Diário da Região

05/03/2018 - 23h03min / Atualizado 05/03/2018 - 23h03min

Operação Carne Fraca

Justiça põe BRF na berlinda

Grupo é acusado de fraudar resultados de análises laboratoriais e ex-diretores são presos

Geraldo Bubniak/AGB A BRF está sendo acusada de fraudar informações de produtos
A BRF está sendo acusada de fraudar informações de produtos

O juiz federal André Wasilewski Duszczak, da 1ª Vara Federal de Ponta Grossa (PR), determinou a quebra dos sigilos de dados e das comunicações dos investigados pela 3ª fase da Operação Carne Fraca, deflagrada nesta segunda-feira (5) pela Polícia Federal (PF). A medida vale para qualquer documento apreendido em meio físico ou digital, computadores, smartphones, aplicativos e programas de compartilhamento de mensagens como Whatsapp, Telegram, etc.

O grupo é investigado por fraudar resultados de análises laboratoriais relacionados à contaminação pela bactérias Salmonella pullorum. A pedido da PF, Duszczak decretou a prisão temporária por cinco dias de 11 pessoas, entre elas o ex-diretor-presidente global da BRF Brasil, Pedro de Andrade Faria, e o ex-diretor de operações da empresa, André Luís Baldissera.

Também tiveram a prisão temporária decretada Décio Luiz Goldoni; Fabiana Rassweiller de Souza; Fabianne Baldo; Harissa Silvério el Ghoz Frausto; Hélio Rubens Mendes dos Santos Júnior e Luciano Bauer Wienke, além de Luiz Augusto Fossati; Natacha Camilotti Mascarello e Tatiane Cristina Alviero. Todos são funcionários da BRF. O prazo inicial de cinco dias poderá ser prorrogado por igual período em caso de "extrema e comprovada necessidade".

Segundo o despacho, ao analisar os e-mails trocados internamente por pessoas do Grupo BRF, a Polícia Federal identificou possíveis ilicitudes ocorridas no laboratório da empresa.

Ele cita conversas sobre uma ação trabalhista movida pela ex-supervisora da BRF Adriana Marques Carvalho, que afirmou ter sido pressionada por superiores para alterar resultados de análises laboratoriais, e simular a rastreabilidade de amostras.

O juiz sustenta que os investigados, quando foram informados dos crimes de falsidade ideológica e contra a saúde pública.

Segundo o juiz, a prisão temporária dos investigados possibilitará o confronto das declarações por eles, se necessário com acareações entre os envolvidos.

BRF

A BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, divulgou nesta noite de segunda-feira, 5, um novo e mais completo comunicado sobre a Operação Trapaça, da Polícia Federal, na qual a companhia é suspeita de burlar laudos sobre a presença de salmonela em seus produtos para a exportação para determinados países. "A empresa está mobilizada para prestar todos os esclarecimentos à sociedade", diz, na nota.

A BRF afirma que segue normas e regulamentos brasileiros e internacionais referentes à produção e comercialização de seus produtos. "Com base nos documentos disponíveis, a BRF entende que nenhuma das frentes de investigação da Polícia Federal diz respeito a algo que possa causar dano à saúde pública", ressalta.

Em relação às denúncias até então divulgadas, a empresa diz que sobre salmonela do tipo Pullorum, citada pela PF em relação à produção em Carambeí (PR), "é essencialmente de aves e não causa nenhum dano à saúde humana".

A empresa diz ainda que segue todos os monitoramentos estabelecidos pelo Plano Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) e Instrução Normativa nº 20.

Sobre o lote de 46 mil pintos de um dia citado na acusação, a companhia diz que foram realizadas análises microbiológicas que não identificaram presença da bactéria S. Pullorum. Porém, ela foi identificada em matrizes e lotes de frango de corte no mesmo período em Carambeí.

 

'Conjunto de fatos ilícitos'

O suposto acobertamento das fraudes em exames laboratoriais reveladas na petição inicial da ação trabalhista de Adriana Marques Carvalho, ex-empregada da BRF S/A, descoberta pela análise de e-mails aos quais se chegou nas primeiras fases da Operação Carne Fraca, é um dos "conjuntos de fatos ilícitos" que levaram o juiz federal André Wasilewski Duszczak, da 1.ª Vara Federal de Ponta Grossa, a decretar a prisão de Faria, de Santos Junior e Fabianne e outros 8 pessoas do grupo.

As apurações da Carne Fraca mostraram que o ex-presidente da BRF - que comandou o grupo de 2015 até dezembro de 2017 -, quando tomou conhecimento do e-mail da advogada Rose Mírin Pelacani "alertando sobre as graves acusações deduzidas em Juízo na ação trabalhista de Adriana Carvalho (fraudes em exames laboratoriais), recomenda a Hélio Santos Júnior que tome medidas drásticas para proteger a empresa de possível apuração desses fatos pelas autoridades".

"Perceba-se que Pedro comenta com Hélio que 'sempre levamos bucha dos mesmos lugares', demonstrando lamento por histórico de problemas semelhantes na empresa, recomendando que a denúncia seja estancada de qualquer maneira ('por favor avalie algo drástico por lá')", anota o juiz.

Baldissera, preso nesta segunda, 5, já havia sido alvo da primeira fase da Carne Fraca, em março de 2017. (AE)

Exportações suspensas

O Ministério da Agricultura suspendeu as atividades de três unidades da BRF nesta segunda-feira, 5, após a deflagração da 3ª fase da Operação Carne Fraca, intitulada Trapaça. As plantas de Rio Verde (GO), Curitiba (PR) e Mineiros (GO) foram interditadas e suas exportações de carne de frango foram paralisadas preventivamente.

A partir de agora, elas estão proibidas de realizar envios para os 12 países que têm o nível de exigência maior sobre a presença de salmonela.

Em março do ano passado, a produção da cidade de Mineiros (GO) já havia sido embargada durante a mesma operação. O clima era de desespero entre os produtores de peru e frango do município, que abastecem o complexo frigorífico da BRF Perdigão. As granjas da região chegaram a acumular um total de 300 mil perus em situação de abate por conta do fechamento.

Parte das provas levantadas pela PF veio de uma ação trabalhista de uma ex-funcionária da BRF e também da troca de e-mails dos executivos da empresa.

O delegado da PF, Maurício Moscardi Grillo, disse que a empresa alterava tabelas dos resultados antes de entregar ao Ministério da Agricultura.

Ainda de acordo com ele, posteriormente, foram encontrados indícios de continuidade das irregularidades. "A fraude vinha sendo perpetuada", disse. Ele afirmou que uma ex-funcionária, ao sair da empresa, ajuizou uma ação trabalhista, que serviu de prova para a investigação. (AE)

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso