Diário da Região

05/03/2018 - 23h30min / Atualizado 05/03/2018 - 23h30min

Artigo

Superação da violência

As polícias lidam com as consequências, não com as causas. Suas ações não passam de antifebris

Nossa sociedade é chamada, através da Campanha da Fraternidade 2018, a refletir sobre a necessidade do resgate das relações sustentadas pelo amor, respeito, solidariedade e cultura do diálogo, tão pregada pelo Papa Francisco, à luz do Evangelho. O tema a ser refletido é "Fraternidade e Superação da Violência".

Mais de três décadas lidando com a violência e a criminalidade, nos garante, e o texto base editado pela CNBB sabiamente demonstra que existem múltiplas formas de violência. O agito do dia a dia atual cria uma cultura do distanciamento das pessoas - amigos ou inimigos potenciais - e abre as portas para o embate entre os diferentes, por fugir dos padrões estabelecidos, ou ainda, por pensar fora destes padrões.

Outra questão a ser refletida está na cultura comportamental do egoísmo, soberba, desconfiança, benefícios à custa dos outros, competitividade predatória - os fins justificam os meios -, são atitudes cultivadas que devem ser trabalhadas e que dão causa a ações que contribuem com a promoção da violência.

Nas discussões, como bem aponta a CNBB, devemos incluir todos os tipos de violência; dos mais simples aos mais graves, sem deixar de pensar que, muitas vezes, a pequena violência pode gerar violência grave e irreparável.

Por conviver, por anos, com preconceitos e equívocos nas discussões sobre violência e criminalidade, não poderia deixar de apontar, o simplismo em jogar nos ombros das polícias a responsabilidade integral pelo enfrentamento da violência, mesmo porque suas ações serão sempre insuficientes e questionadas por falsos especialistas da área.

Pensar nas polícias como responsáveis é não querer enfrentar o problema de frente, discutindo à margem do real problema. É, no mínimo, demonstrar desconhecimento da complexidade do assunto.

Polícias lidam com as consequências, não atingindo as causas da violência. Suas ações não passam de antifebris, diante de uma doença grave. No máximo abaixa a febre momentaneamente.

É fundamental a participação da família na construção de uma cultura de paz. Muitas famílias se encontram em estado de desintegração, egoísmo, desconfiança, animosidade velada, brigas abertas, violência física, ofensas, provocações, abusos verbais e outros.

Apontar defeitos nos padrões antigos da criação familiar é deixar de lado as virtudes lá plantadas. Com o passar dos anos a sociedade tem abandonado as virtudes da família tradicional, muitas vezes influenciada por perversas ideologias de destruição, daquela que é a célula base da sociedade.

Saímos de uma criação repressiva, para uma excessivamente permissiva. Não há como fugir da disciplina, das regras, da hierarquia familiar, do respeito, das frustrações, dos nãos. Precisamos estar atentos, para não nos deixar enganar por máquinas de alienação de massa, pois, se assim fizermos, iremos contribuir para financiar, primeiro estas máquinas, depois o estado violento que hoje encontramos.

Deus age em nós e nos transforma, porém, devemos estar abertos a recebê-lo e permitir sua atuação. Somos completamente capazes de mudar nossos hábitos, comportamentos e atitudes, transformando o mundo em um lugar melhor para se viver. As futuras gerações merecem, e certamente, nos agradecerão.

Jean Charles Serbeto, Coronel PM, vereador e presidente da Câmara Municipal de Rio Preto.

 

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