Diário da Região

10/03/2018 - 19h28min / Atualizado 10/03/2018 - 19h28min

Reportagem Especial

Vender comida é o negócio da vez

Segmento é que dos mais consegue manter tendência de crescimento em Rio Preto e continua como promissor; marmitarias são o 'boom' do momento

Guilherme Baffi 8/3/2018 Priscila Nascimento abriu o próprio negócio há oito meses: montou o Expresso da Marmita
Priscila Nascimento abriu o próprio negócio há oito meses: montou o Expresso da Marmita

Se há um setor da economia de Rio Preto que parece blindado aos efeitos da crise econômica que ainda respinga sobre o País é o da gastronomia. Confirmando a tendência apontada pelo Sebrae de como o segmento é promissor, o número de negócios abertos na cidade no ano passado mais que dobrou, passando de 162 para 341, de acordo com dados de estabelecimentos inscritos na Secretaria Municipal da Fazenda. Nesse pacote entram restaurantes, bares, lanchonetes, casas de suco, chá e as marmitarias, segmento de preparo de alimentos que vem ganhando espaço no mercado recentemente. Significa a abertura de um negócio do setor por dia na cidade.

Os restaurantes e similares predominam em Rio Preto, com 65 operações inauguradas em 2017, contra 59 em 2016. Mas o que se observa é a ascensão dos pequenos negócios, em que se prepara o alimento para entrega, seja em marmita ou delivery. No ano passado, o ramo de preparo registrou 27 operações, contra duas em 2016. Sem contar os food trucks, que há pelo menos quatro anos ganham as mais variadas ruas e também espaços fixos. No ano passado, houve registro de 24, contra sete em 2016.

Para o economista Hipólito Martins Filho, os trabalhadores têm optado por comer fora. O tempo para ir para casa é escasso, não há quem possa se dedicar ao ofício e, em muitos casos, comer fora compensa. Sem contar que Rio Preto recebe um contingente enorme de pessoas de fora, o que anima os empresários a investir. "Esse é um setor que cresce porque a renda real aumentou e a massa salarial também", disse.

Para se ter uma ideia, o estudo do IPC Maps, que revela o potencial de consumo das cidades, mostrou que ano passado os consumidores de Rio Preto pretendiam gastar R$ 748,8 milhões com esse tipo de despesa, especialmente a população das classes B e C. É o segundo item que mais recebe recursos dos consumidores, atrás apenas da alimentação em casa, com um total de R$ 1,271 bilhão. "É um setor que tende a crescer quando a economia cresce, mas se estagna quando ela cai", afirmou.

A consultora do Sebrae Simone Ribeiro Haduo lembra que ao passar pela crise, muita gente perdeu o emprego e decidiu empreender. Um dos caminhos foi o da alimentação, tanto em restaurantes menores - que não dependam de grandes salões -, food trucks e, mais recentemente, marmitas. "A maioria das pessoas se acha um bom cozinheiro, que tem essa habilidade. Mas ter um negócio de alimentação é diferente, exige gestão."

Segundo Simone, o "boom" dos marmiteiros tem ligação direta com os microempreendedores individuais, já que não exige investimento tão alto para começar a trabalhar. São pessoas que montam cozinhas para atender pessoas que optam por comer fora, principalmente na hora do almoço. Basta um passeio pelas redes sociais para descobrir uma série de empreendedores do tipo. "Dentro desse grupo, observamos uma segmentação, de marmiteiros que trabalham com comida saudável, é um modismo, mas também está atrelado a uma necessidade", explica.

A grande dica para quem quer empreender nesse nicho de mercado, as marmitas, é escolher algum tipo de alimento que ainda não esteja sendo vendido. Já tem cardápio para quem é fitness, para quem segue a dieta low carb, é vegano ou tem restrições alimentícias. "O que tem dentro da sua marmita que é diferente?", questiona Simone. Nos Estados Unidos, segundo ela, já se começou a vender sopas geladas em embalagens de suco, algo que pode "pegar" por aqui em função das altas temperaturas.

Para começar o negócio, o plano de negócios é fundamental. Outras orientações de Simone são tomar cuidado quando se investe num tipo de alimento que ainda não seja conhecido. Vale ainda não investir muito dinheiro de uma vez, testar a aceitação do negócio. Além disso, apostar num portfólio diversificado para enfrentar a sazonalidade.

Legislação

As atividades ligadas à alimentação têm algumas particularidades. Em restaurantes e locais para preparo de refeições para entrega, a cozinha precisa ter dez metros quadrados e ser toda protegida, com material lavável. No restaurante, também são necessários dois banheiros e uma área de consumação. "O primeiro passo é abrir a firma pelo sistema online Icad ou no Poupatempo. Entre os alvarás são necessários o da prefeitura, da vigilância sanitária e dos Bombeiros", explica Franciele Cristina Daga, nutricionista da Vigilância Sanitária de Rio Preto.

