Diário da Região

10/03/2018 - 00h30min / Atualizado 09/03/2018 - 22h45min

CARNE FRACA

MPF pede e juiz manda soltar ex-presidente da BRF

Procuradora disse que os objetivos da prisão preventiva foram alcançados

Divulgação/Mapa Blairo Maggi anunciou novo modelo de inspeção de frigoríficos
Blairo Maggi anunciou novo modelo de inspeção de frigoríficos

O juiz federal André Wasilewski Duszczak determinou a soltura do ex-presidente do Grupo BRF Pedro Andrade de Faria, na tarde desta sexta-feira, 9. O Ministério Público Federal (MPF) solicitou minutos antes que todos os presos que permaneciam na custódia da Polícia Federal alvos da Operação Trapaça fossem soltos.

Onze pessoas ligadas à empresa foram detidas temporariamente na segunda-feira, 5, na terceira fase da Carne Fraca, em Curitiba, suspeitas de fraudarem documentos e fiscalizações para burlar o controle do Ministério da Agricultura.

A procuradora da República Lyana Helena Joppert Kalluf considerou que foram cumpridos "os objetivos probatórios" com a decretação da prisão temporária do investigado e pediu sua liberação.

Em seu depoimento, o ex-presidente argumentou que, apesar de ter sido presidente da BRF, "não mais possui o comando da empresa", registra o MPF. "Informação esta que não foi informada no decorrer da primeira fase investigativa."

Faria destacou em seu depoimento que segundo seu contrato de rescisão de trabalho com a empresa BRF, ocorrido de dezembro de 2017 e que apresentou à PF, há uma cláusula de não competição, que faz com que ele esteja impedido de atuar em empresas do ramo alimentício pelo prazo de três anos.

"Sendo assim, vejo que a aplicação de medidas cautelares (similares às aplicadas aos funcionários) não fazem sentido, na hipótese e no momento, em que pese, como já dito, a análise do material probatório ou a postura dos investigados no decorrer dos trabalhos possam demonstrar a necessidade de cautelares alternativas ou eventual segregação preventiva."

Nova inspeção

Apenas quatro dias após da deflagração da terceira fase da Carne Fraca, a Trapaça, que teve como alvo a BRF, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, gravou nesta sexta-feira, 9, um vídeo diretamente da linha de processamento de suínos da empresa, na unidade de Concórdia, em Santa Catarina.

"Estou aqui onde, junto com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), estamos fazendo um novo modelo de inspeção para as carcaças de suínos", diz ele no início do vídeo, vestindo trajes de segurança sanitária e capacete que leva o logotipo da empresa.

A companhia foi o principal alvo da mais recente investigação da Polícia Federal e o Ministério Público que apura se executivos e técnicos da exportadora mantinham um esquema sistematizado de fraudes em laudos e adulteração de dados para ocultação de informações ao Ministério da Agricultura.

No vídeo, Maggi diz que governo e a Embrapa estão testando na unidade da BRF um modelo piloto para o processamento e inspeção de carcaça. "Gostei muito do que vi. Dá mais tranquilidade e segurança para o consumidor final", afirmou, sem entrar em detalhes. Segundo ele, o novo processo trará economia para as empresas e mais segurança para consumidores brasileiros e estrangeiros. "Tenho brigado muito no Ministério da Agricultura para a modernização", diz ele.

Desde segunda-feira três unidades da BRF, envolvidas na investigação, tiveram suas exportações embargadas pelo ministério para 12 países que possuem regras mais exigentes relativas à presença de salmonela na carne. As fábricas são a de Carambeí (PR), Rio Verde (GO) e Mineiros (GO).

Diferentemente da primeira fase da Carne Fraca, nesta etapa, o Ministério da Agricultura participou desde o início da divulgação do caso.

Ameaça de processos

Ao menos oito empresas americanas, entre elas escritórios de advocacia e representantes de investidores, ameaçam processar a BRF nos Estados Unidos. As companhias estão fazendo investigações para avaliar se o alto comando da gigante brasileira de alimentos burlou as regras do mercado de capitais americano.

Entre os que estudam entrar na Justiça, está o Pomerantz, o mesmo escritório que liderou a ação coletiva contra a Petrobrás em Nova York, que em janeiro anunciou acordo de US$ 3 bilhões para encerrar o litígio.

Em comunicados aos investidores, os advogados afirmam a intenção de iniciar uma ação coletiva contra a BRF em Nova York e convocam os interessados para discutir o caso. A BRF tem American Depositary Receipts (ADRs, recibos que representam ações) listados na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). Por isso, também está sujeita às regras do mercado de capitais dos EUA.

Outro escritório, o Block & Leviton, de Boston, afirma estar investigando se a companhia burlou leis federais do mercado de ações dos EUA e também ressalta a intenção de iniciar uma ação coletiva. Em nota a clientes, o escritório observa que as acusações contra a empresa "causaram prejuízos de milhões de dólares" aos investidores, que podem pedir na Justiça a recuperação do prejuízo.

 

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