Diário da Região

03/03/2018 - 21h55min / Atualizado 03/03/2018 - 21h55min

RISCOS

Faça a escolha certa para o seu dinheiro render mais

Com a queda da taxa de juros - a Selic está em 6,75% ao ano - aplicações de renda variável são beneficiadas

A taxa de juros Selic, que baliza a economia brasileira, tem tudo a ver com o rendimento dos investimentos financeiros. Em tempos de juros em queda, o investidor se pergunta qual a modalidade vale mais para fazer seu dinheiro render. Nesse cenário, de Selic em 6,75% ao ano, as aplicações que incorrem em um pouco mais de risco tendem a ser beneficiadas. São as opções de renda variável como Bolsa de Valores e Fundos Multimercados. Para quem prefere a renda fixa, o mais atrativo são títulos atrelados à inflação.

Antes de mais nada, para escolher em qual modalidade aplicar o dinheiro, é fundamental que a pessoa defina qual será a finalidade do dinheiro. Tudo começa com essa decisão, talvez a mais difícil, explica o economista Hipólito Martins Filho. "A pessoa precisa saber se vai querer usar para aposentadoria, viajar, comprar um imóvel, por exemplo".

O próximo passo é ter muito claro qual é o perfil do investidor. São três: conservador, moderado e agressivo. No primeiro caso, o investidor busca segurança ao invés de alta rentabilidade. Quem é moderado gosta das aplicações na renda fixa, mas tem uma tendência também para o risco. Os agressivos estão de olho em alta rentabilidade e ignoram os riscos.

O economista explica que na atual situação de estabilização da taxa de juros - que deve registrar ainda mais queda neste ano - para se ganhar dinheiro investindo, o risco será cada vez maior. "O ideal, na dúvida do que pode ocorrer no Brasil, que é um país muito instável, é optar por uma cesta de investimentos."

A montagem da cesta tem toda a relação com o perfil, mas, de maneira geral, o ideal é destinar de 10% a 15% dos recursos para a Bolsa de Valores; entre 15% e 20% para a compra de dólar o restante para a renda fixa. Nessa terceira, entra a velha e boa poupança, títulos do tesouro (o melhor que sejam corrigidos pela inflação mais taxa de juros). "Valores em torno de R$ 5 mil ficam restritos à poupança e renda fixa".

O economista lembra ainda que investir em imóveis sempre é bom negócio, mas não para quem possa precisar de dinheiro a qualquer momento. É que a venda pode levar tempo. Nesse caso, investir em imóvel funciona mais para construir patrimônio, em função da valorização do produto em grandes períodos de tempo. "Não vale investir para ganhar com o aluguel, até porque o IGPM está negativo, e tem Imposto de Renda".

O assessor de investimentos Flavio Henrique Batista Alves, lembra que além de entender o próprio perfil, o investidor tem de saber como funciona cada alternativa de investimento no que diz respeito a risco, rentabilidade e liquidez. "É preciso entender também que o ganho nominal da taxa de juros é ilusório. O importante no ganho de capital e construção de patrimônio financeiro é o ganho real dos investimentos, ou seja, a taxa nominal descontada a inflação do período", disse.

O empresário Guto Covizzi, da pizzaria Bela Capri, conta que opta por ter uma assessoria especializada na hora de investir o dinheiro próprio e da empresa. É que o suporte ajuda a garantir um melhor retorno do investimento. "Quando temos uma reserva, procuro diversificar o tipo de investimento para ter mais segurança numa possível perda".

Inflação remunera mais na renda fixa

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Maikel Jacob diz que carteira de investimentos precisa ser diversificada

Quem prefere mais segurança na hora de investir tem como melhor opção a renda fixa, ou seja, um tipo de aplicação em que a pessoa sabe o quando vai ganhar, seja num contrato com juros pré ou pós-fixados. Nessa modalidade, o investidor empresta seu dinheiro ao governo, bancos ou empresas financiarem suas dívidas. Depois, recebem o valor com acréscimo dos juros.