Ela ressalta ainda a importância dos cuidados com a manipulação dos alimentos, como por exemplo não misturar carne crua e cozida, o que implica em risco de contaminação. Também é importante ficar atento à temperatura, seja para manter frio ou quente. "A higiene é fundamental, das mãos, além de usar roupas limpas e touca nos cabelos."

Empresárias apostam em marmitas saudáveis

Há oito meses, Priscila Nascimento decidiu empreender. Cansou de ser empregada e decidiu ter seu próprio negócio, com o marido. Ela montou o Expresso da Marmita, que produz refeições prontas - e frescas - para quem é low carb, para quem é fitness e para quem busca uma alimentação saudável.

"Antes eu fazia só para amigos e contatos, mas aluguei uma casa com uma cozinha específica para isso. Sempre amei cozinhar", conta. O negócio gerou três empregos. Uma das pessoas fica apenas no aplicativo WhastApp, que é por onde o cardápio é enviado diariamente e são feitas as encomendas e pedidos.

Segundo Priscila, o investimento foi de cerca de R$ 15 mil, não muito, já que conseguiu economizar comprando alguns dos equipamentos já usados e pechinchou até.

Houve custo também com a documentação. "Estamos atendendo na capacidade máxima, cerca de cem marmitas por dia, mas a intenção é expandir", conta. O trabalho não é fácil, Priscila acorda as 4 horas e vai dormir por volta das 23 horas. Trabalha o tempo todo nesse intervalo, de segunda a sexta-feira, mas está feliz com a empresa. "Dá para pagar as contas, manter a casa. As coisas estão dando certo e lá na frente tenho certeza de que vamos crescer."

A nutricionista Milene Louise Porto de Carvalho Azevedo decidiu empreender em sua área de afinidade profissional. Há dois anos criou a Cozinha d'Nutri, empresa em que vende marmitinhas congeladas de refeições saudáveis, além de caldos e saladas no pote. O cardápio já que é montado para quem busca uma refeição com as propriedades nutritivas, tendo ou não restrições. "Fazemos um trabalho personalizado para quem faz dieta prescrita."

Segundo Milene, são três funcionários e um motoqueiro que faz a entrega. Hoje, são cerca de 700 marmitas congeladas por mês, em média. Ela conta que o negócio vem crescendo constantemente desde que abriu, mas agora a concorrência está mais forte. "A empresa nasceu de uma necessidade pessoal, eu estava gestante e com dificuldade em me alimentar. Foi assim que comecei", disse.

No ano passado, de olho no potencial do mercado de alimentação, Milene decidiu abrir outra empresa, a Deia Crepes, franquia de crepe francês e suíço. O investimento foi de cerca de R$ 350 mil e são quatro empregos (nas duas lojas). Ela juntou as duas e produz as marmitas na unidade de crepes, que funciona só à noite. "Acredito muito no setor e estou nele pela minha formação. A luta é trazer sempre novidades." (LM)

Segmento alimentício representa 32,9% das franquias

O balanço do franchising em Rio Preto também mostra a força do setor de alimentação em Rio Preto. Das 535 unidades existentes na cidade em 2017, 32,9% do total são desse ramo, o que representa 176 empresas. Participação majoritária que se mantém anualmente, segundo os dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), divulgados nesta semana. Trata-se de um setor mais consolidado, resiliente, que não sofre tanto na crise, mas também não dispara.

Em Rio Preto, o número de unidades de franquias instaladas registrou crescimento de 9% entre os anos de 2016 e 2017, passando de 492 para 535. O número de redes cresceu 7%, ao passar de 226 para 241, segundo o balanço da ABF.

O segundo setor a dominar o franchising em Rio Preto é o de saúde, beleza e bem-estar, que mais cresceu nacionalmente e se coloca como um dos mais promissores para o ano, segundo o estudo do Sebrae. Em Rio Preto, 13,5% do mercado fica com o segmento, num total de 72 unidades de franquias. No Brasil, cresceu 12,1% no ano passado. A razão é o aumento da longevidade da população, a preocupação com a saúde e bem-estar e o aquecimento do mercado de clínicas populares, que receberam egressos de planos de saúde, afirma a ABF.

O balanço no Brasil, apurado na Pesquisa de Desempenho confirmou o crescimento de 8% da receita. O faturamento do setor no período saltou de R$ 151,247 bilhões para R$ 163,319 bilhões. O total de unidades cresceu 2,4%, com um saldo de 3.541 novas operações no ano passado, totalizando 146.134 unidades, e em redes, o ano encerrou com 2.845 marcas atuantes no mercado. Já o repasse de unidades foi de apenas 3% e a taxa de mortalidade ficou em 5%.

No acumulado de 12 meses, o segundo segmento que mais cresceu foi Hotelaria e Turismo, com alta de 9,7%. A maior participação das redes no e-commerce e o incremento das unidades home based levaram as redes deste ramo a atingir mais diretamente seu público consumidor, justificando essa expansão.

