Diário da Região

05/03/2018 - 18h21min / Atualizado 05/03/2018 - 18h21min

TEATRO ANCESTRAL

Companhia se inspira em Guimarães Rosa para novo espetáculo

Cia. Azul Celeste inicia um processo de imersão na natureza para conceber seu novo espetáculo, que tem o escritor mineiro Guimarães Rosa como referência

Elvis Leandro dos Santos/Divulgação Imersão da Cia. Azul Celeste para o espetáculo Miguilim Mutum
Imersão da Cia. Azul Celeste para o espetáculo Miguilim Mutum

Após 29 anos de trajetória, completados no último sábado, 3, a Cia. Azul Celeste, de Rio Preto, deixa a zona de conforto da sala de ensaio para buscar na natureza a matéria-prima de seu novo espetáculo, Miguilim Mutum, que tem como principal referência o garoto que protagoniza o romance Manuelzão e Miguilim (1964), do escritor mineiro Guimarães Rosa (1908-1967).

Durante o período do carnaval, a equipe do novo espetáculo realizou uma imersão ao ar livre em diferentes pontos da região de Rio Preto, buscando conexões com o universo literário de Rosa, em que os elementos da natureza emergem da escrita. Os exercícios e improvisações criados pela companhia rio-pretense ganharam cenários inusitados, povoados por terra, rio, mato, árvores e bichos.

"A proposta era sair da sala fechada de ensaio, um lugar de muita racionalidade, para explorar o exterior, criando situações em lugares inimagináveis e até perigosos, colhendo sonoridades e luminosidades em contato com a natureza", explica o diretor e ator Jorge Vermelho, que compartilha a direção de Miguilim Mutum com Linaldo Telles.

A ideia inicial do grupo era de realizar essa imersão em um sítio em Cordisburgo, terra natal do escritor mineiro, mas no período do carnaval aquela região é tomada por turistas. "Queríamos estar o mais próximo possível desse universo rural mineiro que é retratado na obra de Rosa, mas, diante da dificuldade de hospedagem em Cordisburgo durante o carnaval, precisamos refazer nosso planejamento", explica.

Participaram da imersão todos os envolvidos com a produção do novo espetáculo, que será lançado no segundo semestre e foi contemplado em edital do Programa de Ação Cultural (ProAC), da Secretaria de Estado da Cultura, voltado para montagens inéditas para o público infantojuvenil.

Além dos atores que integram o elenco, Henrique Nerys, Alexandre Manchini Jr., Luís Andrade e Marcello Finimundi, também participaram da imersão os dramaturgos Eduardo Bartolomeu e Cíntia Alves, que construirão a dramaturgia da montagem juntamente seus intérpretes, e os técnicos Elvis Leandro dos Santos e Lucas Hernandes.

Uma vida de descobertas

A montagem ainda conta com a parceria dos professores Alaor Ignácio dos Santos Júnior e Daniela Soares Portela, que é especialista na obra do escritor mineiro. Antes de ir a campo, a equipe foi 'alimentada' de informações por Daniela, que, em seu trabalho de orientação, apresentou os principais arquétipos presentes na obra de Rosa.

"A gente não vai montar ou adaptar a obra de Guimarães Rosa. Miguilim é apenas o ponto de partida para um espetáculo teatral que busca falar do processo de aprendizagem do ser humano, evidenciando cada descoberta da vida como uma forma de aprendizagem", pontua Vermelho.

O garoto que protagoniza o romance de Rosa, que carrega elementos da própria infância do escritor, é uma metáfora mais que oportuna para falar sobre descobertas, já que ele passa a enxergar o mundo de outra maneira quando um estrangeiro surge no vilarejo de Mutum e identifica que o menino de testa franzina tem miopia, dando a ele os seus óculos. 

Nesse sentido, a metáfora se aplica até mesmo ao processo de construção do espetáculo, em que os artistas buscam a ancestralidade do teatro em contato com a natureza. "Isso é o mais rico de todo o processo, e vamos prosseguir com essas imersões. Depois, ainda teremos o trabalho de transpor todas essas sensações obtidas no externo para a sala de ensaio. 

Caminhando para três décadas de história, a Azul Celeste se coloca totalmente aberta para o conhecimento, para a descoberta. "Não faz sentido continuar se não for para avançar. Por isso, estamos experimentando coisas que nos tiram de um lugar que já estivemos, que questionam nossas pseudo-certezas", reforça.

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