A poupança também entra na renda fixa, mas não é uma modalidade tão rentável quanto os títulos. Essa opção serve mesmo para poupar dinheiro, já que os rendimentos são tímidos. Desde maio de 2012, para o cálculo dos juros o índice é de 0,5% ao mês sempre que a Selic for maior que 8,5% ao ano. Se for inferior, o índice corresponderá a 70% da meta. Para valores depositados antes disso, o rendimento é fixo em 6% ao ano. A vantagem é que não há incidência de taxas de administração.

O assessor financeiro Maikel Jacob, da Jacob Capital, explica que há três tipos de títulos na renda fixa, os pré-fixados, os pós-fixados com base na Selic e os pós-fixados com base na inflação. "No caso dos títulos pré-fixados, o investidor já sabe que vai ganhar 10% ao ano, por exemplo, ainda que a Selic vá a 40% ou 5%", disse.

Os títulos atrelados à Selic pagam uma porcentagem do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) - a taxa de juros que vigora entre os empréstimos dos bancos. Se a Selic sob ou baixa, o CDI acompanha. "A pessoa faz um investimento que paga 100% do CDI, que hoje está em 6,64%. Então vai receber 6,64% ao ano", diz.

Nos ativos atrelados à inflação, há a definição de uma taxa de juros, mais o índice da inflação como remuneração. Nesse momento de juros em baixa e expectativa de inflação um pouco mais alta - mas ainda dentro do controle - o que ocorre é uma migração das carteiras para os títulos atrelados à inflação, ou seja, o momento é de investir em ativos indexados à inflação pela maior alta esperada. "É que o rendimento dos juros não está interessante, mas uma carteira não pode ter 100% dos títulos atrelados à inflação. O ideal é que seja de 10% a 40%, já que esses papeis oscilam muito."

Ainda segundo Jacob, para quem tem menos de R$ 50 mil, a poupança é uma boa opção de investimento, já que é fácil, há o por meio de qualquer banco e não tem valor mínimo para começar. "A poupança nunca foi o melhor investimento, mas para a população em geral que investe suas economias do mês ela atende muito bem", afirma. Em tempos de Selic abaixo de 8,5% ao ano, a poupança rende 70% do CDI mais Taxa Referencial (TR).

Tesouro Direto

Uma modalidade que chama a atenção e vem crescendo nos últimos anos em função ad segurança é o Tesouro Direto, por isso vale um adendo, embora esteja classificado dentro de renda fixa. Tesouro Direto é o canal para a compra de títulos públicos federais. No ambiente, o governo permite que pessoas físicas comprem sua dívida a partir de R$ 30, em prazos que vão de um ano a 20 anos.

 

Saiba mais

Poupança

A poupança é o tipo de investimento mais seguro e acessível, indicada especialmente para os perfis mais conservadores. A regra de remuneração vigente desde de maio de 2012 determina que, para cálculo dos juros, seja o índice de 0,5% ao mês, sempre que a meta da taxa Selic for maior que 8,5% ao ano. Se a meta da Selic for igual ou inferior a 8,5% ao ano, o índice corresponderá a 70% da meta. Para valores depositados até 3 de maio de 2012, é assegurado o rendimento fixo de 6% ao ano. Não há incidência de taxas de administração.

Bolsa de Valores

A Bolsa de Valores é o ambiente onde ações de empresas são negociadas todos os dias. Essas negociações ocorrem no pregão por meio eletrônico e os preços são determinados por ofertas de compra e venda. É preciso comprar ações por meio de uma corretora de títulos e valores mobiliários. Quando realizado o lucro sobre o ganho de capitais em ações o imposto de renda cobrado é de 15% sobre os rendimentos para operações comuns e 20% para operações day trade (compra e venda no mesmo dia). Os investimentos em bolsa se destinam a quem tem horizonte de médio e longo prazo para o investimento e perfil de investidor moderado e/ou arrojado.

