de cidade e de gestão que não tem medo de discutir e implantar políticas públicas,a partir do conhecimento e do enfrentamento da realidade, pautadas pelo combate intransigente à todas as formas de preconceito, discriminação, dominação, racismo, machismo, exploração e violência sexista.

Neste 8 de março e sempre, queremos flores, mas queremos muito mais justiça e equidade dentro e fora de casa, o que significa respeito e políticas públicas de qualidade que consigam retirar os enormes espinhos de uma roseira de direitos que ainda precisa florir.

Monica Abrantes Galindo de Oliveira, Professora do Ibilce/Unesp de Rio Preto, em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres.

 

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