Serviços e Outros Negócios apresentou a terceira maior variação em faturamento, 9,2%. O fato de se tratar de um segmento com muitos nichos, com negócios que atendem o público B2B (empresa para empresa) e o incremento de serviços administrativos, como contabilidade, favoreceram tal desempenho. (LM)

Comida e saúde são apostas no ano

Mara Sousa 9/3/2018 Giseli Bacarissa, gestora da
clínica de Medic Mais: mercado
de saúde é aposta para 2018
Giseli Bacarissa, gestora da clínica de Medic Mais: mercado de saúde é aposta para 2018

Os negócios no ramo de alimentação, saúde e serviços pessoais serão as apostas de novos empreendedores para 2018 em todo o País. Estudo do Sebrae, com base no perfil de novas empresas em anos anteriores, no comportamento da economia e no mercado externo, revelou que os empreendimentos que promovem saúde, inovam na oferta de alimentos e oferecem serviços ligados à beleza pessoal estão entre as atividades mais prósperas para este ano. Dentro desse nicho se enquadram fornecimento de marmitas, serviços para idosos e atividades de estética.

Quando se fala do fornecimento de refeições - estão aí as marmitas e também rotisseries - segundo a consultora do Sebrae Simone Ribeiro Haduo, é fundamental que o empreendedor se posicione e defina a linha que vai trabalhar. "É preciso ter habilidade, já que a coisa é muito rápida, se trabalha com produtos perecíveis. Na preparação de comida em domicílio o risco é mais controlado do que em um restaurante."

A especialista destaca que as pessoas passaram a pedir mais comida em casa, no período em que a economia estava mais instável. Era um meio de ter lazer e gastar um pouco menos do que ir a um restaurante, por exemplo. Tanto que os aplicativos de entrega de comida também não param de crescer. "Esse costume de pedir comida permanece, pela comodidade e não se trata apenas de marmita, mas delivery também", disse.

Para mapear os negócios promissores de 2018, o Sebrae analisou os segmentos com maior taxa de expansão nos últimos anos, pois sinalizam a existência de uma maior demanda do mercado consumidor. Entre 2013 e 2017, o serviço ambulante de alimentação e o fornecimento de alimentos preparados para consumo das famílias cresceram 24% ao ano, por exemplo. "As pessoas também voltaram a se cuidar com maior frequência, seja indo ao salão, fazendo atividade física, esportes, porque o orçamento voltou a permitir", disse Simone.

De olho no mercado de saúde, a empresária Giseli Bacarissa inaugurou nesta semana a Medic Mais, uma clínica que reúne médicos especialistas como cardiologistas, dermatologista, neurologista, além de psicólogo, fonoaudiólogo e serviço de odontologia. Foram gerados dez empregos, além dos cerca de 30 médicos que compõem a equipe.

O valor do investimento não foi revelado, mas Giseli afirma que o fato de a cidade ser uma referência em saúde foi uma das motivações. "Muita gente deixou de pagar plano de saúde. Decidimos montar a clínica para oferecer um atendimento de qualidade a preços justos, acessíveis", disse. As consultas custam a partir de R$ 79,90. (LM)

Atividades mais promissoras

- Alimentos e bebidas: lanchonetes, casas de chá, de sucos, comércio de alimentos, fornecimento de alimentos preparados, bares, restaurantes, comércio de bebidas e fabricação de produtos de padaria e confeitaria

- Vestuário e calçados: confecção de roupas, confecção sob medida, comércio de vestuário e calçados

- Construção: Pequenas reformas, instalação e manutenção elétrica, serralheria, comércio de material de construção e serviços de pintura

- Saúde: Venda de planos de previdência complementar e de saúde, atividades de condicionamento físico, serviço de diagnóstico por imagem, atividades de fisioterapia, atividade médica ambulatorial, ensino de esportes, instituições para idosos e serviços veterinários

- Educação: serviços de educação infantil, treinamento profissional/gerencial, transporte escolar, ensino de esportes

- Serviços pessoais: cabeleireiros, manicure e pedicure, atividades de estética e beleza, comércio de cosméticos

- Serviços especializados: transporte de carga, serviço de taxi, lavagem/lubrificação/polimento de veículos, lanternagem e pintura de veículos, serviço de entrega rápida, produção de fotografia e serviços de contabilidade

- Vendas: marketing direto, promoção de vendas, representação comercial, fabricação de letreiros

- Comunicação/Computação: serviço de comunicação/multimídia, desenvolvimento de softwares, portais/provedores de conteúdo e outros serviços de internet

- Informática: comércio de equipamentos de informática

- Entretenimento: casas de festas e eventos, organização de feiras, congressos, exposições e festas

- Lojas de conveniência

Fonte - Sebrae

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