Fundos Multimercados

Fundos Multimercados é uma categoria de fundos que realiza operações em diversas classes de ativos (renda fixa, renda variável, câmbio, juros, etc.), definindo suas estratégias de investimento baseadas em cenários macroeconômicos de médio e longo prazo. A característica mais forte desse tipo de fundo é a flexibilidade. Os fundos buscam mais rentabilidade do que a renda fixa tradicional, com menor volatilidade quando comparado a renda variável (ações). Os fundos cobram taxa de administração anual (definida por cada fundo) e o imposto de renda segue a tabela regressiva de I.R. que começa com 22,50% e vai até 15% após dois anos

Renda fixa

Pós fixados indexados à Selic/CDI: Esses investimentos rendem um percentual da taxa CDI. Caso o CDI suba, os rendimentos acompanham, caso o CDI caia, os rendimentos acompanham. São sempre a base de todas as carteiras de investimento. Exemplos: poupança, Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), Tesouro Direto, entre outros. Desses, só o CDB e Tesouro Direto pagam Imposto de Renda, na tabela regressiva de 22,5% a 15%, dependendo do período de permanência no investimento

Pós fixados indexados à inflação: São investimentos que rendem a inflação (IPCA) uma taxa fixa. Ou seja, se a inflação subir, esses investimentos rendem mais, se a inflação cair, eles rendem menos. Exemplos: Tesouro Direto, CDB, LCI, LCA. Tesouro Direto e CDB pagam IR

Pré-fixados: Quando a pessoa aplica o dinheiro em um pré-fixado você já sabe quanto vai ganhar durante o período todo. Bom para momentos em que a expectativa é de baixa na Selic. Ano passado foram os investimentos mais rentáveis pois a Selic baixou o ano todo. Agora com a Selic no mínimo e sem perspectiva de novas quedas, deixa de ser interessante. Exemplos: LTN, CDB, LCI, LCA. LTN e CDB pagam Imposto de Renda

Tesouro Direto: O Tesouro Direto é um canal para o investimento em títulos públicos federais, que são ativos de renda fixa. É possível investir a partir de R$ 30, em prazos que variam de um ano até 20. Para investir, é possível usar o próprio sistema do Tesouro ou uma corretora. Os custos são de 0,3% sobre o valor total da carteira e taxa de administração da corretora, se houver. Quando for comprar um título observe o prazo, taxa de retorno, tipo de pagamento de juros e juros da economia no período

Fontes - Maikel Jacob, Flávio Henrique Batista Alves, reportagem

Renda variável está atrativa

O atual cenário econômico, com crescimento do PIB de 1% em 2017, inflação sob controle - fechou o ano passado em 2,95% -, e juros na casa de 6,75%, depois de já terem chegado a 14% ao ano, indica que as alternativas de investimento que incorrem em maior risco são mais atrativas. "A taxa de juros mais baixa implica em custo financeiro menor para as empresas, que estão reavaliando e trocando suas dívidas por um empréstimo com taxa de juros menor", explica o assessor de investimentos Flávio Henrique Batista Alves, da RP Investimentos.

Entre os investimentos de renda variável entram as aplicações em ações, por meio das operações na Bolsa de Valores, e os Fundos Multimercados. No primeiro caso, o investidor compra "um pedaço" da empresa e participa de lucros e prejuízos. "As empresas são beneficiadas nesse cenário de juros baixos, o que torna é um bom momento para investir em ações para quem tem horizonte de investimento de médio ou longo prazo". No ano passado, a rentabilidade do índice Bovespa foi de 26,86% e, neste ano, até o meio da semana, estava em 13,57%.

Os Fundos Multimercados realizam operações em diversos tipos de ativos, renda fixa, variável, câmbio, juros, entre outros. Além disso, tem como objetivo uma maior rentabilidade do que a renda fixa tradicional, com menor volatilidade quando comparado as ações. "Os fundos se beneficiam, com a queda dos juros, pelo cenário macroeconômico mais previsível e alta na Bolsa de Valores".

Segundo Alves, há uma infinidade de fundos e cada um tem seu histórico de rentabilidade, por isso é fundamental conhecer o tipo, como funciona, rentabilidade e taxa de administração cobrada. O Índice de Hedge Funds, que reflete a evolução de uma aplicação hipotética em cesta de fundos - rendeu 12,41% em 2017.(LM)

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